“Os três tipos de ervas medicinais e os dois tipos de árvores”

ROTANEWS176  24/10/2026  08:30  

HISTÓRIA ILUSTRADAS DIRETO DA REDAÇÃO DA EDITORA BRASIL SEIKYO=EBS

Essa parábola ilustra a igualdade do potencial de todos os seres humanos para manifestar o estado de buda, cada qual de acordo com sua natureza

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico de ilustração da matéria

1. No capítulo “Parábola das Ervas Medicinais”, do Sutra do Lótus, Shakyamuni utiliza uma cena da natureza para transmitir um importante ensinamento sobre a vida humana:

Kashyapa, é como a ampla variedade de plantas e árvores, matas e bosques, e ervas medicinais, cada uma com seu matiz e nome próprio, que crescem nas colinas e nos córregos, nos vales e nos diferentes solos do grande sistema de mundos. Densas nuvens, que se espalham sobre tudo isso e cobrem o grande sistema de mundos em sua totalidade, saturando-o num único instante. A umidade infiltra-se por igual em todas as plantas e árvores, nas matas e nos bosques, e nas ervas medicinais, e nas pequenas raízes, nos pequenos troncos, nos pequenos galhos e nas folhas pequenas, nas raízes médias, nos troncos médios, nos galhos médios, nas folhas médias, nas grandes raízes, nos grandes troncos, nos grandes galhos e nas folhas grandes.

Cada uma das árvores, grandes e pequenas, dependendo se é de natureza superior, média ou inferior, recebe sua porção. A chuva, que cai de um cobertor de nuvem, harmoniza-se com cada espécie e natureza em particular, fazendo-a germinar e maturar, florescer e produzir fruto. Embora todas essas plantas e árvores cresçam na mesma terra e sejam umedecidas pela mesma chuva, cada uma possui suas diferenças e particularidades.1

2. Após apresentar essa imagem, Shakyamuni esclarece que as ervas e árvores simbolizam os diferentes estados de vida e as diversas capacidades das pessoas, enquanto a chuva representa os ensinamentos do Buda. Embora a mesma chuva caia sobre todas as plantas, cada uma delas a absorve de maneira distinta e cresce segundo a própria natureza. Da mesma forma, as pessoas recebem os ensinamentos budistas de acordo com suas circunstâncias e sua condição de vida.

3. A parábola descreve os três tipos de ervas medicinais e os dois tipos de árvores. As ervas inferiores correspondem aos seres nos estados de tranquilidade e alegria. As ervas médias representam aqueles nos estados de erudição e autorrealização. Já as ervas superiores e as árvores, pequenas e grandes, simbolizam os que se encontram no estado de bodisatva e aspiram atingir a iluminação. Como observa Shakyamuni, embora o ensinamento seja um só, a forma de compreendê-lo varia de pessoa para pessoa.

Entretanto, o ponto principal da parábola não está na diferença entre as plantas, mas naquilo que elas compartilham. Essas árvores recebem a mesma chuva e são beneficiadas por ela. Da mesma maneira, independentemente das distinções de personalidade, experiência, capacidade ou ambiente, as pessoas possuem a natureza de buda e podem desenvolvê-la plenamente.

4. Ao comentar essa parábola, Ikeda sensei destaca que ela reafirma os princípios da diversidade e da igualdade. A chuva que cai igualmente sobre todos os indivíduos representa a Lei Mística, enquanto as plantas representam os seres humanos, cada qual com diferentes capacidades de compreensão. Ele explica: “O Sutra do Lótus nutre todas as pessoas sem distinção e possibilita a plena manifestação do seu potencial”.2

Essa é a essência da “parábola dos três tipos de ervas medicinais e dos dois tipos de árvores”. O Buda apresenta diversos ensinamentos para corresponder às necessidades de cada pessoa, mas a finalidade de todos é a mesma: conduzir cada indivíduo à iluminação. Assim como a chuva rega e beneficia as plantas, a Lei alcança os seres humanos, sem exceção, permitindo que cada um deles floresça da maneira mais plena possível.

Fonte: Brasil Seikyo, ed. 1.938, 10 maio 2008, p. A8.

Nota: 1. The Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 134-135. / 2. Cf. Terceira Civilização, ed. 624, ago. 2020, p. 50-65.

FONTE: BRASIL SEIKYO=BS

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