Trump planeja mudar regime em Cuba até o fim do ano, diz jornal

ROTANEWS176 22/01/2026 02:10

Por Carla Melo

Fontes afirmam que a captura de Maduro e as subsequentes concessões de seus aliados foi um modelo e um alerta para Cuba

Reprodução/Foto-RN176 Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump

Após a ofensiva realizada na Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende mudar o regime em Cuba até o final deste ano, disse o jornal Wall Street Journal.

De acordo com o veículo norte-americano, o governo Trump está buscando pessoas ligadas ao governo cubano que possam ajudar a fechar um acordo para derrubar o regime comunista até o final do ano, disseram fontes ligadas ao assunto.

O jornal aponta ainda, que os EUA avaliou a economia de Cuba como “estando à beira do colapso” e afirmou que o governo nunca esteve tão frágil após a perda de um benfeitor vital como Maduro, continuaram as fontes. 

Funcionários norte-americanos teriam dito ainda que as autoridades não têm um plano concreto para derrubar o governo comunista que está no poder há quase sete décadas, mas afirmam que a captura de Maduro e as subsequentes concessões de seus aliados foi um modelo e um alerta para Cuba.

Em comunicado encaminhado ao jornal, o Departamento de Estado declarou que é fundamental para a segurança nacional dos Estados Unidos que Cuba seja administrada de forma eficaz por um governo democrático e não permita a presença de serviços militares e de inteligência de países adversários.

Conselho da Paz: quais os países convidados por Trump até agora

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos convidados, entretanto ainda não há informação se o convite de Trump será aceito

Um órgão internacional criado sob a justificativa de monitorar a Faixa de Gaza e auxiliar na reconstrução da área, que foi devastada após uma série de ataques militares de Israel. É esse o objetivo por trás do “Conselho da Paz”, do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. 

RN176 presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Diversos convites do mandatário foram feito a países, numa tentativa de estreitar laços, como foi o caso do Brasil, cuja atitude de Trump acontece após imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.

presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos convidados,  entretanto ainda não há informação se o convite de Trump será aceito. Outros países integram a lista de favoritos para o conselho, de acordo com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff entrevista a CBS News.

De acordo com ele, ao menos 25 países aceitaram o convite.

Confira os países que foram convidados para o Conselho da Paz até o momento:

  • Brasil
  • Argentina
  • Reino Unido
  • Turquia
  • Egito
  • Canadá
  • Ucrânia
  • Rússia
  • Bahrein
  • Paquistão
  • Jordânia
  • Emirados Árabes Unidos
  • Indonésia
  • Arábia Saudita
  • Catar
  • Israel
  • Azerbaijão
  • Kosovo
  • Bielorrússia
  • Marrocos
  • Hungria
  • China
  • França

O número pode ser maior, já que nem todos os países anunciaram publicamente o convite, por isso, a lista não está completa e nem é definitiva.

Ação dos EUA contra Maduro dispara alerta ao Irã

Regime dos aiatolás teme ser um dos próximos alvos do presidente Donald Trump, que já fez várias ameaças

RN176 Líder supremo iraniano, Ali Khamenei – khamenei.ir/Reprodução

O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, ativou os alarmes da liderança do regime do Irã.

O  Irã era um dos aliados mais próximos de Maduro, que se manteve no poder em 2024 após uma ampla fraude eleitoral e não é reconhecido nem pela Alemanha nem pela União Europeia como presidente legítimo da Venezuela.

Com essa intervenção surpreendente, o presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou que a sua administração está disposta a recorrer a medidas militares para derrubar um regime inimigo, em violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, o que envia um sinal claro de alerta a outros regimes autoritários.

O Irã exigiu a libertação imediata de Maduro. “O presidente de um país e a sua esposa foram sequestrados”, declarou um porta-voz do Ministério iraniano do Exterior. “Não há motivo para orgulho. É um ato ilegal”, concluiu.

Unidos por um inimigo comum

As relações entre o Irã e a Venezuela dificilmente se explicam pelos padrões tradicionais da política externa. A Venezuela situa-se no Caribe e tem uma população majoritariamente católica, enquanto o Irã está no Golfo Pérsico e é predominantemente muçulmano. O comércio bilateral é modesto e não existem voos diretos entre Caracas e Teerã.

O que os une é um inimigo comum: os Estados Unidos. Eles também estão unidos na resistência às sanções internacionais e na habilidade de sobreviver dentro de uma ordem mundial dominada por Washington.

Nas últimas três décadas, a combinação de simpatia política mútua e retórica antiamericana evoluiu para uma rede complexa de cooperação que abrange petróleo, finanças, indústria e segurança.

Ameaças de Trump

Os acontecimentos políticos na Venezuela surgem num momento sensível para o Irã. O país é palco de protestos que já duram mais de suas semanas. Motivados inicialmente pela inflação, os manifestantes passaram a se voltar cada vez mais contra o regime dos aiatolás.

Diante disso, Trump não hesitou em lançar alertas ao Irã, até mesmo ameaçando com uma intervenção militar dos EUA“Se começarem a matar pessoas como fizeram no passado, penso que serão atingidos com muita força pelos Estados Unidos”, ameaçou.

Nesta segunda-feira (12), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que ataques aéreos estavam entre as “muitas, muitas opções” que Trump estava considerando, mas que a diplomacia é sempre a primeira opção.

Em junho, a  Força Aérea dos EUA atacou instalações nucleares iranianas no contexto da guerra israelo-iraniana para destruir as capacidades nucleares do Irã.

O vice-presidente do Bundestag (Parlamento alemão) Omid Nouripour, nascido em Teerã e que emigrou para a Alemanha aos 12 anos, disse que muitos iranianos querem uma mudança de regime. “Mas as intervenções dos últimos anos, e agora também na Venezuela, mostram que Trump não tem plano para o dia seguinte. Por isso sou muito cauteloso”, ressalvou.

Reação de Teerã

A mensagem de Trump certamente chegou a Teerã. A liderança iraniana sabe que pode se tornar alvo militar dos EUA. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse numa conferência de embaixadores estrangeiros em Teerã que o Irã “não está buscando a guerra, mas está totalmente preparado para ela”, e pediu negociações justas.

O governo em Teerã afirmou que mantém os canais de comunicação com Washington abertos. Segundo o portal de notícias americano Axios, Araghchi entrou em contato com o enviado especial de Trump para o Oriente Médio e a UcrâniaSteve Witkoff, no fim de semana passado, com a aparente intenção de reduzir a tensão com Washington.

O analista de política internacional Damon Golriz diz que a operação contra Maduro evidencia uma mudança de posição de Trump. Em 2025, ele havia se mostrado relutante em apoiar os planos israelenses para atacar o líder supremo Ali Khamenei e outros dirigentes militares iranianos.

“Os EUA devem cuidar dos seus soldados”, advertiu Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Os EUA têm até 45 mil soldados estacionados em vários países do Médio Oriente, incluindo Iraque, Síria e Catar.

Em junho, o Irã atacou a maior base militar norte-americana no Oriente Médio, situada no Catar, em retaliação pelo bombardeio das suas instalações nucleares. Não houve feridos. Segundo Trump, os EUA foram avisados previamente pelo Irã.

Impacto psicológico

A queda de Maduro tem implicações para a segurança e o aparelho militar iraniano, sublinha Golriz. A busca por um sucessor de  Ali Khamenei já estaria em andamento. Ao contrário da Venezuela, o país não tem uma oposição significativa dentro da sua estrutura de poder altamente personalizada.

O ataque dos EUA à Venezuela teve um impacto psicológico em Teerã, afirma o jornalista iraniano Reza Talebi, que vive exilado na Turquia. Os tomadores de decisões iranianos enfrentam uma questão crucial: “Se os EUA conseguiram realizar um golpe como esse no Hemisfério Ocidental, porque não haveriam de fazer o mesmo em outros lugares?”

Talebi considera que isso pode alterar os cálculos estratégicos do Irã nas suas relações com os EUA e Israel. Após a captura de Maduro, Israel lançou um forte aviso a Teerã, com o líder da oposição e ex-primeiro-ministro Yair Lapid dizendo que é preciso acompanhar de perto os acontecimentos em Caracas.

Mas a intensificação das ameaças externas também dá ao governo iraniano um pretexto para reprimir ainda mais os protestos.

Já Talebi avalia que a esperança numa intervenção militar dos EUA ou num “salvador externo” pode enfraquecer a vontade da sociedade civil iraniana de protestar e alerta que “a ideia de que a pressão do governo Trump visa sobretudo apoiar o povo iraniano é ingênua e superficial.”

EUA revela plano de transformar ‘nova Gaza’ em um complexo de arranha-céus

Os Estados Unidos apresentaram, nesta quinta-feira (22), sua visão de uma “nova Gaza” que, em três anos, transformaria o devastado território palestino em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.

