Cientistas registram rompimento de placa tectônica dentro do oceano

ROTANEWS176 06/11/2025 03:45

Reprodução/Foto-RN176 Cientistas registram rompimento de placa tectônica dentro do oceano

Pela primeira vez na história, cientistas observaram em tempo real o rompimento de uma placa tectônica em uma zona de subducção. O estudo, publicado na revista científica Science Advances, foi conduzido por cientistas da Universidade Estadual da Louisiana.

A ruptura observada ocorre na placa Juan de Fuca, localizada no fundo do Oceano Pacífico, na região entre o Canadá e os Estados Unidos. O jornal O Globo explicou que os pesquisadores empregaram uma técnica semelhante a um “ultrassom geológico”, em que ondas sonoras emitidas por um navio de pesquisa atravessaram o leito oceânico e permitiram medir, com uma precisão sem precedentes, estruturas escondidas a vários quilômetros de profundidade na crosta terrestre.

O processo acontece quando uma placa tectônica da crosta terrestre desliza por baixo de outra e afunda lentamente em direção ao manto, isto é, a camada quente e densa abaixo da crosta. Geralmente, esse tipo de movimento ocorre nas bordas dos oceanos e é responsável por formar cadeias de montanhas, vulcões, terremotos e fossos oceânicos profundos.

Nesse estudo recente, foi revelado que a microplaca Explorer está se desprendendo do que restou da antiga placa oceânica de Farallon, em um processo chamado “rasgo de placa” (slab tearing). Essa ruptura aponta o surgimento de uma nova fronteira entre placas tectônicas e pode ajudar a entender como funciona a reorganização da crostra ao longo do tempo. Além disso, esse tipo de ruptura modifica o movimento interno da Terra e pode, no futuro, afetar a ocorrência de terremotos e a atividade vulcânica no norte do Pacífico, informou O Globo.

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“Há uma falha muito grande que está ativamente rompendo a placa. Ainda não está 100% rompida, mas está perto disso”, disse Brandon Shuck, principal autor do estudo e geólogo da Universidade Estadual da Louisiana (EUA), citado pelo portal UOL. Ao longo da fenda, que se estende por cerca de 75 quilômetros, algumas partes continuam apresentando atividade sísmica, enquanto outras permanecem inativas. Segundo os cientistas, quando um segmento se rompe por completo, ele deixa de gerar terremotos, já que as rochas deixam de estar unidas.

Os pesquisadores destacam que esse processo ocorre de forma lenta e progressiva, sem oferecer perigo imediato às pessoas. Trata-se de uma etapa natural do ciclo das placas tectônicas, responsável por transformar continentes e oceanos ao longo de bilhões de anos, relatou O Globo.

A CNN relatou que, segundo os cientistas, ainda não é possível saber o que acontecerá a seguir nem estimar quanto tempo levará para que a placa se parta por completo.  Ao observar o processo, os cientistas podem reunir informações sobre a forma como as placas tectônicas interagem, se fragmentam e remodelam os continentes e os oceanos, processos que moldam continuamente a face da Terra desde sua formação.

FONTE: THE DAILY DIGEST