Diálogo entre mulheres de coragem, fé e missão 

ROTANEWS176 09/08/2025 07:15 

MATÉRIA DA DIVISÃO FEMENINA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO – JBS

Por Divisão Feminina da BSGI

Reprodução/Foto-RN176 Desenhos humano de ilustrativo da matéria  Ilustração: Getty Images

Querida companheira da Divisão Feminina da BSGI! Esperamos que esteja bem.

Iniciamos o segundo semestre de 2025, denominado “Ano do Alçar Voo da Soka Gakkai de Força Jovem Mundial”. Nosso desejo é que cada integrante da Divisão Feminina esteja munida de muito SAL (sabedoria, alegria e leveza), junto com Ikeda sensei, e de muito mais daimoku.

Para a matéria deste mês, gostaríamos de propor algumas reflexões. Para começar, temos uma pergunta de amiga para amiga: “Você já teve um daqueles dias repletos de oportunidades para manifestar a força e a fé?”.

Diante disso, encontramos o escrito O Tambor no Portal do Trovão,1 de Nichiren Daishonin. Essa carta foi endereçada à monja leiga Sennichi, esposa de Abutsu-bo. Daishonin louva a sinceridade da monja leiga ao lhe enviar oferecimentos, explica os benefícios resultantes das doações e fala sobre a fé e o forte espírito de procura dela.

Para a mulher que abraça o Sutra do Lótus, não há nada a temer

Trecho do escrito

Suponha que um leão tenha cem filhotes. Quando o rei leão vê seus filhotes sendo atacados por outros animais ou aves de rapina, ele ruge; ao ouvi-lo, os cem filhotes são encorajados, e a cabeça dos outros animais e aves de rapina partem-se em sete pedaços. O Sutra do Lótus é como o rei leão, o soberano de todos os animais. A mulher que abraça o rei leão do Sutra do Lótus jamais teme a nenhuma das bestas do inferno nem dos mundos dos espíritos famintos ou dos animais.2

Ikeda sensei, nas explanações desse escrito, comenta:

Nichiren Daishonin diz que a mulher que abraça o Sutra do Lótus — ou seja, que recita o Nam-myoho-renge-kyo com fé — não precisa temer nem as feras mais terríveis da vida. Ele compara o Sutra do Lótus a um leão majestoso e, quando esse leão ruge, seus cem filhotes se enchem de coragem, e até os animais mais ferozes fogem com medo.3

Cara amiga, da mesma forma, nós, mulheres que praticamos o Budismo de Nichiren Daishonin, somos como esses filhotes: protegidas, empoderadas, despertas para nossa força interior.
Mas como fica essa questão na vida cotidiana?

Imagine a Ana, por exemplo. Ela passou por um divórcio depois de 25 anos de casamento. Estava sem chão, com filhos adolescentes e uma carreira parada. Em vez de se entregar à dor, ela intensificou sua prática, recitou daimoku com mais determinação e buscou apoio nas reuniões da organização.

Hoje, ela voltou ao mercado de trabalho, redescobriu-se como mulher e como ser humano. Ela mesma diz: “Foi o Nam-myoho-renge-kyo que me ajudou a lembrar quem eu era”.

Temos também a Dona Lourdes, 72 anos, que cuida do marido com Alzheimer há anos. Muitas vezes se sentia cansada. Porém, com fé, foi transformando esse desafio em missão. Ela afirma que, quando recita gongyo, sente como se uma luz acendesse dentro dela. “Não estou sozinha, estou cumprindo minha missão com dignidade”, conta, emocionada.

Mas o que isso tem a ver com você?

Com a prática do budismo, aprendemos a olhar para tudo com ampla perspectiva, a nos desafiar em todos os aspectos da vida, seja profissional, seja familiar ou organizacional. Não é sobre dar conta de tudo, é sobre viver com coragem, sabedoria, leveza — é sobre dar o seu melhor com alegria, sabendo que cada desafio é uma oportunidade de crescimento.

Myo significa “abrir, reviver, transformar”. Isso mesmo: temos dentro de nós a capacidade de abrir caminhos onde não parece haver saída, de renascer mesmo depois das maiores perdas, de transformar lágrimas em força. Um passo de cada vez.

Em meio ao “Desafio dos Cem Dias de Daimoku” e vivenciando o primeiro ano do movimento “Cinquenta anos em cinco” até 2030, este é o momento de olhar para a reta final do ano com olhos de vitória. Não importa quantos obstáculos surgiram em nosso caminho — o mais importante é não desistir agora.

Com o coração conectado ao do Mestre, vamos juntas recitar muito mais daimoku, compartilhando, repletas de alegria, as vitórias com todas as pessoas ao nosso redor.

Com carinho,

Divisão Feminina da BSGI

Vitórias da Divisão Feminina

Novos e vitoriosos desafios

Compartilho minha trajetória de transformação e vitória com base na fé no Budismo de Nichiren Daishonin. Aos 35 anos, apesar de estar realizada profissionalmente, decidi seguir outros sonhos após a minha conversão ao budismo. Reencontrei o amor da minha vida, também budista. Juntos, nós nos mudamos para Itanhaém, SP, onde montamos um negócio, nos casamos e tivemos nossa filha Juliana.

Mesmo com dificuldades e o encerramento do nosso empreendimento, voltamos para a cidade de São Bernardo do Campo, SP, cuidamos de familiares e nos preparamos para um concurso em Itanhaém, no qual fomos aprovados. Assim, com esforço e fé, retornamos à cidade com estabilidade. Durante a pandemia, realizamos trabalhos remotos e, aos poucos, conquistamos amplas oportunidades. Atuei como educadora, fui promovida para a Secretaria da Educação e depois para a Secretaria da Cultura e Secretaria do Desenvolvimento Social.

Meu marido se encontrou na área de dados e conquistou um bom emprego. Nossa filha cresce com alegria e valores da Gakkai. Recentemente, decidi seguir novos caminhos em minha área de formação, mirando um futuro de mais conquistas ainda.

Avanço com gratidão ao Mestre, à minha amiga Odete e à família Gakkai. Com fé e ação, sigo firme: “Shitei funi é minha vida e avançar é minha missão!”.

Reprodução/Foto-RN176 Priscila Kazue Gondo Zani

Priscila Kazue Gondo Zani, vice-responsável pela Divisão Feminina da Comunidade Belas Artes, CGSP.


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Fortaleci meu propósito

O ano de 2024 foi marcado por desafios profundos que me fortaleceram como nunca. Minha filha Giulia sofreu com uma depressão severa e pediu para ser internada. Recitei daimoku intensamente e, com o apoio da família Soka, ela melhorou. Enfrentamos uma grande enchente e ficamos 45 dias fora de casa, superando prejuízos materiais e emocionais. Mas conseguimos levar nossos filhos à Convenção Juventude Soka Esperança do Mundo, realizada em maio do ano passado, em São Paulo, SP.

Minha filha mais nova foi hospitalizada com um vírus agressivo. Em agosto, meu esposo descobriu um tumor maligno e uma isquemia cardíaca. Após uma cirurgia robótica, sofreu complicações gravíssimas: infartos, sepse e hemodiálise.

Mesmo com tantas questões pessoais, segui recitando daimoku com fé inabalável. Como determinei, meu esposo teve alta no dia da reunião do Zenshin que realizamos na localidade. Organizei tudo virtualmente enquanto o visitava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e divulgava o budismo aos que ali estavam.

Reprodução/Foto-RN176 Ana Paula Guimarães Gresele

Ana Paula Guimarães Gresele, vice-responsável pela Divisão Feminina do Distrito Cristovão Colombo e responsável pelo grupo Zenshin da RM Porto Alegre Norte,CRE Sul.

Fortaleci meu propósito no kosen-rufu, guiada pela convicção na Lei Mística e na transformação do sofrimento em felicidade.

Finalizo com um incentivo do presidente Ikeda: “A única maneira de atingir a felicidade é marchar inflexível. O objetivo da fé é nos tornar ainda mais fortes”.1

Nota

1. Brasil Seikyo, ed. 2.644, 14 out. 2023, p. 5.

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai-shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo v. II, p. 214, 2017.

2. Ibidem.

3. Cf. Terceira Civilização, ed. 482, out. 2008, p. 55.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO – JBS