“Vamos ter muito sucesso em Gaza. Vai ser algo grandioso”, disse o presidente americano, Donald Trump, ao apresentar seu polêmico “Conselho de Paz” durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Reprodução/Foto-RN176 Donald Trump mostra o documento fundador de seu Conselho de Paz, ao lado de representantes de outros 19 países, em 22 de janeiro de 2026, no Fórum de Davos© Mandel NGAN

Essa junta foi inicialmente concebida para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, mas na realidade aspira a resolver diversos conflitos no mundo, em concorrência com a ONU.

“Eu disse, olhe esta localização à beira-mar. Olhe esta bela propriedade. O que isso poderia significar para tanta gente”, afirmou Trump na estação alpina suíça, deixando muito claro aos presentes sua expertise no setor imobiliário.

Seu genro Jared Kushner, que não ocupa um cargo oficial no governo, mas é um dos enviados de Trump para o cessar-fogo em Gaza, vaticinou um “sucesso descomunal” para seu “plano-mestre”.

Kushner exibiu slides com imagens de dezenas de torres de apartamentos com terraços e vista para uma área arborizada.

“No Oriente Médio constroem cidades como esta, para dois ou três milhões de pessoas, em três anos”, disse. “E assim, coisas como essa são muito viáveis se as tirarmos do papel”, acrescentou.

O genro de Trump estimou investimentos de pelo menos 25 bilhões de dólares (R$ 132,45 bilhões) para reconstruir a infraestrutura e os serviços públicos destruídos desde a guerra desencadeada pelo ataque de combatentes do grupo islamista palestino Hamas em Israel em outubro de 2023.

Em dez anos, o PIB do território seria de 10 bilhões de dólares (R$ 52,98 bilhões), e os lares desfrutariam de uma renda média de 13 mil dólares (R$ 68,88 mil) por ano graças a “emprego pleno de 100% e oportunidades para todos ali”, afirmou.

Reprodução/Foto-RN176 O empresário norte-americano Jared Kushner apresenta seu “plano-mestre” para Gaza no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta quinta-feira (22)© Mandel NGAN

“Poderia ser uma esperança. Poderia ser um destino, ter muita indústria e realmente ser um lugar onde as pessoas possam prosperar”, comentou Kushner.

– Oportunidades “incríveis” –

Segundo ele, o chamado Comitê Nacional para a Administração de Gaza solicitou ajuda à incorporadora israelense Yakir Gabay.

“Eles se ofereceram para fazer isso não por lucro, realmente porque de coração querem fazê-lo”, disse Kushner, e prometeu que “nos próximos 100 dias” vão se concentrar em fazer “isso acontecer”.

Um alto funcionário da ONU advertiu este mês que os habitantes de Gaza vivem em condições “desumanas”, apesar de a trégua apoiada pelos Estados Unidos estar entrando em sua segunda fase.

Bairros inteiros, hospitais e escolas sofreram danos significativos que obrigam centenas de milhares de pessoas a viver em abrigos improvisados.

De acordo com Kushner, por muito tempo 85% do PIB de Gaza veio de ajuda. “Isso não é sustentável. Não dá dignidade a essas pessoas. Não lhes dá esperança.”

Ele insistiu que o desarmamento total do Hamas, previsto no cessar-fogo de outubro, convenceria empresas e doadores a se comprometerem com o território.

“Anunciaremos muitas das contribuições que serão feitas em algumas semanas em Washington”, adiantou. “Haverá oportunidades de investimento incríveis.”

– Conselho de Paz –

Por ora, os especialistas da ONU que investigam violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos esperam que o Conselho de Paz criado por Trump lhes abra as portas para acessar o local.

Reprodução/Foto-RN176 EUA apresentam plano de transformar a ‘nova Gaza’ em um complexo de arranha-céus© Andre CRUZ, Bruno VIGGIANO

As autoridades israelenses bloquearam o trabalho da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU na Faixa de Gaza, onde o organismo estima que Israel cometeu genocídio.

A comissão foi estabelecida em 2021 pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, mas Israel se negou a cooperar.

“Com esse plano de paz em andamento, espera-se que isso possa mudar. Poderia haver alguma cooperação por parte daqueles que controlarão os assuntos dessa zona de conflito”, declarou o presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, em coletiva de imprensa em Genebra.

“Esperemos que confiem em nós para realizar nossa investigação da maneira mais profissional”, acrescentou.

FONTE: DEUTSCH WELLE=DW/AFP E RN176