Todos são dignos de respeito 

ROTANEWS176 24/01/2026  10:30

BUDISMO E SOCIEDADE DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

O humanismo Soka lança luz sobre a vital importância do combate ao bullying

Reprodução/Foto-RN176 Desenho humano de ilustração da matéria

Na contramão da sonhada justiça social que a humanidade anseia, a prática do bullying ainda é realidade em muitos países, e seu combate se torna um compromisso premente. “É necessário fazer do ‘respeito à individualidade’ e da ‘dignidade da vida’ a base de tudo”, direciona o pacifista Dr. Daisaku Ikeda, em sua obra Aos Educadores — Por uma sociedade Melhor. Para isso, é preciso ter a visão humanística de exercitar continuamente o diálogo. “Isso porque o bullying, naturalmente, além de ferir e marcar a vítima, é uma causa negativa que prejudica também a própria vida da criança que a cometeu”, ressalta o presidente Ikeda, consolidando: “Todas as crianças nasceram igualmente neste mundo para se tornar felizes”.

O tema também é tratado em vários de seus diálogos mantidos com renomadas personalidades do conhecimento, bem como foi alvo da iniciativa promovida no Colégio Soka do Brasil, fundado por ele. Uma palestra trouxe uma especialista que apontou diretamente as características da prática do bullying e orientou pais e responsáveis sobre formas de combate. Veja mais à frente.

Nesta edição, destacamos algumas ponderações e orientações do presidente Ikeda, respondendo a questões sobre o tema. Confira!

Os maiores alvos do bullying, as crianças e os adolescentes, por vezes enfraquecem a autoestima quando traídos por algum amigo, e se isolam. Como orientá-los?

Daisaku Ikeda: Se um amigo os trair, basta cultivar novas amizades. Não percam a confiança em todos só porque alguém os magoou. Se não confiarem em ninguém, talvez evitem que os machuquem ou os desapontem, mas vocês se tornarão pessoas fechadas e limitadas. Na realidade, aqueles que experimentaram um sofrimento mais profundo conseguem ser mais generosos em relação aos outros. Vocês devem ser fortes.

(…) Vocês também são afortunados por poder recitar Nam-myoho-renge-kyo. Sei de muitas pessoas que sofriam bullying, mas, ao enfrentarem a situação por meio de fervorosa recitação de daimoku, um belo dia, repentinamente, notaram que o bullying havia cessado. Recitando Nam-myoho-renge-kyo quando estiverem sofrendo, ultrapassarão a situação com naturalidade, quase sem perceber. Muitas vezes só se darão conta disso quando olharem para trás.1

Como se processa a união de forças nesse combate?

Lou Marinoff: Em relação ao bullying, as crianças continuarão a sofrer intensamente enquanto a comunidade, o seu lar e a escola não fizerem nada além de prescrever “bom comportamento” sem abordar de fato os problemas centrais. Os três estão claramente interligados e têm plena capacidade de oferecer melhores soluções se reconhecerem sua interconectividade. É preciso retomar virtudes sociais, restabelecer a liderança parental no lar e reintroduzir a disciplina nas escolas.

Daisaku Ikeda: Segundo o que disse, a cooperação e a coordenação entre essas três instituições (a sociedade, o lar e a escola) são essenciais para garantir a felicidade das crianças. É dever dos adultos tomar medidas concretas e incutir nos pequenos uma sabedoria sólida e a coragem necessárias para superar o bullying.

Em 2006, conversei com Betty Williams, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho pacifista na Irlanda do Norte, e ela descreveu como sua neta havia sofrido bullying na escola. Seu conselho foi o de simplesmente ir embora, que a não violência é a arma dos fortes, e tenho certeza de que essas sábias palavras foram uma grande fonte de força para a criança.2

Pode um coração vazio encontrar sua missão?

Daisaku Ikeda: Para uma pessoa (…) com a chama dos sonhos acesa no coração, a vida é interessante. Se estiver triste, não deve se enganar fazendo de sua tristeza um motivo para praticar bullying. Se estiver triste, deve criar verdadeiros amigos. Pode-se dizer que a tristeza é a prova de ser humano. Não deve destruir o coração humano por meio do bullying.

Aquele que sofreu mais que os outros

torna-se alguém

capaz de entender, mais que ninguém,

o coração das pessoas.

Essa pessoa será capaz

de cumprir uma grandiosa missão.3

Converter fraqueza em força

Um episódio descrito na obra Nova Revolução Humana, capítulo “Espírito Comunitário”, segue a trajetória de Keiko Maruyama. Ela tinha 10 anos. Os pais de Keiko participavam ativamente das reuniões da Soka Gakkai, e, desde que ela se conhecia por gente, o som do Nam-myoho-renge-kyo fazia parte da sua vida. A jovem começou a recitá-lo para lidar com o problema de sofrer bullying na escola. Quando era bebê, um vaso de plantas havia caído de uma prateleira sobre a mão esquerda dela, esmagando o dedo médio e deixando a mão levemente deficiente. Por causa disso, ela se tornou vítima de bullying ao ingressar na educação infantil. As outras crianças olhavam para ela com curiosidade e faziam observações cruéis e descuidadas. Também a evitavam. A pequena Keiko passou a odiar a mão esquerda. Pouco a pouco, ela foi se tornando retraída e, na época em que entrou para o ensino fundamental, parou de levantar a mão em sala de aula. Os pais a incentivavam dizendo: “— Aqueles que discriminam e importunam os outros, na verdade, têm um coração pobre. Recite Nam-myoho-renge-kyo com todas as forças. Isso a tornará uma pessoa forte que não se deixa intimidar por nada”.

Um olhar sensível

“Convivência Positiva: O Papel da Família e da Escola” foi tema do encontro promovido pelo Colégio Soka do Brasil entre pais e a Profa. Dra. Luciene Tognetta, referência em temas como ética, convivência e prevenção ao bullying.

“Precisamos garantir que nossos filhos não sejam nem autores, nem vítimas de violência”, destacou a especialista que, dentre várias explicações, abordou com clareza as características do bullying, uma violência silenciosa que fere diretamente a identidade da vítima:

1. Repetição.

2. Intenção de ferir.

3. Desigualdade de poder.

4. Fragilidade da vítima, que se percebe como alguém de pouco valor.

“Muitas vezes, a vítima acredita, ainda que incons-cientemen-te, que merece o que está sofrendo. Mas essa mesma criança é, na maioria das vezes, solidária, generosa e sensível à dor alheia. Nosso papel é fortalecê-la.”

Por outro lado, o autor do bullying também precisa de atenção: “Às vezes, quem pratica bullying tem autoestima inflada; outras vezes, sofre por se sentir inferior. A violência é uma tentativa de se impor. Mas o bullying é, sobretudo, um problema coletivo. Ele se sustenta pelo silêncio dos que assistem. Por isso, educar para que todos tenham coragem de agir é fundamental”.

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A palestra completa pelo Youtube

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Os desdobramentos dessa empolgante jornada podem ser lidos e gravados no coração de pais e daqueles que desejam também transformar sua história. Confira nas p. 147 a 151 do volume 12 do romance Nova Revolução Humana.

Aos Educadores – Por uma Sociedade Melhor, um livro que coloca a educação no patamar devido: não apenas ferramenta de transmissão de conhecimento, mas uma forma prática de conectar pessoas, estimular descobertas e contribuir para a felicidade individual e coletiva, de hoje e para o futuro.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 2: Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2023. p. 355-356.

2. Cf. IKEDA, Daisaku; MARINOFF, Lou. O Poder Curativo do Diálogo. O Filósofo Interior. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024, p. 118.

3: IKEDA, Daisaku. Seja a Esperança. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p.25.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS