Sete mulheres que lutaram contra a ditadura militar no Brasil

ROTANEWS176 E POR IG DELAS 12/04/2021 03:00

Fundamentais nos movimentos pela democratização e pela anistia, as mulheres tiveram papel fundamental nesse período de nossa história recente

Reprodução/Foto-RN176 Mulheres protestam contra a censura durante a ditadura – Reprodução/Twitter

RESUMO

  • As mulheres foram marcantes na luta contra a ditadura
  • Em 2021, o golpe militar completou 57 anos
  • Artistas, estilista, estudantes e políticas fizeram parte do movimento contra o regime militar

A ditadura militar instaurada em 1964 durou 21 anos. Em 2021, completa 57 anos do golpe que caçou mandatos, suspendeu direitos políticos, perseguiu e matou milhares de pessoas. Muitas  mulheres tiveram um papel importante na resistência contra o regime militar, mobilizando-se em movimentos pelos presos políticos e pela volta dos exilados.

Por causa disso, elas também se tornaram alvo dos órgãos de repressão política, foram presas, torturadas e mortas. O filme A Torre das Donzelas (2018) conta a história de algumas presas que dividiram uma cela no presídio Tiradentes. Entre elas estava a ex-presidenta Dilma Rousseff. Veja a seguir como ela e outras mulheres se mobilizaram neste período.

Aurora Maria Nascimento Furtado

Reprodução/Foto-RN176 Aurora Maria tinha 26 anos quando foi morta pelo regime militar – Reprodução

Aurora foi uma militante do socialismo no Brasil e lutou contra a ditadura militar. Ela foi presa em 1972 e assassinada no mesmo ano. Eny Moreira, advogada dos presos políticos do período, deu um depoimento onde afirmou que o corpo da militante foi encontrado com diversas mordidas, entre elas, afundamento no maxilar, fraturas expostas, mordidas pelo corpo, as unhas e o bico dos seios arrancados e seu crânio foi afundado devido o uso da “Coroa de Cristo”, uma das torturas a qual a militante foi submetida. O caso da Aurora é um dos mais conhecidos do país e foi narado no romance “Em Câmera Lenta”, escrito por Renato Tapajós, também preso-político.


Dinalva Oliveira Teixeira

Reprodução/Foto-RN176 Dinalva foi uma das maiores guerrilheiras do Araguaia – Reprodução

Dinalva era militante e em 1974, aos 29 anos, foi presa, torturada e assassinada enquanto estava grávida.A estudante era formada em Geologia pela UFBA e foi uma das melhores guerrilheiras do Araguaia, devido sua força de vontade, esforço físico e comprometimento com a causa. Documentos da época contam que na hora de seu assassinato, ela pediu para “morrer de frente”, então, foi executada com tiros.

Dilma Rousseff

Reprodução/Foto-RN176 Dilma Rousseff em um julgamento com autoridades do exército – Reprodução

A ex-presidente da República foi presa com 22 anos, quando fazia parte do Comando de Libertação Nacional, movimento contra a repressão do regime. Ela foi submetida a tortura com pau-de-arara, palmatória, choques, socos e condenada a seis anos de prisão. Ela foi liberta em 1972, por conseguir redução da pena.

41 anos após a sua prisão, ela se tornaria a primeira mulher presidente do Brasil. “Se o interrogatório é de longa duração, com interrogador ‘experiente’, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina.”, disse a ex-presidente em uma declaração.

Lélia Gonzalez

Reprodução/Foto-RN176 O legado de Lélia Gonzalez é importante para a história do movimento negro brasileiro – Acervo pessoal

Lélia Gonzalez foi autora, política, professora, filósofa e é uma das figuras mais importantes do país. Ativista, foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978 e também do Partido dos Trabalhadores (PT), que fazia oposição ao regime militar.  Foi pioneira nos estudos sobre a cultura negra no Brasil, que aconteciam, inclusive, durante o período da ditadura.

A intelectual foi inspiração de Angela Davis, ativista americana que ressaltou toda a importância de Lélia para o país. Ela morreu aos 59 anos e deixou um imenso legado na luta contra o racismo e o sexismo. Confira a matéria completa sobre a história de Lélia aqui .

Maria Amélia de Almeida Teles

Reprodução/Foto-RN176 Amelinha quando foi presa durante o período da ditadura – Reprodução

Amelinha é o apelido de Maria Amélia de Almeida Teles. Ela foi militante do PCdoB e presa em 28 de dezembro de 1972 por “agrupamento prejudicial à segurança nacional.”

Submetida a sessões de tortura pelo major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, ela teve seus filhos sequestrados e obrigados a assistir os pais sendo torturados. A família de Amelinha foi muito presente no combate a ditadura e sua irmã, Crimeia Alice Schmidt de Almeida também foi presa.

Atualmente, Amelinha tem 76 anos e é diretora da União de Mulheres de São Paulo e integra a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Miriam Leitão

Reprodução/Foto-RN176 A ficha de Miriam Leitão durante o período em que ficou presa – Reprodução

Miriam Leitão é jornalista e ex-militante do PCdoB, foi presa por fazer parte do partido que, na época, era considerado clandestino por sua oposição ao governo. Ela e seu marido, Marcelo Netto, foram detidos de 1972 a 1973. Na época da prisão, a jornalista tinha 19 anos e estava grávida de seu primeiro filho, mesmo assim, foi submetida a sessões de tortura como  agressões físicas, pancadas na cabeça, ameaças e torturas psicológicas. Certa vez, foi trancada em uma cela escura com uma cobra. Em 2019, a jornalista lidou com acusações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, que duvidaram da prisão e da tortura que ela sofreu durante o regime militar.

Zuzu Angel

Reprodução/Foto-RN176 Zuzu Angel é considerada a primeira estilista brasileira – Reprodução

Zuzu Angel foi pioneira na moda brasileira e uma das mães que protestaram e, na luta incessável de procura a seu filho, se tornou uma das vítimas do regime militar. Ela era estilista e seu filho, Stuart Angel, de 26 anos, se posicionava contra a ditadura militar e foi preso, torturado e morto.

A estilista lutou para ter o corpo de seu filho recuperado e ganhou visibilidade internacional no caso. Em uma de suas coleções após o desaparecimento de Stuart, ela criou modelos com roupas repletas de manchas vermelhas, simbolizando o sangue da ditadura, pássaros engaiolados e símbolos bélicos em protesto ao regime.

Em 14 de abril de 1976, com 54 anos, Zuzu sofreu um acidente de carro planejado pelos agentes da ditadura e não resistiu. Em 2020, a justiça brasileira reconheceu a culpa do Estado na morte da estilista.