Juntos pela vida

ROTANEWS176 13/09/2025 08:35

BUDISMO E SOCIEDADE

No marco do Setembro Amarelo, percepções de como o budismo é capaz de iluminar nossa alegria de viver.

Reprodução/Foto-RN176 Foto em destaque da matéria

Por mais que se queira evitar, os problemas aparecem e, por vezes, de forma tão dolorosa que desistir da vida parece o caminho mais fácil. O budismo surgiu como uma maneira efetiva de entender e transformar o sofrimento e as perdas, defendendo que não há nada mais valioso no mundo do que a vida humana. No mês dedicado à conscientização e à prevenção ao suicídio, reforçam-se os alicerces da nossa organização de prezar cada pessoa como única, acolhendo-a em suas inquietações e angústias e conduzindo-a à prática do Nam-myoho-renge-kyo, que a tudo ilumina. Ressignificar a vida.

Essa filosofia da esperança aflora como poderoso antídoto para o sofrimento humano, que, de tão insuportável, induz as pessoas a desistir da própria vida. As causas são diversas — situação financeira, desarmonia, saúde mental, entre outras — num emaranhado de sentimentos que pesam fortemente, incluindo a solidão.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que uma de cada seis pessoas no mundo é afetada por essa sensação, com impactos significativos na saúde e no bem-estar.1 E um dado perturbador da pesquisa revela que entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos se sentem solitários.

Na contramão desses índices, o companheirismo vivenciado na Soka Gakkai tem sido cada vez mais uma fonte de encorajamento e de motivação para que sonhos e objetivos vençam a batalha contra a desesperança.

Budismo e Sociedade traz, nesta edição, algumas respostas a questionamentos com base nas orientações do presidente Daisaku Ikeda. São valores, crenças e propósitos capazes de iluminar nossa alegria de viver.

Neste Setembro Amarelo, sejamos ombro e abraço, sempre. A vida é o que mais importa.

“Minha vida não tem valor.” Como o budismo orienta quem pensa dessa forma?

“Todas as vidas são igualmente preciosas. Não há hierarquia entre os seres vivos. Cada ser tem uma natureza singular. A vida de cada pessoa é tão valiosa quanto o universo — a vida é una com o universo e tão importante quanto ele.

A esse respeito, Nichiren Daishonin declarou: ‘A vida é o maior dos tesouros’;2 ‘O Buda expressa que a vida não é algo que possa ser adquirido, nem mesmo pelo preço de um grande sistema de mundos’.3 E ‘Um único dia de vida é mais valioso que todos os tesouros de um grande sistema de mundos’.4

Isso explica por que jamais devemos tirar nossa própria vida, também, por que a violência é errada e por que não devemos ferir ou maltratar os outros: é pelo fato de nenhum de nós ter o direito de infligir danos à vida, um bem tão precioso.”5

Florada do ipê-amarelo plantado por Ikeda sensei em sua terceira visita ao Brasil em 1984. A árvore encontra-se nos jardins da sede central da BSGI. Assim como na vida, “O inverno nunca falha em se tornar primavera”, como garante o Buda Nichiren Daishonin6

Como combater a angústia quando nada dá certo?

“Aceitar a fé no Budismo Nichiren não significa que os problemas e sofrimentos desaparecerão. O importante é conseguirmos vencer as adversidades com convicção e compostura, em vez de sermos derrotados por elas. É o que determina a vitória ou a derrota, a felicidade ou a infelicidade na vida. Nossa grandeza e nossa força como seres humanos não têm relação com posição social. Verdadeiro campeão é aquele que, independentemente de quão difíceis sejam as circunstâncias e quanto elas se agravem, continua a avançar com coragem e esperança, sem desistir. A fé é fonte de energia que nos auxilia a vencer e a transformar nosso destino, por piores que sejam as dificuldades ou mais tempestuosamente soprem os ventos do carma. É para isso que existe o Gohonzon. Espero que todos vocês continuem a abraçar o Gohonzon ao enfrentarem infinidades de obstáculos e que permaneçam juntos da Soka Gakkai, realizando a prática por toda a vida. Se fizerem isso, vivenciarão maravilhosos benefícios. Vocês se tornarão pessoas que não são derrotadas por nada e que conquistam uma felicidade indestrutível.”7

Existem defesas contra o estresse?

