O que tem por trás do “Lula Ladrão”
ROTANEWS176 04/08/2026 14:30
Por Menon

Reprodução/Foto-RN176 O que tem por trás do “Lula Ladrão”
Lula, sempre Lula.
Meu amigo jornalista Luís Antonio Prósperi é de Guaxupé. Na verdade, Guaxupé é dele. Já existe até proposta de se construir uma estátua para o Homem de Dez Copas. Sujeito calmo e afável, até a página três ou quatro. Até que lhe pisem o calo. Em 1982, o calo foi pisado.
Estava Luís na Teodoro Sampaio esperando um táxi para ir até o Limão, na sede do Jornal da Tarde. Corrida tranquila até que o motorista, sem que nada lhe fosse perguntado, disse que aquele barbudo grevista tinha um apartamento no Morumbi. Era o Lula, pois não. Sem levantar a voz, Prósperi disse me leva até lá. Lá, onde, perguntou o motorista. Lá no apartamento do Lula, no Morumbi, quero ver e a voz já não era tão baixa. Não houve resposta e chegou o desafio: me leva até lá que pago a corrida em dobro.
Não houve mais corrida. Luís mandou o táxi parar e desceu. Esperou por um outro.
E por que o motorista não levou meu amigo para ver o apartamento que o sindicalista barbudo havia comprado no Morumbi? Porque nunca houve apartamento no Morumbi. Como nunca houve motivo concreto para que se cristalizasse esta percepção de Lula é ladrão, tão querida e repetida pela extrema-direita e propagada por gente pobre e explorada pelos extremistas.
Nunca houve apartamento. Nunca houve uma conta no Exterior. Nunca houve sinais de riqueza injustificada. Siga o dinheiro, é o mote utilizado por policiais e jornalistas investigativos, quando há suspeita de rapinagem. E já houve alguém mais investigado do que Luís Inácio? No Brasil, fora do Brasil, sua vida foi esmiuçada. E nada acharam. Um juiz iletrado lá do Paraná achou o que não havia. E condenou Lula pela tal história do triplex que nunca foi dele.
Então, se não há prova de nada, se não há indício de nada, porque se acredita que Lula é ladrão. Fácil. Porque o brasileiro médio, personificado na figura do tio do pavê, não gosta de pobre. E gosta menos ainda de pobre que subiu na vida. Gosta de pobre que fica na miséria para que ele possa dar uma esmola de vez em quando. Ele é contra politicas institucionais que diminuam a pobreza, que levem dignidade onde há tristeza, o máximo que ele aceita é que se dê um prato de comida de vez em quando. Desde que não seja por meio do Padre Júlio Lancelotti, aquele comunista.
Um sujeito como Lula, exemplo vivo da Jornada do Herói, é um cabra marcado para morrer. Até há alguns anos, marcado para morrer moralmente, levando fama de ladrão, hoje, se bobear, marcado para morrer literalmente. Um fazendeiro fez um vídeo dizendo que o neto do peão não quer mais ser peão, como o pai ou o avô. Quer estudar. E que está difícil contratar peões para a fazendo. Um desqualificado destes, contrário a qualquer projeto de ascensão social, uma pessoa que ainda não aceitou o fim da escravidão, culpa a quem por esta situação? Lula, é claro. Se tiver oportunidade de eliminá-lo, não pensará duas vezes.
Lula não é só ladrão, para eles. Também é burro, ignorante, sempre houve piadas neste sentido. E quem chama Lula de ignorante, nunca leu um livro, não escuta música, não vai ao cinema. Mas o ignorante é o outro, o cara que aprendeu com a vida, que foi recebido e saudado por presidentes e reis…
Ah, a inveja que Sérgio Moro tem de Lula. Rico, estudado e não sabe falar cônjuge. E não sabe falar reverbera. É um tal de conje e rebervera, que fazem Camões sofrer.
Há ainda a gente ruim. Aí, não é questão nem de ideologia, é maldade mesmo. É o caso do Deltan, que se referia a Lula, em seus escritos, como o Nine, alusão ao dedo que o Presidente perdeu quando era metalúrgico.
Quem se refere a uma pessoa por seu problema físico, na verdade é portadora de um aleijão moral.
Em outubro, a caravana vai passar e os cães continuarão a latir. Ou, como diria, Mário Quintana, eles passarão e Lula, passarinho.
FONTE: REVISTA FÓRUM



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