ROTANEWS176 15/01/2026 03:02
Por Mario Yaír T. S.
Um homem morreu de leucemia, supostamente depois que um disco voador disparou um feixe de luz verde que o atingiu.

Reprodução/Foto-RN176 Crédito da imagem ilustrativaÇ Mário Yaír T.S.
Como historiador amador e popularizador da cultura, confesso que uma prática ruim que tenho é dar informações sem fontes, citações ou qualquer pista sobre quem disse o quê. A falta dessa informação vital mina a credibilidade das histórias que resgatamos. Eles se reproduzem impunemente, sim, mas nosso trabalho é, além de disseminar, orientar o leitor que quer se aprofundar no assunto. Isso acontece com este caso reproduzido em várias mídias quase como uma cópia exata palavra por palavra do livro de Iker Jiménez de 2003 “Luzes da Morte“. Parafraseio a história, ela é assim:
Em 13 de agosto de 1967, na fazenda de Santa Maria, em Crixás, Goiás – Brasil, Inácio de Souza e sua esposa María estavam voltando para casa quando viram na pista de pouso de aviões da fazenda, um objeto em forma de placa invertida, estacionado na pista.
Perto dele, três silhuetas humanoides que saltavam como crianças, correram em direção ao casal quando perceberam sua presença. (A “revista 2001” de maio de 1969 fornece dados físicos: eles não tinham cabelo e usavam roupas amarelas pálidas.) Inácio, que carregava um rifle Winchester 44, disparou contra uma das silhuetas e, naquele momento, um raio de luz verde atingiu seu peito no lado esquerdo. Quase imediatamente os humanoides embarcaram na nave e partiram verticalmente, desaparecendo para sempre.
Com o passar dos dias, Inácio piorou na saúde, então ele foi levado para um hospital. Lá ele mostrou a queimadura no peito. Os médicos o diagnosticaram com leucemia radioativa. Para o desgosto da família, Inácio de Souza morreu 59 dias depois daquele tiro verde.
Por que se o incidente de Crixás é tão impressionante, não tem a fama de outros casos ou todos os textos levam à mesma narrativa? É porque faltam os dados mais relevantes de todos: quem disse isso primeiro? Vamos completar a narrativa:
A.S.M. era o dono da fazenda Santa María, um homem com altas conexões comerciais, razão pela qual seu nome estava escondido apenas em siglas. (O catálogo da URECAT de Patrick Gross, que faz uma extensa compilação de artigos no caso, afirma que ele era o então presidente do Banco do Brasil, Ibiracy de Moraes). Ele teria chegado três dias após o incidente, encontrando seu trabalhador convalescendo. Quando A.S.M. lhe perguntou o que estava acontecendo, Inácio disse: “Chefe, matei um homem!“
A.S.M. ouviu a história de Inácio. Ninguém ainda suspeitava de alienígenas, Inácio acreditava que eram pessoas de São Paulo que voltariam a sequestrar sua família pelo assassinato. Maria confirmou que, após o evento, Inácio começou com náuseas, dormência e mãos trêmulas, mas quando tudo aconteceu, ela estava escondida na cozinha porque, ao ver os homens, ela fugiu. A.S.M. procurou na pista vestígios de sangue, pouso ou qualquer outro detalhe. Sem sucesso, o próximo passo foi transferir seu capataz para a cidade de Goiânia para um check-up médico.
Pesquisas subsequentes, baseadas no testemunho de A.S.M., dizem que o médico confirmou uma queimadura circular de 15 cm de diâmetro no lado esquerdo do tronco quase até o ombro. Ele foi prescrito pomada para dermatite e queimaduras. Diante do mau diagnóstico, A.S.M. decide revelar os fatos ao médico e é aí que o médico e empresário o questionam sobre a forma da nave onde as pessoas entraram. Inácio diz que era um avião circular que fazia o som das abelhas.
O empresário e o médico suspeitam que tenha sido um encontro alienígena. Inácio é internado no hospital para um exame completo e, após quatro dias de exames, revela-se leucemia terminal. O médico pediu anonimato à A.S.M. e nunca mais entrou em contato com ele.
Pouco antes de Inácio morrer, em 11 de outubro de 1967, A.S.M. foi a Porto Alegre para entrar em contato com o Grupo Gaúcho de Pesquisa de Objetos Aéreos Identificados (GGIOANI). O famoso ovniólogo Felipe Machado Carrion tomou o testemunho de ambos. Quando ele morreu, Inácio pediu à esposa que queimasse as roupas que ele usava naquele dia e a cama onde ele estava convalescido. O primeiro artigo conhecido aparece na revista Flying Saucer Review, escrita pelo ovniólogo brasileiro Nigel Rimes em 1969.
O problema está no artigo que põe fim ao caso: O Boletim Especial da Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores, publicado em 1975 no Rio de Janeiro. A sociedade coletou e analisou 50 casos surpreendentes ocorridos em território brasileiro. O boletim mostra o Caso Crixás, mas não tão relevante, mas como “Material Excluído”.
As razões que a sociedade dá? Foi um caso mal investigado. Quem o investigou não entrou em contato com o médico, não questionou o restante da família, não questionou A.S.M. e não fez os exames de sangue. A Sociedade menciona que os técnicos da SIOANI liderados por Gilberto Zani constataram que Inácio “estava leucêmico antes do evento”.
Dado que o colunista que publicou o evento não fez nenhuma pesquisa, e que os investigadores da FAB não publicaram detalhes de sua investigação, como data, local e nomes das pessoas envolvidas, fica evidente que nada foi feito no sentido de uma investigação séria neste caso. Disseminar qualquer um faz, investigar é o difícil.
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