Diálogo sem fronteiras

ROTANEWS176 24/01/2026 10:50

ENTREVISTA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL SEIKYO SHIMBUN

Reprodução/Foto-RN176 Fotos dos entrevistados em destaque para ilustração da matéria 

Determinados a construir uma história de “Cinquenta anos em cinco” rumo ao centenário de fundação da Soka Gakkai, em 2030, a liderança da Juventude Soka do Brasil teve momentos especiais no diálogo com o coordenador da Divisão dos Jovens da Soka Gakkai Internacional (SGI), Mitsuo  Nishikata. O encontro foi publicado na edição de 17 de dezembro do Seikyo Shimbun, jornal com circulação diária de mais de 5 milhões de exemplares/dia, disponível também no acesso digital.

Por que a filosofia Soka está conquistando tanta empatia na sociedade brasileira? Esse foi o tema que abriu caminho para uma extraordinária troca de ideias. Acompanhe alguns destaques.

Um lugar seguro

Mitsuo Nishikata, coordenador da Divisão dos Jovens da SGI: Fui informado que muitos participantes do Encontro da Juventude Soka eram membros novos ou jovens que despertaram para a prática recentemente. Senti a vibrante força dessa nova geração. Na sociedade brasileira, o que faz com que o movimento da SGI conquiste tão profundamente o coração dos jovens?

Livia Endo, vice-coordenadora da Juventude Soka da BSGI: Apesar da popularização das redes sociais, que dão a impressão de que todos estão conectados, sinto que muitos jovens vivem uma espécie de solidão e buscam um lugar onde possam se sentir seguros. Eles desejam acreditar em algo e, por isso, visitam igrejas e exploram diferentes religiões atrás de apoio espiritual. Nesse processo, encontram amigos da SGI que compartilham com eles os ensinamentos do budismo.

Edjan Santos, coordenador da Juventude Soka da BSGI: Creio que, no contexto atual, há realidades muito duras envolvendo os jovens, como a pandemia da Covid-19 e a desigualdade social. Embora a taxa de ingresso nas universidades tenha aumentado, muitos não conseguem trabalhar na profissão que desejam. Não são poucos os que carregam inseguranças em relação ao futuro.

Nishikata: No Japão, há muitas pessoas que se consideram sem religião ou encaram a religião como algo especial ou distante.

Cauê Barreira, vice-coordenador da Juventude Soka da BSGI: No Brasil, em todas as gerações, ter fé é algo natural. Na verdade, quando alguém diz que não acredita em nada, as pessoas costumam perguntar: “Mas, como você enfrenta as dificuldades da vida?”.

Nishikata: A diferença decisiva com o Japão está justamente aí. No Japão, ao ouvir a palavra “religião”, muitos imaginam algo em que apenas pessoas fracas se apoiam ou algo suspeito e existe até uma tendência de tratar o tema como tabu. Mas, numa perspectiva global, possuir estudo religioso e capacidade para interpretar informações e ter uma fé como eixo espiritual é a marca de um indivíduo autônomo.

Fernando Mendonça, vice-coordenador da Juventude Soka da BSGI: No Brasil, o budismo é visto como uma filosofia intelectualmente elevada. Ao mesmo tempo, existe uma imagem de que se trata de algo muito formal e distante das pessoas.

Bruna Ikeda, vice-coordenadora da Juventude Soka da BSGI: Por isso, valorizamos criar um espaço em que a diversidade é acolhida. Queremos que as pessoas pensem: “Se eu participar de uma reunião da SGI, haverá amigos que me aceitam como sou” ou “Lá existe um calor humano como o de uma família”. Quando a sensação de solidão se transforma em tranquilidade, a empatia pela filosofia e pelo movimento Soka se expande de maneira natural.

Nishikata: A religião deve contribuir para a pessoa ter força para viver. Os jovens japoneses também carregam solidão e preocupações difíceis de expressar. Sinto que, assim como no Brasil, o Japão precisa desenvolver uma consciên-cia que permita enxergar a religião como fonte de esperança e que ofereça felicidade às pessoas

Objetivos e iniciativas da Juventude Soka

Nishikata: Desde setembro do ano passado [2024], a Divisão dos Jovens da BSGI uniu forças com a Divisão dos Estudantes e passou a atuar como a Juventude Soka do Brasil. Poderiam explicar o contexto dessa mudança e as iniciativas concretas?

Edjan: O Brasil é um dos países mais multiculturais e multiétnicos do mundo. Nos últimos anos, temos visto, por exemplo, uma das maiores paradas LGBTQIAPN+ do planeta, além do aumento de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Tudo isso reflete uma sociedade que valoriza cada vez mais a diversidade. Dentro desse cenário, decidimos iniciar uma nova etapa como Juventude Soka, para que a geração jovem possa atuar de maneira mais autônoma e autêntica.

Fernando: Sou responsável por uma faixa etária da Divisão dos Estudantes. Na Juventude Soka, por exemplo, homens e mulheres planejam e organizam eventos e reuniões juntos e trocam opiniões. Ao aprendermos com o ponto de vista do outro, ampliamos nossa visão de mundo e criamos uma forte união.

Livia: Uma das principais iniciativas é a Academia Índigo. Índigo significa “azul-anil” em português e foi escolhido porque carrega a determinação de que discípulos “mais azuis que o índigo” se levantem para liderar o kosen-rufu mundial.

Construindo a união de 200 mil jovens

Nishikata: O essencial é que os jovens adquiram a consciência de que são eles que construirão uma era de esperança. Ver jovens caminhando lado a lado e incentivando-se mutuamente é, sem dúvida, um novo modelo para o kosen-rufu.

Fernando: O objetivo da Juventude Soka é que cada pessoa brilhe à sua maneira. Quando alguém sente alegria ao manifestar provas concretas em sua vida, surge, naturalmente, o desejo de compartilhar a fé com os amigos. Essa expansão da empatia é a chave para abrir uma nova era.

Nishikata: Ikeda sensei já elogiou o esforço da Divisão dos Jovens do Brasil da seguinte forma: “É irresistivelmente alegre dialogar sobre o budismo. É irresistivelmente feliz poder dedicar-se à felicidade dos amigos. Essa alegria se propaga de companheiro para companheiro, de amigo para amigo e, por isso, o shakubuku floresce sucessivamente. É exatamente a prática descrita como ‘alegrar-se em ouvir a voz de alguém que se alegra em ouvi-lo’”.1 Acredito que esse é um direcionamento eterno que pulsa na Juventude Soka do Brasil. Que a sabedoria e as novas ideias da geração jovem, que fez do coração do Mestre o seu próprio, levem esperança ao mundo inteiro!

(Traduzido e adaptado do jornal Seikyo Shimbun de 17 de dezembro de 2025)

Nota:

  1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 70, 2020.

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS