RONEWS176 28/02/2026 12:30
NOVA REVOLUÇÃO HUMANA
Por Dr. Daisaku Ikeda

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração da BSGI
Parte 109
Em 1973, irrompeu um golpe militar em Santiago, capital do Chile. Aviões de guerra sobrevoaram a cidade, e tanques e tropas armadas tomaram as ruas. A residência do casal, que era líder central dos membros da Soka Gakkai no Chile, também ficou sob fogos de metralhadora nos combates. O segundo andar da casa ficou cheio de balas, mas o casal permaneceu a salvo na sala de orações do andar térreo.
Preocupado com a segurança dos membros, o casal começou a visitá-los, circulando pela cidade dia após dia, apesar da imposição da lei marcial. As atividades foram proibidas. Então, promovia reuniões familiares informais na casa que visitava.
Mesmo depois, durante vários anos as atividades só eram permitidas mediante autorização de órgãos do governo e, ainda, restritas a apenas um local, na sede comunitária. Os membros, no entanto, continuavam animados. Eles transmitiram a grandiosidade do movimento pela paz da SGI até mesmo aos policiais que iam observar o conteúdo das reuniões.
Com o rosto corado, os integrantes do Chile relataram animadamente as condições da época a Shin’ichi Yamamoto.
“Os presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda lutaram bravamente pelo kosen-rufu no Japão durante a guerra, sob a vigilância da polícia especial. O presidente Yamamoto continuou a nos enviar calorosos incentivos, encorajando a todos nós. Quando pensávamos que sensei estava ciente de tudo que passávamos, emanavam nossas forças.”
Os membros chilenos se dedicaram energicamente, pois o mestre estava sempre presente no coração deles. Por essa razão, não foram derrotados. Com o retorno da democracia no Chile, cerca de três anos antes, cada distrito e cada comunidade passaram a realizar livremente as reuniões da organização.
Nessas circunstâncias, os praticantes oraram e se dedicaram às atividades desejando a visita de Shin’ichi ao Chile, aguardando ansiosamente por aquele dia.
Apesar da contínua incerteza política e do vasto tamanho do país que abrangia cerca de 4.200 quilômetros de norte a sul, os membros haviam empreendido uma árdua luta para o avanço do kosen-rufu, juntando forças, extraindo a sabedoria e buscando estratégias. Shin’ichi ficou profundamente comovido com seus dedicados esforços.
No Chile, um dos países mais distantes do Japão, também haviam surgido bodisatvas da terra em sucessão.
E no Centro Cultural do Chile, Shin’ichi se dirigiu às crianças da Divisão dos Estudantes (DE) dizendo:
— Obrigado por me recepcionarem. Eu vim do Japão, país que é seu vizinho, do outro lado do oceano.
As crianças pareciam maravilhadas, com brilhos nos olhos.
Parte 110
Em seu discurso na 1aConvenção da SGI-Chile, Shin’ichi Yamamoto louvou os esforços dos membros que se dedicam às atividades em todo o país dizendo:
— Os senhores, que vieram se empenhando sem ser derrotados pelas adversidades, acumularão, com toda a certeza, ilimitados benefícios, tal como a vasta extensão dos Andes.
Shin’ichi comunicou, então, que o Chile era o 50o país visitado por ele. Desde que iniciou a viagem pela paz mundial, há 33 anos (em outubro de 1960), observando o imponente Monte Fuji, havia percorrido os cinco continentes. E agora havia chegado a esse país, do lado oposto do globo terrestre em relação ao Japão, o Chile, que é o lar do “Monte Fuji da América do Sul”, o altivo Monte Osorno.
Shin’ichi clamou vigorosamente aos membros:
— Estou certo de que Toda sensei está muito feliz. Mas o verdadeiro palco se inicia a partir de agora.
Com cada um dos senhores sempre no meu coração, como se estivéssemos atuando juntos, todos os dias, continuarei a percorrer o mundo com alegria e radiância!
Na sequência, Shin’ichi enfatizou a importância de uma conduta sábia, citando a passagem dos escritos de Nichiren Daishonin: “Os sábios podem ser chamados de humanos, mas os tolos não são mais que animais”.1Afirmou que a prática do Budismo Nichiren consiste em lutar de coração aberto, demonstrando toda a consideração inclusive às pessoas que não são membros, com respeito mútuo, valorizando a amizade e aprofundando as relações cordiais, sempre visualizando o kosen-rufu.
Conforme os princípios de “prática da fé é a própria vida diária” e de “budismo é a própria sociedade”, o Budismo Nichiren é uma religião aberta, e não devemos, de forma alguma, criar barreiras entre a Soka Gakkai e a sociedade. Shin’ichi desejava transmitir esse ponto aos membros.
E, na conclusão, clamou a todos para que, sem exceção, conduzissem uma existência de grande satisfação, repleta de vitórias e de boa sorte.
No “Encontro da Família Soka”, realizado na sequência da convenção, as crianças apresentaram uma dança típica da Ilha de Páscoa, famosa por suas estátuas de pedra gigantescas chamadas Moai. A Kotekitai entoou uma música infantil japonesa Haru ga Kita [A Primavera Chegou]. E a Divisão dos Jovens apresentou animadamente “cueca”, dança folclórica chilena.
No Chile, a geração jovem estava se desenvolvendo vibrantemente, herdando o espírito de pais e mães, pioneiros do kosen-rufu. Havia um futuro brilhante, repleto de esperança na organização do país.
Nota:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 113, 2017.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração da BSGI
Parte 111
No “Encontro da Família Soka”, todos os membros cantaram altivamente a famosa canção Si Vas para Chile. Shin’ichi Yamamoto acompanhou o ritmo da canção batendo palmas.
Camponeses e pessoas da aldeia
Virão recepcioná-lo, viajante,
E verá quanto no Chile
eles amam
Os amigos que chegam
do exterior
Com o rosto brilhando de felicidade, os membros cantaram apaixonadamente com o juramento de avançar como modelo do kosen-rufu mundial.
Nesse dia, criou-se o novo ponto primordial da SGI-Chile.
Ao meio-dia de 25 de fevereiro, Shin’ichi se encontrou com o presidente Patricio Aylwin no gabinete da Presidência, no Palácio Moneda. Os dois haviam se encontrado em novembro do ano anterior (1992) durante a visita do líder chileno ao Japão.
Na ocasião, ocorreu um profícuo diálogo sobre vários assuntos, tais como a liderança para servir ao povo, o dramático processo de democratização do Chile, e o intercâmbio cultural entre Chile e Japão na abertura de uma nova era pan-pacífica. O encontro inicialmente previsto para quinze minutos se estendeu para cerca de 45 minutos.
Na despedida, o presidente Aylwin disse:
— Espero sinceramente que este não seja nosso primeiro e último encontro. Da próxima vez, vamos nos encontrar, sem falta, no gabinete presidencial no Chile.
A promessa daquela ocasião estava se realizando.
O líder chileno informou que, após o encontro em Tóquio, leu inteiramente o diálogo de Shin’ichi com Arnold J. Toynbee, Escolha a Vida, e expressou sua alegria pelo reencontro.
Desta vez, eles dialogaram sobre o poder da cultura, os problemas ambientais e muitos outros assuntos. E, como poeta laureado, Shin’ichi dedicou um longo poema intitulado A Majestosa Democracia dos Andes ao presidente Aylwin, em homenagem às conquistas do líder chileno como defensor da democracia tão imponente quanto os Andes. O poema continha os seguintes versos:
O poder da razão supera
o das armas!
O poder do espírito supera o
da espada!
O poder insensível e sem
escrúpulos,
mesmo que brade com fúria,
no final traz só uma vitória
temporária e ilusória.
Somente o poder da razão e o
poder do espírito
trazem o amplo
enriquecimento da
terra do povo,
pela compreensão e alegria.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração da BSGI
Parte 112
Em julho de 1994, quatro meses após o término de seu mandato como presidente, Aylwin visitou o Japão com sua esposa, Leonor, e proferiu uma palestra comemorativa na Universidade Soka. Aylwin dialogou com Shin’ichi Yamamoto em três encontros, e esses serviram de base para a publicação do livro de diálogos O Levantar do Sol do Pacífico em outubro de 1997. A publicação coincidiu com o centenário da assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Japão e a República do Chile.
Na noite do dia 25 de fevereiro de 1993, Shin’ichi viajou do Chile para o Brasil, desembarcando em São Paulo.
Durante a sua estada, ele participou da 16a Convenção da SGI realizada no Centro Cultural Campestre da BSGI, com a presença de representantes de 32 países e territórios.
Na convenção, Shin’ichi descreveu os membros da Soka Gakkai como os “Desbravadores do esforço sem precedentes em prol do kosen-rufu do Jambudvipa [o mundo inteiro]”. Ele clamou a todos os presentes:
— Mantenham eternamente o orgulho de herdeiros diretos de Nichiren Daishonin em seu coração.
Ele também pediu que cada pessoa se esforçasse para brilhar majestosamente como ser humano e iluminasse o lar, a comunidade e a sociedade, para assim avançar com alegria e entusiasmo junto com ele, no grande caminho humanístico da SGI de ampla expansão dos laços de amizade entre as pessoas.
No dia 8 de março, ele foi para Miami, Flórida, onde participou do curso de aprimoramento e de outras atividades com os membros da SGI-Estados Unidos. Posteriormente, ele voou para São Francisco, onde se encontrou pela quarta vez com o cientista Dr. Linus Pauling. E continuou incentivando e dialogando com os membros, retornando ao Japão no dia 21 de março.
Em maio de 1993, Shin’ichi visitou as Filipinas e Hong Kong. De setembro a outubro do mesmo ano, viajou novamente para os Estados Unidos e para o Canadá. Durante essa viagem, proferiu sua segunda palestra como convidado da Universidade Harvard, intitulada “O Budismo Mahayana e a Civilização do Século 21”.
No ano seguinte, em 1994, de janeiro a fevereiro, Shin’ichi viajou para Hong Kong, para a província chinesa de Shenzhen e para a Tailândia. Em meados de maio, ele embarcou para uma viagem de mais de um mês para a Rússia e vários países da Europa. Todos os dias e todos os momentos foram dedicados à construção dos alicerces do kosen-rufu mundial.
Deixar de agir no momento em que a ação é exigida, ou deixar de fazer o que deve ser feito na hora certa, levará a arrependimentos por todo o futuro. Para Shin’ichi, o “momento presente” é tudo.
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










