ROTANEWS176 23/10/2025 10:59
Por Julinho Bittencourt

Reprodução/Foto-RN176 Paulinho da Força se diz arrependido de relatar anistia
O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) admitiu estar arrependido de ter assumido a relatoria do projeto da anistia, que trata da punição a envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro. Segundo o parlamentar, o cargo o colocou no centro de pressões políticas e jurídicas conflitantes, sem que ele conseguisse avançar com a proposta.
“Hoje, eu não aceitaria”, disse Paulinho, que assumiu a relatoria em 18 de setembro, acreditando que o trabalho lhe traria prestígio e visibilidade por ajudar a destravar uma pauta que travava o Congresso Nacional.
Impasse e frustração
O deputado afirma que tem o texto pronto “na cabeça” e que um bom jurista levaria 20 minutos para redigir o projeto. Mesmo assim, semana após semana, a entrega é adiada. O motivo, segundo ele, é a falta de consenso entre os caciques políticos e o Judiciário.
O Senado também teria contribuído para o impasse, barrando o avanço da proposta em momentos em que parecia haver uma solução à vista.
Paulinho tentou ouvir todos os lados — reuniu-se com presidentes de partidos, lideranças da esquerda e da direita e até com familiares de presos pelos atos do 8 de Janeiro —, mas não conseguiu construir um acordo.
Críticas e isolamento
Entre os aliados, é perceptível o incômodo do deputado. Parlamentares relatam que Paulinho ficou preso em meio a disputas entre autoridades poderosas, sem força para conciliar os interesses divergentes.
A direita passou a atacá-lo com veemência, especialmente por ele não incluir no texto um dispositivo que livrasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da prisão. Paulinho defende reduzir, mas não extinguir as penas dos condenados, e por isso decidiu rebatizar o projeto: em vez de “PL da Anistia”, prefere chamá-lo de “PL da Dosimetria”.
Na prática, o texto propõe alterações no Código Penal para diminuir o tempo de prisão dos envolvidos. Bolsonaro seria beneficiado indiretamente, com a redução da pena, mas continuaria condenado a mais de 20 anos de prisão.
Pressão bolsonarista
A oposição, contudo, insiste em uma “anistia ampla, geral e irrestrita”, que colocaria em liberdade todos os participantes dos ataques de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente.
Um mês após assumir a relatoria, Paulinho colhe o oposto do prestígio esperado: sofre desgaste político e é alvo de críticas constantes de bolsonaristas, que o acusam de ser “aliado de Alexandre de Moraes”.
FONTE: REVISTA FÓRUM










