Triunfo da paz e da justiça

ROTANEWS176 28/02/2026  11:25

ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

A segunda visita de Ikeda sensei ao Brasil, em 1966, completa sessenta anos como marco da vitória da unicidade de mestre e discípulo e da luta contra as adversidades.

Reprodução/Foto-RN176 Dr. Daisaku Ikeda no centro, ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional — Foto: Seikyo Shimbun

Em pouco mais de cinco anos, desde a fundação em 1960, a BSGI alcançou grande resultado na propagação do Budismo Nichiren. No início de 1965, o número de membros girava em torno de 2.500 famílias. Essa quantidade cresceu para 5.600 em agosto, e, no fim do ano, chegou a 6.800 famílias. Nos dois primeiros meses de 1966, foram realizados mais 1.200 shakubuku, totalizando 8 mil famílias.

Em sua segunda visita ao Brasil, em 1966, a exemplo da primeira visita, o Mestre estava doente, com febre e cansaço constantes. 

“Naquela ocasião também foi assim…”, relembrava Ikeda sensei sobre os esforços para fundar, no país, o primeiro distrito fora do Japão, que ocorreu no restaurante 

Chá Flora, em São Paulo, SP, seis anos antes. O presidente Ikeda desembarcou no Rio de Janeiro em 10 de março de 1966, acompanhado de sua esposa, Kaneko. No Rio, havia, nessa época, 166 famílias que compunham três comunidades e dez blocos.

Desde 1964, o Brasil vivia sob regime militar. Os cinco dias da segunda visita do presidente Ikeda transcorreram sob constante vigilância policial em consequência de informações distorcidas sobre a Soka Gakkai. O Departamento de Ordem Política e Social — polícia política da época — rotulou a Soka Gakkai de organização política com fachada de instituição religiosa. Com base na suspeita de que o objetivo da visita do presidente Ikeda era o de fundar um partido político no país, seus passos foram vigiados pelos agentes policiais.

Na manhã do dia seguinte à chegada ao Rio, o presidente Ikeda foi procurado por um jornalista que havia publicado um artigo difamatório a respeito da Soka Gakkai. Na entrevista, ele esclareceu:

Ela [religião] existe para proporcionar felicidade às pessoas, para construir um mundo de paz e criar uma sociedade cada vez melhor. Esses propósitos fazem parte da missão original que deve ser cumprida pelas religiões. Sendo assim, uma religião que fecha os olhos para os sofrimentos das pessoas e os problemas sociais deve ser qua-lificada como uma religião morta. O budismo, cuja essência é o Sutra do Lótus, expõe o caminho da benevolência e ensina que todas as pessoas são dotadas da natureza de buda, revelando a suprema igualdade e o respeito absoluto à dignidade da vida. A Soka Gakkai, por sua vez, tem como objetivo contribuir para a paz e a felicidade das pessoas. Para atingir esse fim, ela aplica os princípios filosóficos do budismo nos diversos campos da atividade humana, tais como a arte, a cultura e a educação. Com base nesse pensamento, incentivamos nossos membros para atuarem também no campo da política.1

O jornalista perguntou-lhe se a Soka Gakkai pretendia criar um partido político no Brasil. A resposta foi clara:

No caso de assuntos relacionados à crença no budismo, eu posso dar meus conselhos e fazer minhas recomendações. Porém, a questão de como tratar e agir no campo da política deve ser analisada e definida pelos membros de cada país. É um assunto que não devo interferir nem ditar alguma instrução. Antes de tudo, sou japonês e penso que não devo intrometer-me nesse assunto. Particularmente, penso que não há nenhuma necessidade de criar um partido político seja no Brasil, seja em qualquer outro país.2

Reprodução/Foto-RN176 Logo de sessenta anos da visita de Ikeda sensei ao Brasil.  Ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional — Foto: Seikyo Shimbun

Depois de algum tempo, esse jornalista publicou uma matéria esclarecendo que não havia nenhum fundamento no alarde criado em torno da Soka Gakkai, rotulando-a de organização fascista. A entrevista concedida pelo presidente Ikeda foi reportada corretamente e os objetivos da Soka Gakkai foram descritos sem distorção.

Além da entrevista e de se encontrar com membros pioneiros, o Mestre subiu ao Morro do Corcovado de onde conheceu a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor.

Dois acontecimentos foram o ponto alto da sua segunda visita ao Brasil: o Festival Cultural da América do Sul, realizado no Theatro Municipal de São Paulo, com a participação de 1.700 figurantes de várias localidades do país, no dia 13 de março; e o encontro com 5 mil membros no Ginásio de Esportes do Pacaembu, também na capital paulista. Esses eventos ocorreram sob a vigilância de centenas de policiais.

O empenho dos membros nessa época resultou na inauguração da sede própria da BSGI em São Paulo (atual Sede Social da Divisão Feminina da BSGI) cujo imóvel foi adquirido pessoalmente pelo presidente Ikeda durante a sua segunda visita ao país. A organização, que era formada apenas por um distrito, passou a ser composta por três distritos gerais (atual área ou região metropolitana) e sete distritos.

Foram cinco dias da segunda visita de Ikeda sensei ao Brasil em que ele encorajou os membros a desbravar o movimento pelo kosen-rufu do país, suplantando grandes desafios. Essa luta conjunta de mestre e discípulo abriu os caminhos do desenvolvimento da BSGI rumo ao glorioso futuro. Ao comemorarmos os sessenta anos desse marco histórico, vamos reafirmar nossa determinação de dar continuidade ao legado do Mestre, criando sucessivas ondas de avanço em meio à sociedade brasileira.

Fontes:
Os Fundamentos do Budismo Nichiren para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2016. p. 66-68.
IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. v. 11. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2021.

Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2021. v. 11, p. 19-20.
2. Ibidem, p. 21.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO