Momentos inesquecíveis: volume 30-II (parte 2)

ROTANEWS176 01/11/2025 13:20          

APRENDER COM NOVA REVOLUÇÃO HUMANA

Por Dr. Daisaku Ikeda

Reprodução/Foto-RN176 Foto de ilustração para matéria de  Ilustração: Kenichiro Uchida

Agora é o momento mais importante da minha vida

Olhando para o século 21 que se aproximava, Shin’ichi dedicou todos os esforços para abrir um caminho de paz. No final de janeiro de 1993, partiu para uma viagem visitando países da América do Norte e do Sul, a fim de expandir a solidariedade em prol da paz baseada no diálogo


No campus de Los Angeles da Universidade Soka, Shin’ichi se encontrou com Rosa Parks, conhecida como a “mãe do movimento pelos direitos civis americanos”.

Em 1955, Rosa Parks, uma americana de origem africana, protestou contra a política discriminatória de assentos dos ônibus [em Montgomery, Alabama] com um ato de desafio deliberado. Sua ação desencadeou o famoso boicote aos ônibus de Montgomery que levou ao fim da segregação racial.

Louvando sua luta pelos direitos humanos, Shin’ichi recebeu a Sra. Parks junto com um grupo de jovens, saudando-a com as palavras de boas-vindas:

— Seja bem-vinda, “mãe do mundo” e “tesouro da humanidade”!

Os presentes celebraram também o aniversário de 80 anos da Sra. Parks com um bolo que a esposa de Shin’ichi, Mineko, havia providenciado.

No diálogo com Shin’ichi, em que reverberava o amor humano de coração a coração, ela se referiu à publicação do livro Talking Pictures1 [Fotografias que Falam] que pretendia apresentar fotos de personalidades notáveis que mais influenciaram sua vida. Ela compartilhou que foi indicada como uma dessas pessoas e disse:

— Estava pensando em escolher uma foto da época do movimento de boicote aos ônibus, mas mudei de ideia. Creio que esse encontro com o presidente Yamamoto se tornará o evento de maior influência em minha vida. Meu desejo é partir junto com o presidente na jornada rumo à paz mundial. Se concordar, gostaria de publicar uma foto do nosso encontro de hoje no livro.

Shin’ichi Yamamoto sentiu-se profundamente grato pela solicitação de Rosa Parks de que desejava publicar a foto do diálogo com ele no livro. (…)

Algum tempo depois, lhe foi entregue um exemplar do livro de fotos. Conforme as palavras dela, havia sido publicada a foto em que eles trocavam cumprimentos durante o encontro em Los Angeles. Na foto, brilhava o belo e gentil sorriso da “mãe do movimento pelos direitos humanos”, com um breve comentário:

“Essa fotografia é sobre o futuro. Não consigo imaginar nenhum outro momento tão importante como esse em toda a minha vida”.2 Ela também disse que, apesar das diferentes origens culturais, as pessoas podem se unir, e que considerou seu encontro com Shin’ichi uma nova oportunidade de se empenhar pela paz mundial.

(Capítulo “Juramento Seigan”)

Eu esperei por este encontro por 94 anos

Em 9 de fevereiro de 1993, Shin’ichi partiu de avião da Colômbia em direção ao Rio de Janeiro, no Brasil.

No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, um senhor de idade avançada aguardava a sua chegada [de Shin’ichi] por duas horas.

Com espessos cabelos brancos, o rosto estava marcado com rugas que retratavam sua jornada de corajosas lutas. Devido à idade avançada, seus passos eram cambaleantes, mas sua aparência resoluta desmentia seus 94 anos; ele lembrava um destemido leão. Era Austregésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição que representa um importante bastião do pensamento e do intelecto latino-americano e uma das instituições que havia convidado Shin’ichi para uma visita ao Brasil. (…)

O presidente Athayde tomou conhecimento de Shin’ichi por intermédio de um amigo que morava na Europa. Ao ler suas obras e dialogando com membros da Associação Brasil SGI (BSGI), ele desenvolveu um forte interesse e concordância com os pensamentos e as ações do presidente Yamamoto, e desejava ardentemente encontrá-lo.

No aeroporto, o presidente Athayde esperava ansiosamente pela chegada de Shin’ichi. Preocupado com sua saúde, um líder da SGI recomendou que ele se sentasse e descansasse. Porém, Athayde simplesmente disse:

— Eu esperei por esse encontro com o presidente Yamamoto por 94 anos. Portanto, uma ou duas horas a mais não é nada.

Shin’ichi Yamamoto desembarcou no aeroporto do Rio de Janeiro às 21 horas do dia 9 de fevereiro. A comitiva foi recebida com calorosos sorrisos de Austregésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras.

Nascido em 1898, Athayde era contemporâneo do mestre de Shin’ichi, Josei Toda, que nasceu em 1900. Para Shin’ichi, Athayde lembrava o professor Josei Toda, e ele sentiu como se seu mestre estivesse ali para recebê-lo.

Após a saudação, Athayde e Shin’ichi envolveram-se num cordial abraço.

— O senhor, presidente Yamamoto, é uma figura definidora deste século. Vamos juntar forças e mudar a história da humanidade!

Shin’ichi recebeu humildemente as palavras tão elogiosas de Athayde. E sentiu que expressavam o ardente desejo e a expectativa para a proteção dos direitos humanos rumo ao futuro. Shin’ichi respondeu, então:

— O senhor é meu companheiro! É meu amigo! O senhor é o tesouro do mundo.

As barreiras da discriminação cresciam em todo o mundo. Os direitos humanos estavam sendo violados pelo autoritarismo, pelo poder econômico e pela violência. Para tornar realidade o espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a humanidade tinha um longo e árduo caminho pela frente. Sem dúvida, Athayde estava em busca de pessoas a herdar o bastão desse empreendimento.

(Capítulo “Juramento Seigan”)

Assista:

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(Traduzido da edição de 14 de julho de 2021 do Seikyo Shimbun, jornal diário da Soka Gakkai.)

Notas:

1. HEIFERMAN, Marvin; KISMARIC, Carole. Talking Pictures: People Speak About the Photographs That Speak to Them [Fotografias que Falam: Pessoas Falam sobre Fotografias que lhes Falam]. São Francisco: Chronicle Books, 1994.

2. Ibidem.

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS