ROTANEWS176 08/11/2025 10:00
ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Yoshiki Tanigawa, diretor-geral da SGI, lidera comitiva para os eventos comemorativos dos 65 anos da BSGI e responde às indagações dos participantes.

Reprodução/Foto-RN176 Diretor-geral da SGI, Yoshiki Tanigawa, no centro da imagem acima, durante diálogo com participantes da Convenção Alusiva aos 65 Anos de Fundação da BSGI (Centro Cultural Campestre, Itapevi, SP, 19 out. 2025). Fotos: BS
O diretor-geral da Soka Gakkai Internacional (SGI), Yoshiki Tanigawa, criou momentos memoráveis com os participantes dos eventos comemorativos dos 65 anos da BSGI em outubro. Ao conduzir uma comitiva de líderes ao Brasil, Tanigawa interagiu com os membros, oferecendo encorajamentos diretos em uma espontânea sessão de perguntas. Respostas atenciosas e repletas de incentivos transmitiram confiança e direcionamento. Destacamos alguns trechos:

Reprodução/Foto-RN176 Yoshiki Tanigawa diretor-geral da Soka Gakkai Internacional (SGI)
Encontro Geral da Juventude Soka
Nosso país vai sediar a COP 30. Qual deve ser a postura da Juventude Soka diante das questões ambientais da atualidade?
Existe no budismo o princípio da “unicidade da vida e seu ambiente” (esho-funi). Porém, conforme os valores encontrados no Ocidente, considera-se que o ser humano e a natureza existem separados. Estamos vivendo momentos críticos com as mudanças climáticas e os efeitos da atitude humana no meio ambiente. Movimentos sociais para mudar a realidade estão sendo realizados, mas qual seria a causa fundamental que vem destruindo o planeta?
O budismo afirma que é a ganância do ser humano, causada pelos “três venenos” — avareza, ira e estupidez. Tomar ações instintivas sem pensar. Como transfor-mar essa vida dominada pela ganância? O fundamental é realizar a revolução humana para que as pessoas sejam verdadeiramente felizes. Foi promovendo sinceros diálogos que Ikeda sensei se esforçou para expandir essa rede de solidariedade do bem. Como jovens, cada um de vocês deve se empenhar para isso, tomando ações de coragem para concretizar esse ideal. Dedicar-se aos estudos e manifestar o potencial máximo para cumprir sua missão.
Como inspirar os amigos a despertar para a prática da fé? E como conduzir diálogos inter-religiosos?
Primeiro, ore firmemente, com objetivos claros e concretos. Makiguchi sensei dizia que orar é como se tivesse um arco e uma flecha mirando um alvo. Se a flecha for disparada num alvo que não está claro, ela não irá a lugar algum.
Com oração direcionada, você conseguirá resultados infalíveis, uma vida plena e enriquecida. E, imbuído desse sentimento de felicidade, fale aos amigos do jeito que se sentir mais à vontade. Ore sinceramente pela felicidade e pelo desenvolvimento deles. Ore para que sua sinceridade seja transmitida ao amigo como sensei direciona. É ouvir atentamente o amigo e encorajá-lo.
* * *
Atualmente, o kosen-rufu mundial avança de forma acelerada. Na Índia, em 2015, havia 100 mil membros; e hoje, 300 mil. Na Itália, onde mais de 65% da população é católica, há 100 mil membros Soka. As religiões nasceram para que todos sejam felizes. O diálogo só começa quando se respeita a personalidade da outra pessoa, pois cada qual tem uma razão para acreditar em uma religião. O importante é ter um diálogo recíproco em que possam se respeitar mutuamente e juntos despertar para a essência da vida. Ore para a felicidade dessa pessoa. Dialogue com bastante confiança.
Como agir diante dos desafios na saúde mental?
Os sintomas dos que sofrem com depressão, ansiedade ou outras doenças mentais variam de pessoa para a pessoa. Nos momentos mais difíceis, o importante é descansar. Se pensar “Puxa, mas eu pratico e tenho depressão e ansiedade”, só criará uma barreira a si mesmo. Ore por essa pessoa, pois todas as vidas estão conectadas, influenciando de alguma forma. E quando essa pessoa estiver muito ansiosa, faça com que se sinta mais leve, apenas ouvindo-a. Abrace-a com a oração e um caloroso incentivo. O budismo ensina que todas as pessoas têm a natureza de buda em sua vida.
O importante é não ser derrotado pelo sentimento de estar doente. A doença não é obstáculo para se tornar feliz.
Convenção Alusiva aos 65 Anos de Fundação da BSGI
Poucos na família praticam hoje, mesmo alguns tendo nascidos no budismo. Como tocar o coração deles sobre a nossa missão?
O fato de se empenhar na prática da fé já é maravilhoso. Sensei sempre diz que as pessoas que se dedicam em meio a outras que não praticam são como o sol. Você não precisa forçá-las a praticar. O mais importante é que seja a pessoa mais alegre e a que manifesta amor e carinho a todos da família. Somente um sol é necessário para iluminar as pessoas. Torne-se você o sol da família.
Como descobrir que somos o carma do outro e que o outro é nosso carma? (risos)
O Budismo Nichiren é o budismo da transformação cármica. Como é o budismo de causa e efeito, o fato de você estar nesse ambiente com esse carma é porque fez causa no passado. Quando toma consciência disso, você para de culpar os outros pelo que está passando. Se houver uma pessoa com a qual você não se dá bem, a responsabilidade é sua. É sua, e não da outra pessoa. Por que é dessa forma?
No Gosho, aprendemos que aquele que recita daimoku e luta pelo kosen-rufu é um emergido da terra. É quem desde o infinito passado vem acumulando imensas causas positivas, conquistando elevada condição de vida em todos os aspectos. Ele tem condições de nascer no momento que desejar, da forma que quiser. Por que, mesmo assim, está deste jeito? É porque o juramento, a causa como emergido da terra, está escondido nas profundezas do seu coração: o verdadeiro desejo de expandir esse ensinamento e salvar as pessoas que estão sofrendo.
A princípio, entendemos que, se nascemos pobres e doentes, é devido a causas acumuladas no passado. Mas, para o emergido da terra, não é acúmulo de causas negativas. É você quem criou esse cenário para nascer dessa forma. É porque precisa mostrar para as pessoas como mudar isso. Significa transformar carma em missão. É como se estivesse encenando um drama, e vocês são os atores centrais. Então, o final será sempre um final feliz.
Como criar o equilíbrio para conci-liar família, trabalho e kosen-rufu?
Para a geração mais velha, conciliar atividades e trabalho era uma questão maior, ou seja, a criação dos filhos e os afazeres da casa eram de responsabilidade da mulher. Mas a época mudou. Se os homens não fizerem as coisas de casa e não ajudarem na criação dos filhos, as mulheres saem de casa (aplausos).
Hoje, tanto homens quanto mulheres trabalham fora e em casa. Se querem levar uma vida de valor, naturalmente deverão aumentar o número de coisas que precisam fazer.
Sensei diz que para conseguirem fazer tudo, o primeiro passo é decidir que terão condições de fazer tudo. Orar com essa determinação.
E, para conciliar tudo, necessitam pensar em longo prazo. Por exemplo, como estudante, devem focar nos estudos; quando o filho é pequeno, precisam se concentrar nisso. Para cada momento desses, orem intensamente daimoku. Com energia vital rica, manifestarão sabedoria e criatividade para conciliar tudo.
Às vezes, não dá para fazer tudo, mas é importante se desafiar no longo prazo, com forte persistência e oração. Com o tempo, conseguirão conciliar tudo. Essa é a orientação de Ikeda sensei.
Encontro dos grupos Zenshin e Alvorada
Como resgatar os companheiros em meio ao sofrimento após o afastamento na pandemia?
Realmente, a pandemia foi uma experiência inédita para nós. Não conseguimos fazer as atividades presenciais. E soubemos que no Brasil a versão digital dos periódicos foi disponibilizada a todos os membros. Em toda a SGI, a BSGI foi a primeira. Nesse sentido, as atividades virtuais abriram diversas oportunidades.
Mas o presencial permite reencontrar os companheiros e realizar um diálogo proveitoso antes da reunião, dar carona e pôr o papo em dia. Acredito que uma das experiências da pandemia seja a de que reaprendemos como é bom fazer atividades presencias (orar daimoku juntos).
Se orar pensando na felicidade da pessoa com sinceridade e respeito, sendo caloroso, esse sentimento chegará a ela sem falta.
Algumas vezes, faço orações e o resultado não vem como gostaria. Como fazer para as orações serem mais assertivas?
O coração das pessoas é sempre instável. O mais importante é sempre se lembrar de que “não há oração sem resposta”. Não deixe que sua mente seja o mestre, você deve ser o mestre de sua mente. É fundamental partir dessa convicção: de que não há oração sem resposta.
Com uma oração contínua como uma correnteza, nossa vida se eleva. Quando percebemos, tudo aquilo pelo que oramos se realiza. O fato de já ter orado é porque já está gravado em sua vida. Assim, infalivelmente conseguirão os resultados.
É uma prática para construir um eu inabalável.
Compartilhe o início de sua prática e um episódio marcante com Ikeda sensei.
Um ano antes de eu nascer, meu pai recebeu o Gohonzon. Minha mãe levou seis anos para começar a praticar. Ela era contra. Ficou seis anos observando meu pai e sentiu que devia haver algo no budismo. Quando estava com 4 anos, minha mãe, minha irmã mais velha e eu nos convertemos. Eu adorava meu pai e sempre ficava perto dele quando ele estava fazendo gongyo. Meus pais atuavam na linha de frente. Muitos membros pobres lutavam contra o destino, mas eram sinceros e puros. Eram pessoas boas, que tinham o objetivo de fazer algo pelo bem. Então, desde criança percebia isso.
Quando fui para o ensino médio, fiquei sabendo da escola Soka e, no ano seguinte à fundação, ingressei lá na segunda turma (eu tinha 12 anos, e sensei, 40).
Como pode existir uma pessoa tão grandiosa, engraçada e rigorosa? Acredito que esses tenham sido os motivos que me fizeram praticar até hoje. Na minha época de jovem, recebi um treinamento que não consigo medir quanto meu coração foi fortalecido com tantos treinamentos e tão boas lembranças.
Sensei era um mestre que amava de coração todos os membros da Gakkai, e dedicava esforços abnegados pelo kosen-rufu. Ele era caluniado. E, quando visitava a escola Soka, sempre dizia:
O fato de estar aqui mesmo sendo caluniado, é porque confio em vocês, que vão me suceder. É por isso que estou aqui lutando com firmeza. Desejo que lutem contra o autoritarismo, que se dediquem para proteger o povo.
Assim sensei nos orientava.
Apesar de ter recebido esse treinamento precioso, acho que ainda não consigo compreender, em sua totalidade, tudo o que sensei proporcionou. Mas estarei orando e me empenhando para conseguir concretizar o ideal que ele nos deixou. Por sensei e para o sensei, quero ser a pessoa que dedica todos os esforços com alegria. Esse é meu sentimento (aplaudido de pé).
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO










