ROTANEWS176 16/07/2025 23:55
Por Carlos Ferreira

Reprodução/Foto-RN176 Imagem: Shadman Samee / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Um dos aspectos positivos da indústria da aviação é a capacidade de aprender coletivamente com cada acidente, o que contribui para o aumento da segurança ao longo do tempo. No entanto, a China está se recusando a divulgar a causa do acidente mais mortal do país, que também é o mais letal em 30 anos, citando preocupações com “segurança nacional e estabilidade social”.
Em março de 2022, um Boeing 737-800 da China Eastern caiu enquanto realizava um voo doméstico. O acidente foi envolto em mistério, pois a aeronave entrou em um mergulho abrupto em plena altitude de cruzeiro antes de colidir com o solo. Acidentes desse tipo são extremamente raros, o que torna a falta de informações ainda mais alarmante.
A Administração da Aviação Civil da China (CAAC) liderou a investigação, mas a transparência não foi uma prioridade. Cerca de dois anos após o acidente, a CAAC emitiu um relatório atualizado, afirmando que a queda foi “muito complicada e rara”.
No entanto, os reguladores não especificaram a causa do acidente, embora tenham descartado diversos fatores. O relatório indicou que não houve anomalias nos comandos de controle da aeronave ou nas comunicações de rádio, não havia intempéries na área, a aeronave não transportava materiais perigosos e os pilotos estavam totalmente certificados. Com isso, pouco foi revelado sobre a causa real do acidente.
Recentemente, houve uma atualização, conforme destacado pelo renomado jornalista de aviação Jon Ostrower. Um pedido de divulgação de informações governamentais foi feito na China, solicitando mais detalhes sobre o progresso da investigação e foi negado pela CAAC. O motivo apresentado foi que “a divulgação pode colocar em risco a segurança nacional e a estabilidade social”. Essa decisão foi fundamentada no Artigo 14 e no Artigo 36(3) das Regulamentações sobre a Divulgação de Informações Governamentais.
É incompreensível que um governo ativamente encubra os resultados de uma investigação de acidente com base no temor de que “a divulgação pode colocar em risco a segurança nacional e a estabilidade social”.
Nas semanas seguintes ao acidente, fontes com conhecimento do caso (mas que não falaram oficialmente) sugeriram que o acidente poderia ter sido intencional. Isso levanta questões sobre a possibilidade de que um dos pilotos tenha sido responsável pela queda, já que são eles que têm acesso à cabine de comando. Outras formas de terrorismo também não podem ser descartadas.
O problema de não revelar os detalhes de uma investigação é que nada pode ser aprendido, e a aviação não pode se tornar mais segura. Por exemplo, se houver a crença de que um dos pilotos foi responsável pela queda, foi implementada uma regra de que sempre deve haver duas pessoas na cabine de comando para garantir a segurança?
O fato de não divulgar as causas mina os preceitos de segurança do ecossistema de aviação, já que os reguladores em questão não estão dispostos a ser transparentes sobre a causa de um acidente de tamanha relevância.
FONTE: AEROIN










