Polícia Civil afasta delegados e diretor de cadeia em investigação sobre Milton Leite
ROTANEWS176 18/10/2026 10:03

Reprodução/Foto-RN176 Ex-parlamentar sob investigação em Mogi das Cruzes (Foto: Instagram)© Foto: Instagram
São Paulo — Neste sábado (17/10), a Polícia Civil de São Paulo afastou agentes de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, suspeitos de oferecerem supostas regalias ao ex-vereador Milton Leite, preso na cadeia pública local. Ele é investigado por envolvimento em um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) com empresas de ônibus. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
A SSP comunicou ao Metrópoles que um carcereiro, três delegados e um investigador da Seccional de Polícia Civil de Mogi das Cruzes foram afastados de suas funções. Foram abertos um Inquérito Policial e um Procedimento Correicional Disciplinar, sem descartar novas medidas necessárias.
Conforme a SSP, a Corregedoria Geral da Polícia Civil apoiou a operação do Ministério Público realizada na sexta-feira (16/10) e ordenou inspeções na Cadeia Pública e no 1º Distrito Policial para verificar serviços e rotinas administrativas. A SSP reafirma o compromisso com a transparência e a rigorosa apuração dos fatos.
De acordo com a coluna do jornalista Alfredo Henrique, sete dias antes da operação que revelou suspeitas de regalias a Milton Leite, uma mulher semelhante à delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, teria visitado a unidade onde o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo está preso. Na ocasião, um homem identificado como o político foi levado a uma área restrita.
Na sexta-feira (16/10), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) iniciou a Operação Custódia (In)Fiel para investigar regalias indevidas a Leite, ex-presidente da Câmara Municipal. Ele nega as acusações.
A SSP informou que a Corregedoria Geral apoiou a investigação do MPSP e ordenou inspeções para verificar serviços e rotinas administrativas na Cadeia Pública e no 1° Distrito Policial de Mogi das Cruzes. Caso irregularidades sejam confirmadas, medidas cabíveis serão adotadas.
A defesa de Milton Leite negou qualquer favorecimento. “Milton não recebe nem recebeu regalias na unidade onde está detido. Ele segue as mesmas regras dos demais custodiados”, diz a nota.
A reportagem procurou novamente a defesa de Milton Leite após o afastamento dos policiais, mas não houve resposta. O espaço permanece aberto.
Na sexta-feira (16/10), o GAECO do MPSP deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel para investigar supostas regalias a presos na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde Milton Leite está detido. A investigação começou após uma denúncia anônima sobre visitas fora dos horários autorizados.
Um carcereiro suspeito de facilitar regalias a Milton Leite teve R$ 155 mil e US$ 10 mil apreendidos. Entre os políticos que teriam visitado Leite sem autorização estão Valdemar Costa Neto, Delegado Olim e Rogério Franco.
Os advogados de Milton Leite afirmaram que as denúncias devem ser apuradas com cautela e que ele está à disposição para colaborar.
Milton Leite teve sua prisão preventiva prorrogada por 30 dias. Preso desde 18 de setembro, ele é suspeito de envolvimento no esquema de infiltração do PCC no transporte público de São Paulo. Ele se entregou à polícia após não ser encontrado em casa.
Ele declarou ser inocente e confiar na Justiça. “Eu não cometi crime algum e acredito na justiça”, disse na delegacia.
Milton Leite foi preso em setembro durante a Operação Vectura Corrupta, que investigava a infiltração do PCC no transporte público do estado. A operação foi um desdobramento da Operação Decúrio, de agosto de 2024, que identificou comunicações entre membros do PCC.
A investigação revelou a contaminação de empresas de transporte pelo crime organizado. Em São Paulo, 12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam controladas pelo PCC. A infiltração ocorria por meio de empresas de fachada, direcionamento de licitações e lavagem de dinheiro.
Os criminosos usavam sócios formais como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários. A investigação também aponta um núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”, composto por advogados e operadores que intermediavam negociações contratuais e gerenciavam repasses de comissões.
“Os elementos indicam que a atuação investigada vai além do tráfico de drogas, abrangendo a utilização de empresas de transporte, contratos públicos e articulações políticas em benefício do PCC”, afirma o documento.
FONTE: BOSSANEWS BRASIL



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