ROTANEWS176 06/12/2025 10:30
BUDISMO E SOCIEDADE RIRETO DA REDÃO
Um ideal a ser alcançado, juntos e para todos.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho ilustrativo da matéria
O budismo defende o respeito pela dignidade da vida como um bem inalienável a que todos têm direito. Apresentamos nesta edição ponderações do presidente Ikeda sobre o tema relações étnico-raciais justas, fruto também de diálogos e encontros com expoentes mundiais da literatura e da inclusão social, alguns dos quais foram transformados em livros. “É um erro discriminar uma pessoa considerando-a como elemento de um conjunto abstrato que leva em conta aspectos como raça, religião, nacionalidade ou classe, sem considerá-la como um ser humano concreto.”¹
Ao construir pontes douradas pela paz, em uma jornada de vida cumprida dignamente até os 95 anos, Ikeda sensei lançou luz aos desafios globais da humanidade defendendo a necessidade da ampla revolução humana. Uma reforma interior nas profundezas da vida para transformar o egoísmo, que justifica a subjugação de outros, em humanismo, que luta pela convivência pacífica. Acompanhe!
Como a discriminação mina o esforço pela paz?
A discriminação é uma forma de violência.
Conforme a escritora Pearl S. Buck afirmou: “O preconceito racial não é somente uma sombra para aqueles que sofrem o preconceito — é uma sombra sobre todos nós, e ela é ainda mais escura sobre aqueles que menos a percebem e permitem que seus efeitos malévolos continuem”.2
Uma sociedade em que há discriminação desmesurada de raça, de religião, de nível de escolaridade e de origem, uma sociedade em que os meios de comunicação se deleitam com a miséria e os infortúnios das pessoas — esse não é um ambiente para educar crianças saudáveis. Os jovens são o espelho dessa sociedade. Nada mudaremos colocando a culpa no espelho pela imagem deformada que ele reflete. Alguém comentou: “Para cada centímetro que um adulto muda, a criança muda um metro”. 3 Essas são realmente sábias palavras.
Como surge o preconceito?
Não concordo com aqueles que alegam que o preconceito racial seja algo instintivo no homem. As crianças se relacionam entre si abertamente e sem preconceito, independentemente da cor da pele ou da etnia. A hostilidade só se desenvolve mais tarde, quando as crianças crescem e se identificam com diferentes grupos raciais. (…)
Inegavelmente, diferenças sociais e culturais estimulam o surgimento do preconceito. No entanto, o preconceito pode ser superado se adotarmos como critério fundamental de pensamento e ação a natureza humana básica subjacente a todas as diferenças de cor, idioma, costumes e gênero. O esclarecimento de uma verdade muitas vezes conscientiza as pessoas do valor da natureza humana universal.4
Podemos escolher o caminho para a paz!
Ponderações extraídas da obra Citações de Daisaku Ikeda
Discriminação
Discriminação é violência. Uma sociedade que permite qualquer tipo de segregação é uma sociedade doente.
O quanto a discriminação e o preconceito ferem e humilham um ser humano que foi desprezado e desrespeitado por outro ser humano — somente quem passou por essa dor e indignação entenderá.
Mesmo na atualidade, a intolerante “obsessão em relação às diferenças” entre países, povos ou religiões é uma doença fundamental que a humanidade necessita superar.
Diálogo
O diálogo é um privilégio dos seres humanos. Ele permite superar todos os tipos de barreiras que separam as pessoas, permite estabelecer laços do coração e é o elo mais forte a unir o mundo.
Se a postura para o diálogo é mantida de maneira incondicional, quando surge um embate, não tenho dúvida de que, em vez da rivalidade surge a harmonia, em vez do preconceito surge a empatia, e em vez de conflitos, estabelece-se a paz. O confronto de ideias também é um indicativo de um diálogo verdadeiro.
