ROTANEWS176 30/08/2025 07:05
NOVA REVOLUÇÃO HUMANA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL SEIKYO SHIMBUN = JSS
Dr. Daisaku Ikeda
Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de uma vila de Ilustrações: Kenichiro Uchida
Parte 61
O escritor Hidehiko Ushijima, professor da Faculdade Feminina Tokai (atual Universidade Tokai Gakuin), no Japão, que mantinha contato com membros da SGI-Estados Unidos, afirma:
Cultura e religião são inseparáveis e ao mesmo tempo distintas. Não são sinônimas. Já cultura e a arte estão profundamente enraizadas na sociedade, transcendendo os limites de qualquer religião e, em conjunto, absorvem, separam-se e se fundem com outras culturas ao longo da história. Assim, elas moldam a forma como as pessoas vivem. Como tal, condenar a sinfonia Coral da Nona Sinfonia de Beethoven (a qual considero um hino a toda a humanidade, independentemente das religiões) como herética e rejeitá-la equivale a rejeitar a cultura mundial e o modo de vida das pessoas.
É fácil se fechar e ser dogmático. No entanto, a Nichiren Shoshu precisa reconhecer que, ao fazer isso, os sacerdotes não apenas deixam de cumprir o testamento de Nichiren Daishonin de propagar seus ensinamentos para o mundo, mas obstruem esse caminho.1
A religião que cai no dogmatismo e julga a arte e a cultura com base em sua própria justificativa deixa de existir em benefício do ser humano e passa a agir em prol de si mesma.
Os membros da Soka Gakkai sentiam profundamente a necessidade de se criar uma nova era do renascimento em que o principal foco da religião fosse o ser humano.
Além disso, os líderes centrais da organização estavam sofrendo com o mau comportamento do clero da Nichiren Shoshu. Os membros de todo o país também manifestavam, em número cada vez maior, consternação e perplexidade perante as palavras e as ações insolentes dos sacerdotes, bem como de seus comportamentos de luxúria e estilo de vida extravagante. A Soka Gakkai relatava esses fatos à liderança da Nichiren Shoshu com a preocupação de que a continuidade dessa situação poderia levar à degeneração irreversível do clero.
Nichiren Daishonin se refere ao sacerdote que não propaga os ensinamentos (shakubuku) e simplesmente passa “O tempo todo no ócio e na conversa fútil”2 como “Essa pessoa não passa de um animal vestido com manto clerical”.3
Desde os primórdios da Soka Gakkai, já se observavam sacerdo-tes da Nichiren Shoshu que haviam perdido o espírito de se empenhar pelo kosen-rufu e de forma arrogante brandiam sua autoridade clerical. É por essa razão que, com frequência, o segundo presidente da organização, Josei Toda, advertia rigorosamente os clérigos com base em sua sincera fé e preocupação com eles: “Não se permitem aos clérigos obcecados pela honra e posição social que adulam os ricos serem arrogantes com os praticantes”.4
Parte 62
Para promover o avanço do kosen-rufu mundial — o testamento de Nichiren Daishonin —, a Soka Gakkai não podia deixar de se manifestar com franqueza ao corrigir os erros da Nichiren Shoshu, mesmo que isso provocasse reações adversas.
No dia 3 de janeiro de 1991, foi realizado um Conselho Nacional de Coordenadores de Província e nele foram comunicados os problemas do clero. O presidente Eisuke Akizuki discorreu sobre os requisitos apresentados pela Soka Gakkai ao clero para realizar o desejo de Daishonin, consolidando as bases do movimento pelo kosen-rufu adequado a uma religião mundial na liderança do século 21.
Os pedidos foram três: 1) tornar-se um clero aberto ao mundo, capaz de corresponder aos valores da igualdade e da democracia da atualidade; 2) descartar, em concordância com o espírito original do Budismo de Nichiren Daishonin, a tendência autoritária e de desprezo aos adeptos leigos; 3) advertir a corrupção dos clérigos e estabelecer um ambiente de integridade marcado pela “rara cobiça e sábio sustento” dos sacerdotes.
Shin’ichi Yamamoto recitou gongyo junto com os participantes da reunião e dirigiu suas palavras de cumprimento:
— Com profunda consciência de pessoas de missão e de convicção, façam de 1991 um ano maravilhoso! Com a forte determinação de “pelo kosen-rufu mundial, haja o que houver devo proteger a Soka Gakkai da ordem e do desejo do Buda”, Shin’ichi dedicou-se arduamente ao incentivo aos membros desde o início do ano denominado “Ano da Paz e da Expansão”.
No dia 26 de janeiro, ele publicou a Proposta de Paz comemorativa do 16o Dia da SGI.
Em agosto do ano anterior (1990), a invasão do Kuwait pelo Iraque havia desencadeado a Guerra do Golfo. E em janeiro, uma força multinacional liderada pelos Estados Unidos se engajou às tropas do Iraque. Em sua Proposta de Paz, Shin’ichi clama pelo mais breve término do conflito e pela realização de uma conferência de paz no Oriente Médio sob a liderança das Nações Unidas.
No dia seguinte, 27 de janeiro, ele partiu do Japão para Hong Kong e Macau, e em 31 de janeiro, participou da Convenção da Conferência Asiática da SGI no Centro Cultural de Hong Kong com cerca de 1.500 representantes de catorze países e territórios da Ásia e de outras partes do mundo.
Nessa reunião, foi adotado um “apelo urgente” clamando pela mais breve solução para a Guerra do Golfo. O apelo, com base no forte desejo pela paz o mais rápido possível, com esforços liderados pelas Nações Unidas, visava a retirada das tropas iraquianas do Kuwait, a implementação de medidas para prevenir a ocorrência de novas hostilidades, a realização de uma conferência internacional sobre a paz no Oriente Médio e a convocação de uma sessão emergencial do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
As chamas da fé dão origem ao ardente esforço pela paz.
Parte 63
Depois da visita a Hong Kong, Shin’ichi Yamamoto viajou pela primeira vez à vizinha Macau, onde foi homenageado com o título de professor honorário da Universidade da Ásia Oriental (atual Universidade de Macau). Na ocasião, proferiu uma palestra comemorativa intitulada “Uma Nova Consciência Global”. No dia 2 de fevereiro, dirigiu-se a Okinawa e, em seguida, à província de Miyazaki.
Em março, Shin’ichi continuou suas viagens de incentivo aos membros do Japão, visitando as regiões de Kansai, Chugoku e Chubu.
Naquele mesmo mês de março, o clero, que continuava a rejeitar o diálogo com a Soka Gakkai, anunciou repentinamente um novo direcionamento para as organizações leigas do exterior, entre as quais só reconhecia oficialmente a SGI. Porém, acabava de enviar um comunicado informando que revogava tal diretriz.
Além disso, comunicava a interrupção das peregrinações mensais dos membros ao templo principal, afirmando que a partir de julho só seriam autorizados os pedidos de peregrinação emitidos pelos respectivos templos locais. Era uma clara tentativa de minar a Soka Gakkai.
Os membros da organização ficaram chocados com a arrogância unilateral com que tais medidas foram anunciadas. Afinal, eles vieram participando das peregrinações com sincera fé e realizando constantes e incontáveis doações desafiadoras apenas com o intuito de solenizar cada vez mais o templo principal Taiseki-ji, que havia perdido boa parte de suas terras cultiváveis para a reforma agrária do pós-guerra, causando enorme dificuldade financeira à Nichiren Shoshu. Para se sustentar, o clero planejou transformar o local em ponto turístico.
Em novembro de 1950, o prefeito local, os líderes distritais, os membros da associação de turismo e os jornalistas se reuniram no templo principal para a Conferência para a Promoção do Turismo da Região Norte de Fuji, dando início ao planejamento para abrir o espaço aos turistas.
Ao ouvir essa notícia, Josei Toda ficou perplexo e sentiu uma enorme tristeza. Ele lamentava o fato de profanar o nobre espírito de Nichiren Daishonin, abrindo o templo principal como local de diversão a turistas sem nenhum sentimento de fé, apenas em busca de dinheiro. Pensando em uma forma de evitar tal situação, ele teve a ideia de os membros da Soka Gakkai realizarem peregrinações regulares ao templo principal, implementando o plano dois anos após, em 1952. Como resultado, o clero da Nichiren Shoshu superou suas dificuldades financeiras e alcançou um grande desenvolvimento. Em quatro décadas, participou das peregrinações um total de 70 milhões pessoas.
A fé dos membros da organização que oram pela realização do kosen-rufu sustentou a Nichiren Shoshu e promoveu uma grande prosperidade do templo principal.
Parte 64
A Soka Gakkai veio dedicando máximo esforço à manutenção do templo principal. Na época do segundo presidente, Josei Toda, a organização construiu e doou as edificações do Salão de Consagração (Hoanden) e do Grande Salão de Preleções (Daikodo). Após a posse do terceiro presidente, Shin’ichi Yamamoto, foram doadas diversas outras construções, incluindo o Grande Alojamento (Daibo — complexo que abriga os aposentos do sumo prelado e os dormitórios dos sacerdotes), o Grande Salão de Recepção (Daikyakuden), o Grande Templo Primordial (Sho-Hondo), o portal principal e os alojamentos para os peregrinos.
O total das terras do templo principal, que havia sido reduzido para apenas 17 hectares com a reforma agrária do pós-guerra, também foi ampliado para cerca de 387 hectares, isto é, da ordem de 23 vezes, e a maior parte dessa ampliação foi doada pela Soka Gakkai. Como organização leiga, ela apoiara a Nichiren Shoshu com a maior sinceridade por longos anos. Os membros haviam feito doações sinceras, e muitos voluntários da Divisão dos Jovens se dedicaram, às vezes sacrificando horas de sono, para garantir a realização das visitas de peregrinação ao templo com segurança e sem acidentes. Entretanto, sem uma única palavra expressando gratidão, o clero introduziu abruptamente um novo sistema de peregrinação administrado pelos templos locais. Em julho de 1991, a Nichiren Shoshu anunciou a diretriz oficial de criar adeptos leigos ligados diretamente aos templos, desligando-os da Soka Gakkai. O objetivo era forçá-los a se desligar da organização e se tornar paroquianos dos templos.
Um dos cinco crimes capitais, as faltas mais graves no budismo, refere-se a “causar desunião na Ordem budista”. O clero cometeu esse grave crime ao se lançar à real destruição da Soka Gakkai, a organização da ordem e do desejo do Buda que veio, de fato, promovendo o avanço do kosen-rufu. Essas ações de descartá-la após ter recebido inúmeros donativos eram frias e inescrupulosas.
Com base no conceito herético de a “fé que venera o sumo prelado”, totalmente contrário aos ensinamentos de Nichiren Daishonin, o clero planejou dominar os adeptos leigos pela autoridade clerical do sumo prelado, posicionando-o no topo do poder.
Todavia, essa falta de escrúpulos e a natureza retrógrada do clero já haviam sido descobertas e percebidas pelos membros da Soka Gakkai.
Em setembro de 1991, foi revelado que dois anos antes, em julho de 1989, Nikken havia construído uma lápide em memória dos seus ancestrais em cemitério de um templo Zen na cidade de Fukushima (em Tohoku, nordeste do Japão), onde realizou uma cerimônia budista. Os membros ficaram perplexos e revoltados com essa postura. Enquanto acusava de forma estridente a Soka Gakkai de difamar a Lei, Nikken não tinha escrúpulos em cometer um ato que à luz dos escritos de Nichiren Daishonin poderia ser descrito como calúnia contra a Lei. Os sucessivos casos de corrupção e degeneração entre os clérigos continuavam vindo à tona.
A Nichiren Shoshu não estava mais praticando o Budismo de Nichiren Daishonin. O espírito de Nik-ko Shonin [fundador do templo principal] havia se perdido, e a linhagem pura da escola Fuji estava enlameada.
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.
Notas:
1. De um artigo do jornal Seikyo Shimbun de 10 de fevereiro de 1991.
2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 17, 2020.
3. Ibidem.
4. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, v. I, p. 52, 1981. Tradução do japonês.
FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN =JSS










