Em 1987, biólogos capturaram o último condor livre para evitar sua extinção. Hoje, sabemos que salvar não é suficiente

ROTANEWS176 04/11/2026 05:20

Por Victor Bianchin

Quem decide quais espécies serão salvas?

Quase 40 anos após a captura do último condor-da-califórnia selvagem para evitar sua extinção, a espécie superou 600 indivíduos, com a maioria solta na natureza. No entanto, o processo caro e conflituoso expõe dilemas globais debatidos pela ONU sobre quem decide quais espécies salvar e quem financia as ações. Apesar de metas internacionais como as do Marco de Kunming-Montreal, a preservação ainda peca por excluir comunidades locais e povos indígenas das principais decisões e recursos.

RN176 O condor é a maior ave voadora do mundo e a que tem a terceira maior envergadura de asas, com 3,3 metros (perdendo somente para o Marabu, cuja envergadura de asas chega a 3,5 metros e para o Albatroz-errante que chega à mesma envergadura)

Já faz quase 40 anos que uma equipe de profissionais da biologia capturou o último condor-da-califórnia que voava livre, consumando assim a tragédia: com essa medida, a espécie se tornou oficialmente extinta, pelo menos na natureza. No entanto, essa captura foi motivada por uma boa intenção: o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA estava iniciando o programa de recuperação da espécie. No final do ano passado, o inventário de condores ultrapassou pela primeira vez os 600 exemplares, com quase 400 já vivendo em liberdade.

RN176 O condor é maior ave de rapina do mundo, ela é carnívoras que compartilham características semelhantes, como bicos recurvados e pontiagudos, garras fortes e visão de longo alcance

Mas essa recuperação custou sangue, suor e lágrimas. Bem, é modo de dizer: ela representou um enorme gasto de dinheiro, conflitos e muita polêmica sobre o preço de manter a biodiversidade. Essa é a pergunta que foi discutida até ontem, 30 de outubro, na cúpula de biodiversidade da ONU em Yerevan, capital da Armênia: quem decide quais espécies serão salvas e quem assume os custos? E falta alguém fundamental nessa conversa: as comunidades locais e os povos indígenas. Embora sejam eles os que mais sofrem as consequências, seu papel na tomada de decisões ainda é apenas simbólico.

 

RN176  Urubu e o condor embora ambos pertençam à mesma família de aves necrófagas se alimenta de carniças  

Queremos salvar espécies, mas não sabemos como

Em 2022, os países assinaram o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que tem como objetivo proteger 30% das terras e dos mares do planeta, interromper as extinções causadas pelo ser humano e reunir 200 bilhões de dólares por ano até 2030. Esse acordo não determina quais espécies devem ser salvas, mas orienta as prioridades …

FONTES: PORTAL TERRA E RN176

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