“Não tenha medo”

ROTANEWS176 E POR JORNAL BRASIL SEIKYO  03/04/2021 06:01

CADERNO NOVA REVOLUÇÃO HUMANA

Capítulo “Grande Montanha”, volume 30

 

PARTE 9

Pelo fato de Genji Samejima ser vice-presidente da Soka Gakkai, o ataque foi direcionado ao presidente Shin’ichi Yamamoto. Os clérigos alardeavam: “Como está claro nas declarações de Samejima, a Soka Gakkai e o presidente Yamamoto não se arrependeram de nada”; “Não tinham nenhum sentimento sincero de proteger o clero!”.

Com isso, os esforços acumulados pela Soka Gakkai no árduo empenho e na sincera dedicação para a solução do problema foram todos em vão.

Shin’ichi ocupava a posição de coordenador-geral da Associação Hokkeko de Adeptos Leigos da Nichiren Shoshu. Porém, no clero já surgiam vozes que recomendavam a renúncia dele dessa função. Havia também sacerdotes que lhe enviavam cartas de protesto.

Além disso, no final de março, a Associação Hokkeko realizou uma reunião extraordinária da diretoria, na qual decidiram sugerir a renúncia de Shin’ichi do posto de coordenador-geral, submetendo-lhe uma “carta de recomendação”.

Aqueles que se afastaram da Soka Gakkai e se tornaram adeptos diretos do templo passaram a fazer um grande estardalhaço dizendo: “O presidente Yamamoto deve assumir a responsabilidade e renunciar”.

As flores de cerejeira em esplendor balançavam com as brisas primaveris.

O dia 2 de abril era a data de falecimento do segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda. Nesse dia, em que se completavam 21 anos de sua morte, foram realizadas reuniões de gongyo em sua memória na sede da Soka Gakkai e nas sedes centrais das províncias e regiões metropolitanas.

Shin’ichi Yamamoto conduziu o gongyo em memória do presidente Josei Toda no prédio anexo da sede da Soka Gakkai em Shinanomachi, Tóquio, junto com o diretor-geral Kiyoshi Jujo, o vice-presidente Eisuke Akizuki e pessoas próximas de Josei Toda. Foi uma cerimônia em memória do venerado mestre que se realizou em meio a um clima turbulento.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustrativo –  Editora Brasil Seikyo – BSGI

Porém, no coração de Shin’ichi, que veio concretizando todos os planos de Josei Toda, um céu azul e límpido se estendia. Não havia uma única nuvem que desabonasse seu passado e suas ações como discípulo. O verdadeiro discípulo é aquele que consegue manter sempre um encontro radiante frente a frente com o mestre que está em seu coração.

Do ciclo de “Sete Sinos” estabelecido pelo venerado mestre, o “sétimo sino” estava enfim prestes a concluir seu badalar. A grande correnteza do kosen-rufu começava a desaguar no majestoso oceano do mundo. Com a construção do sólido alicerce da Soka Gakkai que alçava voo rumo ao século 21, iniciava-se agora uma nova etapa.

Shin’ichi Yamamoto dizia fortemente para si mesmo que era necessário estar preparado para o fato de que, quanto maior o avanço do kosen-rufu, mais intensas se tornariam as manobras da maldade.

PARTE 10

Durante a recitação do daimoku em memória de Josei Toda, o venerado mestre fitando-o surgiu nitidamente ao cerrar levemente os olhos.

Em seus ouvidos ecoava a voz do seu mestre: “Shin’ichi, conto com você! O kosen-rufu do mundo. Não tenha medo! Avance imponentemente pelo grande caminho da missão!”.

A coragem fluiu em seu coração. Sentiu a força efervescer por todo o seu corpo ao refletir: “Eu sou discípulo de Toda sensei! Sou o filho do rei leão que se levanta só em prol do kosen-rufu! Aconteça o que acontecer, transmitirei corretamente o Budismo de Daishonin e o espírito da Soka Gakkai! Lutarei para proteger os membros que são os nobres filhos do Buda!”.

Ao retornar para sua casa após concluir o gongyo em memória de Josei Toda, ele ponderou a respeito da problemática com o clero.

A Soka Gakkai protegeu ao máximo o clero da Nichiren Shoshu, proporcionando-lhe uma grande prosperidade. E visando o kosen-rufu, a Soka Gakkai veio destinando grandiosos esforços para desenvolver o budismo amplamente na sociedade. No entanto, aproveitando-se, por exemplo, de palavras colocadas em determinados contextos em meio a essa luta, os clérigos desdenham e continuam a atacar os membros dizendo que estão distorcendo a doutrina e que são heréticos. Nesse aspecto do clero, não havia a mínima compaixão.

Nossos companheiros vieram suportando pacientemente contendo as lágrimas de ira e de indignação a essa tirania e opressão. Ao pensar nisso, Shin’ichi não conseguia se conter.

A Soka Gakkai envidou todos os esforços para resolver a situação, buscando a harmonia entre clérigos e adeptos, e para proteger os membros. Também aceitou diversas alegações do clero referentes à conduta da Soka Gakkai. Mesmo assim, continuaram a repetir insistentemente os ataques contra a organização.

No clero da Nichiren Shoshu estava fortemente enraizado o pensamento de superioridade dos sacerdotes sobre os adeptos leigos oriundo da tradição histórica do antigo sistema de paróquias adotado por templos budistas no Japão.

Mas esse pensamento se opõe ao espírito de Daishonin, fundador do budismo.

Nos escritos de Nichiren Daishonin consta: “Todos os discípulos e seguidores leigos de Nichiren devem recitar Nam-myoho-renge-kyo com o espírito de diferentes em corpo, unos em mente, transcendendo todas as diferenças que possam haver entre si”.1 Assim, o ensinamento de Daishonin afirma que tanto os sacerdotes como os adeptos leigos são, originalmente, todos iguais.

O Budismo de Nichiren Daishonin prega o princípio da igualdade de todas as pessoas que rompe as paredes da discriminação entre os indivíduos.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Fonte:

  1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 226.