ROTANEWS176 11/10/2025 11:00
RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Reprodução/Foto-RN176 Claudineia Hitomi Miura de Brasília, DF, vence a batalha do câncer, na BSGI, é vice-responsável pela Divisão Feminina da Sub. Distrito Federal, CRE Oeste. e cria nova jornada. Fotos: Arquivo pessoal | Colaboração local
Sou Claudineia Hitomi Miura, a mais nova de sete irmãos. Meus pais, Hitoshi e Mitsuko Miura, chegaram ao Brasil em 1960 no navio África Maru, trazendo o Gohonzon que receberam pouco antes de embarcar. Trabalharam arduamente na agricultura para nos criar e nos estabelecemos em Brasília, DF. Nunca abandonamos a prática budista. Estamos na quarta geração de familiares membros, quase entrando na quinta com muita honra. Foi com essas raízes de conviccão na prática do Nam-myoho-renge-kyo que enfrentei a dura batalha contra a doença. Compartilho aqui.
Receber o diagnóstico de câncer de mama, aos 40 anos, foi um alerta para valorizar a vida. Era setembro de 2011, mês da primavera, e eu me via imersa num inverno rigoroso que parecia não ter fim. Vivia o término de um casamento conturbado e abusivo. Não possuía mais sonhos de vida.
O budismo ensina que, se o problema está em nós, a solução também está. A doença me fez olhar para dentro e reconectar-me com as minhas origens. O casamento não deu certo, mas dele conquistei um precioso tesouro, meu filho, Roberto Shiniti.
Reinventar-me
O câncer, na realidade, veio para que eu retomasse o protagonismo da minha história.
Convicta de que “O inverno nunca falha em se tornar primavera”,1 orei Nam-myoho-renge-kyo diante do poderoso Gohonzon e com o apoio de familiares, amigas e veteranas da organização, encontrei forças para superar. É incrível como o daimoku nos direciona para onde nossa vida precisa. Em fevereiro de 2011, tentando me desvincular da empresa que tinha com meu ex-marido, resolvi começar de novo, em uma empresa de entretenimento, como operadora de caixa. Trabalhava das 18h às 2h da madrugada.
E foi essa empresa que me proporcionou um plano de saúde ótimo — tudo o que precisava quando a doença manifestou. Realizei todo o tratamento, as dezesseis sessões de quimioterapia e a cirurgia de mastectomia com prótese.
No dia da cirurgia, fui informada de que o convênio só tinha autorizado o procedimento na mama esquerda onde havia o câncer. Apesar disso, os médicos realizaram a mastectomia na mama esquerda e também trataram a direita, devido ao risco de 30%. A mastologista confirmou que ambas seriam operadas e recebi próteses nas duas mamas após uma cirurgia de sete horas em hospital particular. Recebi a cirurgia e a prótese da mama direita como um presente.
O amor, a seu tempo
Em 2012, com umas penugens que nasciam na cabeça e me achando uma pata feia, fugia da aproximação do meu atual marido, Ricardo Gonçalves Pereira. Um dia, ele disse uma frase que me conquistou: “Você é a mulher mais linda deste universo!”. Criei coragem e iniciamos um relacionamento. Ele é uma pessoa maravilhosa. Transformei mais um carma negativo!
Transcorridos cinco anos, em 2017, recebi a notícia de que o tratamento tinha sido um grande sucesso. Estava totalmente curada.
Dupla vitória
Depois de me recuperar, decidi realizar meus sonhos. Em 2020, meu incômodo por meu filho não concluir a faculdade me fez agir. Aos 48 anos, resolvi ingressar numa faculdade e, usando minha nota do Enem, consegui uma bolsa e iniciei o curso de administração. Ao contar para o meu filho, ele também escolheu se matricular no mesmo curso; estudávamos em turnos diferentes, presencialmente. Quando a pandemia da Covid-19 aconteceu, as aulas migraram do formato presencial para o modelo on-line ao vivo.
No retorno presencial, a surpresa: mãe e filho estudando na mesma turma e trabalhando juntos na mesma empresa. Algo inesperado antes da doença. Quanta gratidão!
União familiar
Nós nos unimos ainda mais. O restaurante onde trabalhávamos ficou fechado por seis meses. Fomos obrigados a rescindir o contrato de 79 colaboradores. E a pior parte é que não tínhamos condições para pagar as rescisões. Foi um momento de muita tristeza. Nós nos agarramos ao serviço de delivery e aos poucos fomos pagando pilhas e pilhas de contas. Nesse período de intensa preocupação, cheguei a desenvolver pressão alta, mas adquiri muita experiência profissional. Com base em intenso daimoku, em janeiro deste ano, finalizamos os acordos.
No último check-up, a cardiologista diminuiu a dosagem do remédio da pressão. Na faculdade, meu filho e eu sempre fomos referência nos trabalhos em grupos. Em 2023, concluímos com êxito nossa graduação, e nossa formatura ocorreu em fevereiro de 2024. Que dia inesquecível! Estava duplamente feliz!
2025 de pura gratidão
Em abril, integrei o curso de aprimoramento (kenshukai) no Japão. Comprovando a força da oração e da determinação, renovei o juramento de continuar contribuindo para felicidade das pessoas.

Reprodução/Foto-RN176 Claudineia feliz ao conhecer o Centro Internacional das Mulheres, no Japão, após a dura batalha contra o câncer. Fotos: Arquivo pessoal | Colaboração local
Em Brasília, estamos sempre unidos. Faço uma luta de gratidão, compartilhando este maravilhoso budismo que nos ensina a enxergar o jardim da felicidade que merecemos, mesmo diante do sofrimento. Agradeço à minha amada família, esteio da minha vida. Minhas irmãs são todas atuantes em sua respectiva localidade. Meu irmão é falecido, mas seus filhos e netos seguem firmes. Em nome de todos, nós nos orgulhamos de fazer parte da história da BSGI, que completa 65 anos neste mês.
Gratidão eterna a Ikeda sensei, que desbravou o mundo para plantar a semente da esperança no coração das pessoas. Contem com a família Miura cada vez mais!
Claudineia Hitomi Miura, 54 anos. Gerente administrativo operacional. Na BSGI, é vice-responsável pela Divisão Feminina da Sub. Distrito Federal, CRE Oeste.
Nota:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 560, 2020.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