“Dilaceradas pelo peso de uma excessiva expectativa, de um lado, e por um sentimento de impotência, de outro, as pessoas se tornam cada vez mais indefesas em relação ao estresse. Assim, quando o assunto é estresse, é necessário haver uma mudança do senso de humanismo. O ser humano possui em seu interior duas facetas: a do potencial sem fim e a da fragilidade. Outro ponto importante que deve ser entendido com profundidade ainda maior é que as pessoas podem se fortalecer por meio do apoio mútuo.

Um dos fundadores do estudo sobre estresse, Dr. Hans Selye, recomenda alguns pontos com base em sua própria experiência na luta contra o câncer. Em primeiro lugar, abraçar um objetivo de vida definido por si mesmo. Em segundo, conduzir um modo de vida em que o fato de se tornar uma figura imprescindível para outras pessoas seja positivo para si. Os olhos do ser humano estão em sua parte frontal. É um ser que caminha para frente rumo a um objetivo. Ao mesmo tempo, ele consegue expandir sua força para vencer resolutamente seus próprios problemas a partir da ação de estender as mãos às pessoas que sofrem.”8

Acolhimento e  preocupação genuínos

Dez de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, criado pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2003. O objetivo é conscientizar, incentivar e criar estratégias para enfrentar o problema.

Por que uma pessoa pensa em suicídio?

Eu me chamo Rosa Carbone, sou psicóloga clínica e especialista em terapia cognitivo-comportamental (TCC) e lhes apresento uma breve visão dessa forma de tratamento sobre o suicídio.

Segundo a TCC, nossas emoções e comportamentos estão diretamente ligados aos nossos pensamentos. Olhamos a realidade e construímos interpretações que se transformam em pensamentos — neurônios que se conectam produzindo química —, os quais, por sua vez, geram emoções boas ou ruins e, a partir dessas emoções, produzimos nossos comportamentos.

Quando uma pessoa manifesta questões mentais, como depressão, seus pensamentos sobre si, sobre o outro, o mundo e o futuro são negativos catastróficos generalizados, permanentes e persistentes, levando à principal causa do suicídio (…): a desesperança.

Como perceber os sinais?

É preciso ressaltar que cada pessoa demonstra formas diferentes de sinais e que nem sempre indicam suicídio, mas merecem atenção, acolhimento e ajuda. Sinais mais comuns: isolamento social, desesperança, mudanças de humor, falta de energia, alteração de sono e apetite. Vale um alerta: nem sempre o suicídio é antecedido por sinais — ele pode ser silencioso.

O que fazer? Como ajudar?

A melhor prevenção é você se importar genuinamente com as pessoas que estão ao seu redor. Estar próximo para ouvir, conversar, fazer atividades simples juntos, orientar sobre o problema, direcionar para um bom tratamento são maneiras de ajudar alguém que se encaixa nesse perfil de comportamentos. Além disso, acompanhar de perto a evolução é de fundamental importância.

Olhar para a frente

Por mais que o futuro pareça incerto ou nebuloso, a vida pulsa. Se olhar para fora, verá que tudo ao seu redor trabalha para a vida. Tudo existe para que a vida aconteça! Então, se em algum momento, mesmo de relance, o desejo pela vida se manifestar, não deixe passar. Fale com um amigo, um parente, deixe que o movimento natural para a vida aconteça.

Reprodução/Foto-RN176 Rosa Carbone

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“A família é um jardim” A cena se forma. Uma mulher casou-se novamente depois de ter ficado viúva na guerra com uma criança pequena. Seu novo marido tinha seis filhos e ela havia tido problemas de relacionamento com eles. No auge disso, o marido dela, que tocava uma fábrica de tingimento de tecidos, se deparou com um impasse no trabalho e começou a se envolver com jogos de azar. Brigas intermináveis com o marido somadas às dificuldades econômicas e à relação conflitante com os filhos dele levaram-na a cogitar o suicídio. Em meio a isso, uma conhecida falou ao casal sobre a prática budista.

Qual o desfecho desse drama? Confira na Nova Revolução Humana, v. 2, p. 76. Saiba por que Ikeda sensei enfatiza que “A família é um ‘jardim’ na formação de seres humanos de grande valor”.

Notas:

1. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-07/oms-uma-em-cada-seis-pessoas-no-mundo-e-afetada-pela-solidao. Acesso em: 30 ago. 2025.

2. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. v. I. Tóquio: Soka Gakkai, p. 1125.

3. Ibidem, p. 983.

4. Ibidem, p. 955.

5. Brasil Seikyo, ed. 2.322, 7 maio 2016, p. B3.

6. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 559, 2020.

7. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 12, p. 145, 2020.

8. Idem. Seja a Esperança. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 62, 2024.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO