Diálogo, a arte de compreender

ROTANEWS176 31/12/2025 10:00

ENCONTRO COM O MESTRE

Por Dr. Daisaku Ikeda

Nestes trechos de seus incentivos, o presidente Ikeda nos convida a exercitar a comunicação humanística com base na filosofia budista para criar pontes de paz entre as pessoas.

Reprodução/Foto-RN176 Ikeda sensei encontra-se com os companheiros no Centro de Treinamento de Nagano. Naquele dia, ele tirou fotos comemorativas com mais de 3 mil membros (Nagano, Japão, 26 ago. 1979)  Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional — Foto: Seikyo Press

A palavra “diálogo” tem origem no grego diálogos, que quer dizer “o significado é compartilhado por meio do discurso”. Não é simplesmente duas pessoas afirmando suas opiniões, tampouco se trata de uma troca de palavras. Por meio da conversa, conseguimos compartilhar o mesmo discernimento dos pontos de vista e das intenções das outras pessoas. É também um processo de criação de algo de valor novo e positivo.

Brasil Seikyo, ed. 2.014, 5 dez. 2009, p. A3.

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Nos locais em que existe intenso diálogo flui uma renovada energia. Meu mestre, Josei Toda, disse certa vez: “Estamos entrando na era do diálogo. Conversar com as pessoas é uma forma de transmitir nossos ideais e de uni-las”. Ele disse ainda: “Se os fundadores de todas as religiões do mundo se reunissem num único local, tenho a certeza de que conversariam uns com os outros com um sentimento de grande compaixão e respeito. Também estou certo de que, pela eterna felicidade da humanidade, eles trabalhariam em conjunto para acabar com a guerra, a violência e o conflito”. Essa também é a mesma convicção manifestada durante a Segunda Guerra Mundial por Tsunesaburo Makiguchi, primeiro presidente da Soka Gakkai.

Ibidem.

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No ano passado (2008), fui entrevistado por uma conhecida revista coreana, a Wolgan Choson [Chosun Mensal]. Uma das perguntas que me fizeram foi: “Qual é a chave para um diálogo bem-sucedido?”. Respondi que todos os seres humanos, independentemente de quais sejam suas posições sociais ou suas crenças, passam pelo que o budismo descreve como os sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte. Quando nos engajamos num diálogo, devemos ter em mente que estamos conversando com outra pessoa que, assim como nós, enfrenta inevitavelmente esses mesmos sofrimentos. Se conseguirmos agir assim, disse eu, poderemos nos comunicar com qualquer pessoa.

Brasil Seikyo, ed. 2.014, 5 dez. 2009, p. A3.

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Sejam quais forem as pessoas com quem nos encontrarmos, jamais devemos nos sentir envergonhados nem intimidados. Podemos falar com convicção e com liberdade tendo o propósito de contribuir de forma positiva para a vida delas e para toda a sociedade.

Idem, ed. 2.014, 5 dez. 2009, p. A3.

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Atividades de grande porte com centenas ou milhares de pessoas podem ser estimulantes e nos ajudar a ganhar impulso, mas o que realmente importa é o contato de pessoa a pessoa que as pequenas reuniões proporcionam, pois é aí que as raízes da fé se formam. Se as reuniões de diálogo em pequenos grupos fossem comparadas a raízes, as reuniões grandes seriam como troncos cheios de galhos e folhas. Por mais animadas que sejam as atividades de grande porte, uma organização será frágil se as reuniões de diálogo em pequenos grupos, as raízes, não forem sólidas. Nas pequenas reuniões, o discurso não é uma via de mão única; portanto, podemos ouvir o que cada um tem a dizer, nos inteirar dos problemas e dúvidas reais das pessoas, e oferecer-lhes uma resposta. Em outras palavras, consiste num diálogo que faz com que os membros se sintam satisfeitos. Isso é essencial. Além disso, por meio do diálogo, podemos formar fortes laços como seres humanos e isso, por sua vez, une corações. A Soka Gakkai adota as reuniões de palestra como sua atividade principal desde a época de Tsunesaburo Makiguchi, porque fazemos do diálogo o foco central do nosso movimento. Ele e Josei Toda eram mestres das reuniões de palestra e da arte do diálogo.

IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 26. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2021. p. 112-113.

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No diálogo budista, é importante relacionar-se com as pessoas de forma amável, polida e compassiva, mantendo ao mesmo tempo uma postura destemida e digna.

Ibidem, p. 58.

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O diálogo une as pessoas. E o budismo — uma filosofia de respeito à inviolabilidade da vida — propaga-se por meio do diálogo. O diálogo exige coragem, além do calor humano genuíno de aceitar e respeitar o outro. Também demanda sabedoria e paixão, necessárias para se edificar a compreensão e a simpatia.

A habilidade para o diálogo pode ser considerada um indício da capacidade geral do indivíduo. Ao nos esforçarmos para empreender diálogos, podemos aprimorar e elevar nossa vida.

IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 21. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 83.

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Estamos presos a todos os tipos de interesses, tais como interesses nacionais e posição social. O diálogo também poderia ser considerado o processo pelo qual podemos prover estímulo recíproco para transcender tais interesses e nos levantar em defesa de valores universais, para transformar desconfiança em confiança. Portanto, o diálogo exige perseverança, força, sabedoria e convicção. Além disso, por meio do diálogo, podemos interagir com várias pessoas e ideias, aprender sobre outras crenças e absorver novos conhecimentos, sabedoria e concepções. O diálogo é o caminho direto para nos enriquecermos como seres humanos.

Ibidem, p. 96.

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O diálogo pode ser comparado ao fluxo e refluxo da maré. Assim como as ondas podem, com o tempo, mudar o formato dos rochedos, o processo do diálogo sincero e cordial pode transformar desconfiança em confiança.

Ibidem, p. 121.

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Seja qual for a situação, o caminho do diálogo sempre será positivo, propiciando o fortalecimento da solidariedade e da união. Recusar-se a dialogar é um erro e pode ser uma postura divisionista e destrutiva. O principal é se encontrar com o outro e dialogar. É natural que, algumas vezes, o nosso ponto de vista e o dos outros difiram. Entretanto, o diálogo gera confiança, mesmo entre aqueles cujas opiniões não coincidem totalmente. Na sociedade também o diálogo constitui o alicerce para a paz, enquanto a rejeição ao diálogo é a porta de entrada para conflitos e guerras.

IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz. Parte 3: Kosen-rufu e a Paz Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p. 169-170.

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Pessoas se unindo sem preconceito e transcendendo diferenças nacionais e étnicas — nossa organização é realmente um modelo desse ideal. Basta observar a reunião internacional que estamos realizando hoje, com tantos amigos de diversos países. O que precisamos é expandir isto. Promovemos diálogos pela paz no mundo todo. Estamos dialogando com pessoas de diferentes culturas e tradições.

Mantive pessoalmente mais de 1.500 diálogos com importantes pensadores de vários países do planeta, começando com o historiador britânico Arnold J. Toynbee. Além disso, meus diálogos com cerca de 40 dessas personalidades ou foram publicados ou se encontram no processo de serem publicados, com o propósito de estimular o entendimento internacional.

O movimento da Soka Gakkai em prol da paz se empenha, por meio do diálogo, para estabelecer a filosofia de respeito à dignidade da vida como o espírito da época no século 21. Os diálogos que vocês realizam todos os dias são muito nobres e relevantes. Espero que deem prosseguimento a eles com suprema confiança e orgulho.

Ibidem, p. 497-498.

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O diálogo é a linha vital do budismo. O objetivo fundamental do Buda é desenvolver a mesma sabedoria que a sua na vida de todas as pessoas.

Podemos entender com isso que falamos sobre o budismo para as outras pessoas justamente porque, no fundo, nós as respeitamos. Se pensarmos ser inútil falar com essas pessoas, logicamente não tomaremos a iniciativa de dialogar com elas.

Falamos sobre o budismo para as pessoas porque as respeitamos como seres humanos. Por confiarmos nelas, podemos realizar tenazes diálogos.

IKEDA, Daisaku. Sutra do Lótus. Preleção dos Capítulos “Meios Apropriados” e “A Extensão da Vida.” São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2025. p. 59.

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O poder do diálogo muda o coração das pessoas. O sincero diálogo é a luz do sol que comove e enternece os corações enregelados das pessoas. Palavras esclarecedoras e convictas são brisas refrescantes que dissipam as nuvens da ilusão. O diálogo budista é o ponto primordial para a mudança da vida das pessoas.

O Buda manteve diálogos benevolentes para salvar as pessoas. Sua conversação era conduzida com total seriedade. Ele exerceu sua sabedoria e usou todos os meios para que suas palavras pudessem atingir o coração das pessoas.

Ibidem, p. 59-60.

O ato de conversar um com o outro

equivale a aprender mutuamente.

A conhecer um ao outro.

E a respeitar um ao outro.

O diálogo faz da humanidade seu amigo,

e do mundo seu aliado.

O ponto de partida do diálogo

é a indignação contra a caótica sociedade.

É o coração que tem empatia

pelo sofrimento das pessoas.

Ao levantar-se nesse horizonte comum,

é sempre possível realizar um diálogo sincero

como seres humanos iguais,

por maiores que sejam as diferenças.

A palavra kosen-rufu,

que é o grande juramento seigan

de mestre e discípulo do budismo,

já contém o espírito de diálogo.

Kosen possui o significado de

“propagar amplamente”.

Sem a ação de dialogar,

não se realiza o kosen-rufu.

Nós possuímos o budismo,

que elucida a essência da vida.

E possuímos o princípio e a ação do rissho-ankoku,

para nos envolvermos ativa e resolutamente

em meio à realidade social.

Por isso, não é necessário nos encolhermos

no confronto com qualquer tipo de pessoa.

Resolutos e com franqueza,

podemos expandir o diálogo

para abrir uma existência e uma sociedade

ainda melhores.

O diálogo é como uma peça teatral de muitos atos.

Há momentos em que faíscas se espalham,

e há outros em que músicas agradáveis

ressoam altivamente.

Em um diálogo vivaz,

há plenitude e transborda vitalidade.

Vamos nos lançar agora ao diálogo,

com forte fé e vivacidade!

Pelo bem da felicidade de si e de outras pessoas,

pelo bem da sociedade e do mundo e

pelo bem do futuro esperançoso,

vamos edificar o castelo do povo de contínuas vitórias

que brilha eternamente!

Brasil Seikyo, ed. 2.584, 16 out. 2021, p. 3.

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS