ROTANEWS176 07/12/2025 23:11
Por Josep Guijarro
Tucker Carlson afirma que a tecnologia nuclear foi entregue aos EUA por forças não humanas, reabrindo a ligação entre OVNIs, espiritualidade e poder político.

Reprodução/Foto-RN176 Crédito da imagem ilustrativa: n3m3/leonardo.ai
“A tecnologia nuclear não foi desenvolvida por cientistas humanos, mas sim entregue ao governo dos Estados Unidos por ‘forças demoníacas’.”
Essa é a manchete deixada pelo comentarista Tucker Carlson, uma das vozes mais influentes no cenário midiático americano, durante um episódio do podcast War Room, apresentado pelo igualmente influente Steve Bannon, na véspera das eleições para a Casa Branca.
Ele acrescentou:
“Não conheço ninguém que consiga precisar o momento exato em que a tecnologia nuclear se tornou pública.”
Em seguida, perguntou:
“De onde veio? Para mim, é muito claro que não provém de forças humanas… são demoníacas.”
Segundo Carlson, as armas nucleares não são simplesmente uma conquista científica: são “malignas por natureza”, produto de uma criação demoníaca, não de um avanço tecnológico tradicional.
Bannon não refutou sua alegação nem respondeu à sua pergunta. Ele simplesmente disse:
“Tucker, absolutamente inacreditável.”
Além do sensacionalismo, o que chama a atenção é que o ex-apresentador da Fox News não fez essa declaração em algum fórum marginal de teorias da conspiração, mas sim em um espaço com capacidade de influência — um podcast político acompanhado em círculos conservadores, com conexões reais com o poder. Isso confere peso midiático à notícia, mesmo que não seja uma prova verificável.
Uma reviravolta espiritual na narrativa dos OVNIs?
O que é especialmente sugestivo — e aterrador — é que essa afirmação não surge isoladamente e adquire relevância agora por fazer parte de uma tendência crescente em que figuras públicas e alguns membros do establishment americano reinterpretam o fenômeno OVNI não como algo extraterrestre, mas espiritual: demônios e forças angelicais.
Basta lembrar, por exemplo, da intrigante publicação nas redes sociais da Deputada Anna Paulina Luna, na qual ela afirmou que os verdadeiros anjos são como descritos na Bíblia: criaturas com múltiplas asas e rodas entrelaçadas cobertas de olhos. Sua crença se encaixa no crescente ecossistema de políticos, assessores e ativistas envolvidos na desclassificação dos OVNIs, que enxergam nesse fenômeno não apenas uma dimensão tecnológica, mas também uma espiritual, como pode ser visto no documentário The Age of Disclosure. Até mesmo o Vice-Presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou publicamente que não tinha certeza se os OVNIs e extraterrestres são realmente seres de outro planeta… ou algo muito mais sobrenatural, talvez anjos ou demônios.
Para muitos, essa metamorfose narrativa não é coincidência. O fenômeno OVNI, por décadas associado à ficção científica e a possíveis civilizações extraterrestres, retorna repentinamente a um reino transcendental: o das forças sobrenaturais, a guerra entre o bem e o mal.
Será coincidência que essa mudança coincida com momentos de crise geopolítica, medo existencial e rearme nuclear? Será que ela devolve à religião o que a ideia de “extraterrestres” havia secularizado?
Essas não são perguntas retóricas; elas revelam uma cisão simbólica e ideológica onde conspiração, crença e poder se fundem. A intensa atenção pública dada aos OVNIs significa que cada nova anomalia no céu é examinada não apenas por cientistas, mas também por aqueles que buscam confirmar suas crenças — um fenômeno que vimos se manifestar com o objeto interestelar 3I/ATLAS.
É isso que leva o jornalista do New York Post, Steven Greenstreet, a acreditar que uma nova e estranha fé está se espalhando silenciosamente pelos corredores do poder americano, uma crença baseada em extraterrestres.
As contradições
De um ponto de vista racional, as afirmações de Carlson são difíceis de defender. A história da energia nuclear está bem documentada: descobertas cumulativas, avanços científicos graduais e evidências claras de datas, nomes e processos. É completamente diferente o fato de OVNIs terem sido observados perto de usinas nucleares ou até mesmo terem desativado mísseis, como no conhecido incidente de Malmstrom, em 1967.
Dizer que a tecnologia veio de demônios equivale a dizer que deveria haver um ponto zero: um momento em que a humanidade passou de não ter a menor ideia a dominar o átomo graças a uma transferência espiritual ou sobrenatural. O próprio Carlson reconhece que não há nome, data ou cientista que corrobore essa afirmação.
E, no entanto… isso não impede que a versão dele ganhe força. Porque o fenômeno não busca convencer com evidências. Ele busca ressoar com um imaginário coletivo: o do proibido, do oculto, do ancestral. E aí, o horror nuclear se reinventa como horror espiritual.
OVNIs, demonologia e política
Para aqueles de nós que acompanhamos as reviravoltas do fenômeno OVNI, essa mudança na narrativa tem diversas implicações perturbadoras.
Primeiro: demonstra que a ovnilogia nem sempre busca “explicações racionais baseadas na ciência”, mas pode ser reabsorvida por crenças espirituais, transformando OVNIs em anjos ou demônios.
Segundo: legitima uma narrativa diferente de poder — e de medo. Se o nuclear, o desconhecido, o anômalo provêm de forças mais antigas que a ciência, então o debate sobre regulamentação, ética, armas ou divulgação é relegado a um plano religioso.
E em terceiro lugar: abre uma brecha simbólica — e urgente — na narrativa contemporânea: a fronteira entre o paranormal, o conspiratório e o real torna-se difusa. Como podemos distinguir entre testemunho, crença e manipulação? Que credibilidade merecem aqueles que afirmam conhecer a “verdade espiritual”?

Reprodução/Foto-RN176 Tucker Carlson em um momento no podcast de Steve Bannon
Se aceitarmos que o governo dos EUA pode ter “feito um pacto com demônios” para obter tecnologia nuclear… que outras verdades essas forças poderiam estar escondendo? Não estaríamos testemunhando uma reformulação moderna de medos ancestrais — guerra, armas atômicas — disfarçados de revelação espiritual?
O contexto político é o que adiciona mais uma camada de desconforto. Na última eleição, Donald Trump reconquistou a Casa Branca, em grande parte graças ao voto dos ultracatólicos e evangélicos, um bloco que interpreta a realidade através de uma estrutura espiritual rígida e vê o mundo como um campo de batalha entre o bem e o mal. Essa narrativa demonológica ressoa com esse eleitorado?
As declarações de Carlson parecem ter sido elaboradas para atrair precisamente esse público, para restaurar à Igreja — ou ao imaginário religioso tradicional — uma proeminência que o fenômeno OVNI havia corroído durante décadas de cientificismo. Se os “extraterrestres” são, de fato, anjos caídos, então o mistério retorna ao terreno familiar do catecismo, a cultura da guerra espiritual é reforçada e o eleitor religioso recupera o controle interpretativo do fenômeno. Essa guinada para o sobrenatural é uma convicção sincera ou uma estratégia retórica para unificar um eleitorado que precisa se sentir parte de uma batalha cósmica? Nos Estados Unidos, às vezes as duas coisas parecem indistinguíveis.
Talvez, no fim das contas, o que seja realmente perturbador não seja se Carlson acredita ou não em demônios, mas sim o fato de um setor influente do discurso político americano estar disposto a reinterpretar a história — inclusive a história nuclear — através de uma lente sobrenatural. Se a tecnologia não é mais produto da engenhosidade humana, mas de pactos obscuros, se os OVNIs são novamente mensageiros de outros reinos e não artefatos físicos, não estaríamos testemunhando o retorno do sagrado ao próprio âmago do poder? Talvez a questão crucial não seja quais pactos o governo fez, mas em quais pactos o cidadão está disposto a acreditar. E, acima de tudo, que vazio essa nova crença extraterrestre pretende preencher?
FONTE: OVNI HOJE










