Três de Julho e a visão budista sobre justiça

ROTANEWS176 27/06/2026  08:25

INCENTIVO DO LÍDER

Por Jorge Kuranaka

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico de ilustração da matéria

No dia 3 de julho de 1945, ocorreu a libertação de Josei Toda após dois anos de prisão injusta. Seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, encarcerado na mesma ocasião, faleceu no dia 18 de novembro de 1944. Ambos se opuseram à violação ao direito de liberdade religiosa promovida pelo governo japonês.

Doze anos depois, em 3 de julho de 1957, Daisaku Ikeda, jovem discípulo de Toda, foi preso injustamente, por propagar a Lei Mística, no episódio que ficou conhecido como “Incidente de Osaka”. Ele enfrentou a falsa acusação de crime eleitoral com a única preocupação de proteger seu mestre.

O dia 3 de julho simboliza a relação de unicidade de mestre e discípulo, bem como a luta em prol da verdade e da justiça.

Então, podemos nos perguntar: qual é a visão budista sobre a justiça?

Citando alguns exemplos, no dia 5 de maio de 1979, ao enfrentar um plano ardiloso do clero da Nichiren Shoshu, que o forçava a se afastar da presidência da Soka Gakkai, Ikeda sensei escreve a caligrafia “Justiça”, acompanhada da frase “Conduzo sozinho a bandeira da justiça”.1

Já em março de 2013, nosso mestre envia uma mensagem por ocasião do 1º Fórum Nacional de Juristas da BSGI. Nela consta: “Proponho avançarmos resolutamente visando à vitória na vida e ao triunfo da justiça Soka!”.

Também é bastante conhecido o texto de Nichikan Shonin: “Se crer neste Gohonzon e recitar o Nam-myoho-renge-kyo, não haverá oração sem resposta nem pecado imperdoável, toda fortuna será concedida e toda justiça será provada”.2

Como ponto de partida, é certo que a justiça Soka existe em função da rigorosa lei de causa e efeito, que pressupõe a vitória da verdade e do que é correto. Pode-se acrescentar que justiça Soka se refere ao respeito e à defesa incondicional da dignidade da vida.

Ikeda sensei proclama:

Quando as pessoas despertam para a sua própria e única missão, elas se tornam fortes, falam com coragem, alcançam a vitória, brilhando como heróis da verdade da justiça. Isso é revolução humana.3

Em abril de 2024, tive a oportunidade dourada de participar de um curso de aprimoramento da SGI no Japão. Em Osaka, visitamos o Auditório Cívico Central de Osaka, em Nakanoshima, onde no dia 17 de julho de 1957, na convenção em protesto à injusta prisão do presidente Ikeda, ficou registrado o ponto fundamental da “Kansai, Invencível e de Contínuas Vitórias”, e pude aprender, com o coração, um pouco mais sobre o conceito de justiça Soka.

Assim assinalou o Mestre sobre o julgamento que reconheceu sua total inocência, em janeiro de 1962, após 84 audiências: “Finalmente a escuridão da masmorra havia sido iluminada, e agora, no íntimo de Shin’ichi,brilhava o deslumbrante sol do amanhecer”.5

Sempre vencerá a justiça Soka!

Jorge Kuranaka

Coordenador de coordenadoria

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.656, 13 abr. 2024, p. 10.

2. Idem, ed. 1.789, 26 mar. 2005, p. B1.

3. Idem, ed. 1.762, 4 set. 2004, p. A5.

4. Shin’ichi Yamamoto: Pseudônimo do presidente Ikeda no romance Nova Revolução Humana.

5. IKEDA, Daisaku. Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 11, p. 334, 2025.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS