Espremer espinha faz mal? Dermatologistas alertam sobre os riscos e indicam alternativa mais segura
ROTANEWS176 02/08/2026 11:30
Por Thyago Murad
Entenda porque espremer espinha faz mal, quais são os riscos e veja alternativas mais seguras para tratar a acne.

Reprodução/Foto-RN176 Embora tentador, a recomendação de especialistas é não espremer a acne. – Reprodução / Freepik
Sofre com acne? Sabemos que as espinhas, embora um incômodo, são algo “simples” e “meramente estético”. Muita gente até mesmo sente vontade de espremê-las, porém, esse hábito comum pode trazer consequências maiores do que muita gente imagina.
O assunto voltou a ganhar destaque após o caso do influenciador Ken de CG, que precisou ser internado depois de uma infecção causada por uma espinha. O episódio reacendeu o debate sobre o chamado “triângulo da morte” do rosto e levantou dúvidas sobre até que ponto manipular uma espinha pode representar riscos para a saúde.
Embora complicações graves sejam consideradas raras, dermatologistas são unânimes ao afirmar que espremer espinhas não é uma boa ideia. Além de aumentar a inflamação, o hábito favorece infecções, manchas e cicatrizes que podem permanecer por muitos anos.
Entenda por que os especialistas desaconselham esse comportamento e descubra quais são as alternativas mais seguras para cuidar da pele.
Por que espremer espinhas faz mal?
Quando uma espinha surge, significa que já existe um processo inflamatório acontecendo dentro da pele. A acne se forma quando o folículo piloso fica obstruído por uma combinação de oleosidade, células mortas e proliferação da bactéria Cutibacterium acnes. Em muitos casos, o organismo consegue controlar esse processo sozinho.
O problema começa quando a pessoa tenta remover o conteúdo da espinha usando as unhas ou aplicando força sobre a pele.
Segundo especialistas, essa pressão nem sempre elimina a secreção. Na verdade, parte dela pode ser empurrada para regiões mais profundas, intensificando a inflamação e aumentando a chance de infecção.
De acordo com informações publicadas pelo portal Dermotivin, a manipulação também rompe estruturas da pele que ainda estavam preservadas, prolongando o processo inflamatório e favorecendo o surgimento de marcas permanentes.
O que realmente acontece quando você aperta uma espinha?
Ao contrário do que muitos imaginam, a espinha não funciona como um pequeno reservatório que simplesmente esvazia quando é pressionado. A força aplicada durante a tentativa de extração pode romper a parede do folículo piloso, espalhando bactérias, sebo e células inflamatórias para tecidos vizinhos.
Isso faz com que o organismo responda produzindo ainda mais inflamação. Como consequência, a espinha pode ficar:
- maior
- mais dolorida
- mais vermelha
- mais inchada
- mais demorada para cicatrizar
Além disso, existe um aumento significativo do risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, principalmente em pessoas com peles morenas e negras. As cicatrizes de acne também costumam estar relacionadas justamente à manipulação inadequada das lesões.
O maior risco nem sempre é uma infecção grave
Quando o assunto viraliza nas redes sociais, muita gente passa a acreditar que qualquer espinha pode provocar uma infecção no cérebro. Os especialistas explicam que isso não acontece dessa forma. Complicações graves, como a trombose do seio cavernoso, são extremamente incomuns. Entretanto, isso não significa que o hábito seja seguro.
Segundo publicação da National Library of Medicine, infecções da face podem, em situações muito específicas, alcançar estruturas profundas por meio da circulação venosa. Apesar de raros, esses casos exigem atendimento médico imediato.
Na prática, porém, as consequências mais frequentes continuam sendo manchas, infecções locais, piora da acne e cicatrizes permanentes.
Dermatologista explica por que não vale a pena apertar espinhas
Em entrevista publicada no portal do Dr. Drauzio Varella, a dermatologista Denise Steiner explica que espremer espinhas pode agravar bastante a inflamação.
“Ao espremer a espinha, você rompe a parede da glândula sebácea e espalha o conteúdo inflamatório para a pele ao redor”, explica a especialista.
Ela também destaca que essa agressão favorece o aparecimento de cicatrizes, além de aumentar o tempo necessário para a recuperação da pele.
Essa é justamente uma das maiores preocupações dos dermatologistas. Muitas marcas permanentes provocadas pela acne poderiam ser evitadas se as lesões não fossem manipuladas.
Existe um jeito correto de retirar uma espinha?
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre quem convive com acne. Segundo conteúdo publicado pela Dermotivin, a extração das lesões deve ser realizada apenas quando existe indicação e utilizando técnicas adequadas.
O procedimento costuma ser feito por dermatologistas ou profissionais habilitados, utilizando instrumentos esterilizados, higiene rigorosa e avaliação do estágio da lesão. Tentar reproduzir esse processo em casa, principalmente utilizando unhas, objetos improvisados ou força excessiva, aumenta significativamente o risco de complicações.
Além disso, nem toda espinha está pronta para ser extraída. Lesões internas, profundas ou muito inflamadas normalmente não apresentam um ponto de drenagem visível. Nesses casos, apertar apenas aumenta o trauma na pele.
Nem toda acne deve ser tratada da mesma forma
Outro erro bastante comum é acreditar que todos os tipos de espinha exigem o mesmo tratamento. Os dermatologistas explicam que existem diferentes apresentações da acne. Algumas lesões são superficiais, como os cravos abertos e fechados.
Outras já apresentam inflamação importante, formando pápulas, pústulas e até nódulos profundos. Cada uma dessas formas pode exigir uma estratégia diferente de tratamento. Por isso, recorrer à automedicação ou insistir em soluções caseiras nem sempre resolve o problema e, em alguns casos, pode até piorar o quadro.
O que fazer em vez de espremer a espinha?
Se apertar uma espinha não é recomendado, surge outra dúvida: como lidar com a lesão sem piorar o problema? Segundo dermatologistas, a melhor estratégia é permitir que a pele siga seu processo natural de cicatrização, enquanto produtos específicos ajudam a controlar a inflamação.
Em vez de tentar remover o conteúdo da espinha manualmente, vale investir em uma rotina de cuidados adequada para reduzir o tempo de recuperação e evitar marcas. Entre as medidas geralmente indicadas pelos especialistas estão:
- manter a pele limpa com produtos suaves
- utilizar cosméticos específicos para pele acneica
- evitar tocar constantemente na região inflamada
- usar protetor solar diariamente para reduzir o risco de manchas
- procurar um dermatologista quando a acne é frequente, dolorosa ou deixa cicatrizes
Esses cuidados ajudam a controlar a inflamação sem causar um trauma adicional à pele.
Curativos para acne podem ser uma alternativa interessante
Nos últimos anos, os chamados adesivos para espinhas ganharam espaço na rotina de skincare. Eles funcionam como uma barreira física, impedindo que a pessoa toque na lesão durante o dia ou enquanto dorme.
Além disso, muitos modelos utilizam tecnologia hidrocoloide, que ajuda a absorver secreções superficiais e mantém o ambiente mais favorável para a cicatrização. Embora não façam a espinha desaparecer instantaneamente, esses curativos podem reduzir a tentação de apertá-la, que costuma ser justamente um dos maiores problemas.
Quando a espinha precisa ser avaliada por um médico?
Nem toda acne exige consulta imediata. Entretanto, alguns sinais indicam que é hora de procurar um dermatologista. Entre eles estão:
- espinhas muito grandes e doloridas
- nódulos profundos
- recorrência frequente da acne
- aparecimento constante de cicatrizes
- inflamação intensa acompanhada por aumento importante do inchaço
- febre ou sinais de infecção
Nessas situações, o tratamento pode incluir medicamentos tópicos, antibióticos, terapias hormonais ou isotretinoína, dependendo da avaliação médica.
O que dizem os estudos sobre manipular lesões de acne?
Embora existam poucos estudos que investiguem especificamente o hábito de espremer espinhas, a literatura científica é bastante consistente ao relacionar o trauma mecânico ao agravamento das lesões acneicas.
Uma revisão publicada na National Library of Medicine (NCBI) destaca que a inflamação é um dos principais fatores envolvidos no desenvolvimento das cicatrizes de acne. Quanto maior e mais prolongado esse processo inflamatório, maiores tendem a ser os danos às fibras de colágeno responsáveis pela sustentação da pele.
Outro consenso amplamente adotado por dermatologistas é que manipular as lesões aumenta o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, condição caracterizada pelo aparecimento de manchas escuras que podem permanecer por meses, especialmente em pessoas com maior quantidade de melanina na pele.
Já a American Academy of Dermatology (AAD) orienta que apertar espinhas favorece o aumento da inflamação, prolonga o tempo de cicatrização e eleva a probabilidade de cicatrizes permanentes. A entidade recomenda evitar manipular as lesões e buscar tratamento adequado quando a acne se torna persistente ou deixa marcas.
Vale a pena apertar uma espinha?
Segundo os dermatologistas, a resposta continua sendo não. Embora a maioria das espinhas não evolua para complicações graves, o hábito aumenta significativamente as chances de manchas, cicatrizes e infecções locais.
Casos raros, como o do influenciador Ken de CG, também mostram que infecções na face merecem atenção e não devem ser negligenciadas, especialmente quando surgem sintomas como dor intensa, aumento rápido do inchaço, febre ou alterações na visão.
Por isso, diante de uma espinha inflamada, a conduta mais segura costuma ser simples: evitar manipulá-la, manter uma rotina adequada de cuidados com a pele e procurar orientação médica sempre que a acne for intensa ou persistente.
FONTE: SELEÇÕES



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