Revolução humana, revolução da vida
“Prometo-lhe que construirei uma sociedade que você amará e da qual irá se orgulhar muito”
Um grupo de crianças brinca de chutar bola num parque público. Eram todos meninos de 7 ou 8 anos. Um senhor de cabelos brancos, que estava sentado em um dos bancos, observa sorrindo as crianças entretidas na brincadeira. Era uma linda cena — um domingo de lazer no parque. Cada vez que aparecia uma criança, os meninos a convidavam para entrar no jogo. E assim a roda ia aumentando. Foi então que uma criança vestindo um blusão aproximou-se do campo. Porém, ninguém a chamou para entrar no jogo. Era um menino negro. Ignorado tanto pelo senhor como pelos meninos, viu outras crianças sendo convidadas a entrar na brincadeira, postado de pé à sombra de uma árvore. Em certo momento, quando um dos meninos que estavam jogando chutou a bola em falso e caiu, o menino negro zombou dele e riu em voz alta. Naquele instante, o velho se levantou do banco, com o rosto vermelho de ira, e começou a vociferar contra ele. O menino retribuiu a ofensa com um olhar fixo cheio de ódio e rancor. Disparou algumas palavras, virou as costas e saiu andando com os ombros curvados de humilhação.
Esse episódio ocorreu em outubro de 1960, nos Estados Unidos, durante uma viagem pioneira do presidente Ikeda, o qual havia determinado expandir o budismo para o mundo. Presenciando essa cena envolvendo aquele garoto negro, seu rosto turvou-se de tristeza. Quis correr atrás do pequeno garoto, mas já o havia perdido de vista. Sem perceber, cerrou as mãos que tremiam. “Como uma sociedade podia admitir tamanha injustiça contra uma criança?”.
Em seu coração, ele disse àquele garoto do parque: “Prometo-lhe que construirei uma sociedade que você amará e da qual irá se orgulhar muito”.
Nota da editor: Resumimos o episódio do volume 1 da obra Nova Revolução Humana, de autoria do presidente Ikeda. É descrito no capítulo “Desbravadores”, que narra a histórica viagem do Mestre menos de cinco meses após tomar posse como terceiro presidente da Soka Gakkai e as histórias dos pioneiros dos primeiros países visitados por ele: Estados Unidos, Canadá e Brasil, ocasião em que a BSGI foi fundada (19 de outubro de 1960).
Não houve pausa na trajetória do Mestre, estimulando as pessoas comuns a polir seu interior e a construir juntas uma sociedade de paz. Nas reuniões de palestra Soka, a convivência harmônica é diretriz base, eliminando todas as formas de preconceito, a antítese da paz que a humanidade deve buscar a todo custo.
Comunhão de raças,
convivência humana,
sonho da democracia racial —
são ideais que fincaram raízes no Brasil.
Quanto mais te conheço,
quanto mais te visito,
mais palpitante fica meu coração
perante teu poderoso encanto. (…)
Qual o bem fundamental
que pode o homem deixar
para o futuro da humanidade?
Tão simplesmente o rumo
o claro e seguro rumo
para a conquista mais digna
da condição humana
a convivência solidária das raças.
Trechos de Brasil, Seja Monarca do Mundo!, denso poema oferecido aos brasileiros no qual Ikeda sensei
enaltece o encanto pela nossa gente!

Reprodução/Foto-RN176 Rosa Parks
O corajoso “Não” de Rosa Parks
Em 1º de dezembro de 1955, nos Estados Unidos, Rosa Parks subiu em um ônibus para voltar para casa depois de um dia de trabalho e sentou-se no banco reservado para negros. Porém, o motorista pediu-lhe que cedesse o lugar a um branco que havia acabado de subir. Cansada de ser perseguida, ela permaneceu em seu lugar e disse “Não!”.
O corajoso “Não” de Rosa Parks gerou um efeito extraordinário no movimento pelos direitos civis norte – americano que, tempos depois, erradicou a discriminação institucionalizada contra os negros.

Reprodução/Foto-RN176 Nelson Mandela
Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul
O primeiro encontro do presidente Ikeda com Nelson Mandela ocorreu em 1990, ano em que este foi libertado da prisão; o segundo, em 1995, quando foi eleito presidente da República da África do Sul. Nelson Mandela foi um líder sul-africano que combateu o regime racista do apartheid e se tornou um símbolo mundial de justiça e liberdade. Após 27 anos de prisão, tornou-se o primeiro presidente negro de seu país. Sua vida representa coragem, diálogo e a luta incansável pelos direitos humanos.
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Citações de Daisaku Ikeda. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p. 100.
2. BUCK, Pearl S. What America Means to Me [(O que a América Significa para Mim]. Nova York: John Day Company, 1943. p. 7-8.
3. Terceira Civilização, ed. 399, nov. 2001, p. 8.
4. IKEDA, Daisaku; PECCEI, Aurélio. Antes que Seja Tarde Demais. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2025. p. 171-174.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










