Estudo aponta como melhorar a memória e driblar o Alzheimer

ROTANEWS176 10/08/2026 09:30

Por Thyago Murad

Pesquisa revela como a alimentação pode influenciar a memória e o risco de Alzheimer. Entenda o que os pesquisadores descobriram!

Reprodução/Foto-RN176 A alimentação desempenha papel importante na preservação da saúde cerebral. – Reprodução / Freepik

memória muda naturalmente com o passar dos anos, mas quando o esquecimento começa a interferir na rotina, o medo do Alzheimer costuma surgir. Embora ainda não exista uma forma garantida de prevenir a doença, a ciência tem avançado na identificação de hábitos que podem reduzir o risco de demência e preservar a saúde do cérebro por mais tempo.

Uma pesquisa recente reforçou essa ideia ao mostrar que determinados padrões alimentares estão associados a um menor risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência. O estudo indica que nunca é tarde para adotar mudanças no estilo de vida e que melhorar a qualidade da alimentação, mesmo depois dos 60 anos, pode fazer diferença.

O que o estudo descobriu sobre memória e Alzheimer?

O trabalho foi publicado na revista científica Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, e analisou dados de 92.849 participantes, com idade média de 59 anos. Em uma segunda etapa, os pesquisadores acompanharam 45.065 pessoas que voltaram a responder questionários alimentares cerca de dez anos depois, permitindo avaliar como mudanças na dieta influenciaram o risco de demência ao longo do tempo.

O objetivo era investigar se diferentes tipos de alimentação baseada em vegetais poderiam influenciar o desenvolvimento da doença de Alzheimer e de outras demências. Os pesquisadores dividiram os participantes em três grandes grupos alimentares:

  • dieta baseada em vegetais de forma geral
  • dieta baseada em vegetais considerada saudável
  • dieta baseada em vegetais de baixa qualidade

A diferença entre elas estava justamente na qualidade dos alimentos consumidos.

Enquanto a versão considerada saudável priorizava frutas, verduras, legumes, grãos integrais, oleaginosas e óleos vegetais, a alimentação classificada como menos saudável incluía grande quantidade de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares adicionados, sódio e gorduras.

Os resultados chamaram atenção dos pesquisadores

Depois da análise estatística, os cientistas observaram diferenças importantes entre os grupos. As pessoas que consumiam mais alimentos de origem vegetal apresentaram 12% menos risco de desenvolver demência.

Entre aquelas que seguiam uma alimentação baseada em vegetais considerada saudável, a redução do risco foi de 7%. Já os participantes cuja dieta vegetal era composta principalmente por alimentos ultraprocessados apresentaram 6% mais risco de desenvolver a doença.

Segundo a autora do estudo, Song-Yi Park, do Centro de Câncer da Universidade do Havaí em Manoa, os benefícios das dietas baseadas em vegetais já eram conhecidos para doenças como diabetes e hipertensão, mas ainda havia poucas evidências sobre sua relação com o Alzheimer.

Em comunicado divulgado pela Academia Americana de Neurologia, ela afirmou: “Dietas à base de plantas têm se mostrado benéficas na redução do risco de doenças como diabetes e hipertensão, mas pouco se sabe sobre o risco da doença de Alzheimer e outras demências.”

Nunca é tarde para mudar os hábitos

Um dos aspectos mais interessantes da pesquisa foi analisar pessoas que modificaram sua alimentação ao longo da vida. No grupo acompanhado durante aproximadamente dez anos, os pesquisadores verificaram que aqueles que passaram a consumir mais alimentos ultraprocessados tiveram um risco 25% maior de desenvolver demência.

Por outro lado, quem melhorou a qualidade da dieta apresentou um risco 11% menor para Alzheimer e outras demências. Os resultados sugerem que mudanças positivas no cardápio podem trazer benefícios mesmo quando iniciadas em idade mais avançada.

A própria pesquisadora destacou esse ponto ao comentar os resultados: “Descobrimos que adotar uma dieta à base de plantas, mesmo começando em uma idade mais avançada e evitar dietas à base de plantas de baixa qualidade estavam associados a um menor risco de Alzheimer e outras demências.”

Quais alimentos aparecem como aliados da memória?

Embora o estudo não tenha elaborado um cardápio específico para prevenir o Alzheimer, ele reforça um padrão alimentar já bastante discutido pela literatura científica. Entre os alimentos mais presentes nas dietas consideradas saudáveis estavam frutas, verduras e legumes, grãos integrais, oleaginosas, óleos vegetais.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram pior desempenho entre pessoas cuja alimentação continha grande quantidade de ultraprocessados e produtos ricos em açúcares adicionados, gordura e sódio.

Isso não significa que um único alimento seja capaz de impedir o aparecimento da doença, mas reforça que a qualidade geral da alimentação parece desempenhar um papel importante na saúde cerebral.

O que explica essa relação?

O Alzheimer é uma doença complexa e ainda sem cura. Por isso, os pesquisadores acreditam que diversos fatores contribuem para seu desenvolvimento. Uma alimentação rica em vegetais costuma estar associada a melhor controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, fatores que também influenciam a circulação sanguínea e a saúde do cérebro.

Além disso, dietas com menor presença de ultraprocessados tendem a favorecer um padrão alimentar mais equilibrado, o que pode contribuir para um envelhecimento mais saudável como um todo.

A pesquisa tem limitações?

Sim, a pesquisa possui limitações e os próprios autores destacam que a investigação utilizou questionários alimentares preenchidos pelos participantes. Esse tipo de ferramenta depende da memória e do relato de cada pessoa, o que pode não refletir exatamente tudo o que foi consumido ao longo dos anos.

Mesmo assim, o grande número de participantes e o longo período de acompanhamento tornam os resultados relevantes para entender como hábitos alimentares podem influenciar o risco de doenças neurodegenerativas.

Por que o Alzheimer ainda representa um grande desafio para a medicina?

Embora os avanços científicos tenham acelerado nos últimos anos, o Alzheimer continua sendo a causa mais comum de demência no mundo e ainda não possui cura. Os tratamentos atualmente disponíveis conseguem aliviar sintomas ou retardar parcialmente a progressão da doença em alguns pacientes, mas não são capazes de reverter os danos já causados ao cérebro.

É justamente por isso que pesquisas voltadas à prevenção ganharam tanta importância. Em vez de focar apenas no tratamento quando os sintomas aparecem, cientistas tentam identificar fatores que possam reduzir o risco de desenvolver a doença ao longo da vida.

A alimentação é um desses fatores. Ela não atua isoladamente, mas integra um conjunto de hábitos relacionados ao envelhecimento saudável.

O estudo não prova causa e efeito

Apesar dos resultados positivos, é importante interpretar a pesquisa com cautela. Como se trata de um estudo observacional, ele identifica associações entre alimentação e risco de demência, mas não consegue demonstrar que uma dieta baseada em vegetais, sozinha, seja responsável por evitar o Alzheimer.

Outros fatores também podem influenciar os resultados, como prática de atividade física, nível de escolaridade, condições socioeconômicas e acesso aos serviços de saúde. Ainda assim, estudos desse tipo são fundamentais para orientar novas pesquisas e fortalecer recomendações relacionadas ao estilo de vida.

O que fazer para cuidar melhor da memória?

Com base nas conclusões do estudo, algumas atitudes práticas podem contribuir para uma rotina mais favorável à saúde cerebral:

  • dar preferência a frutas, verduras, legumes e grãos integrais
  • reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados
  • evitar excesso de produtos ricos em açúcar, gordura e sódio
  • manter uma alimentação variada e equilibrada ao longo do tempo

Essas mudanças não representam uma garantia contra o Alzheimer, mas podem fazer parte de um conjunto de estratégias voltadas para um envelhecimento mais saudável.

FONTE: SELEÇÕES E RN176

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