ROTANEWS176 08/11/2025 09:00
NOVA REVOLUÇÃO HUMANA
Por Ho Goku
Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Reprodução/Foto-RN176 Em 1960, presidente Ikeda visita Okinawa, palco de batalhas durante a Segunda Guerra Mundial. Ilustrações: Kenichiro Uchida
Parte 81
Ao chegar a Hong Kong após a sua visita à Índia, Shin’ichi se encontrou com o governador David Wilson e participou de vários outros eventos. De lá, em 22 de fevereiro, ele voltou para o Japão, parando inicialmente em Okinawa.
Essa visita à Ásia foi a primeira viagem pela paz realizada por Shin’ichi depois da “independência espiritual” da Soka Gakkai. Na Índia, a terra onde se originou o budismo, assim como na Tailândia e em Hong Kong, os membros estavam desenvolvendo ativamente o movimento em prol da paz, cultura e educação, estendendo firmemente as raízes da amizade e da confiança na sociedade. Visualizando o futuro, Shin’ichi dedicou todos os esforços para criar os novos alicerces do kosen-rufu mundial.
Em Okinawa, durante três dias a partir do dia 25 de fevereiro, foi realizada a 1a Convenção da SGI da Ásia, no Centro de Treinamento de Okinawa, em Onnason, com a participação de representantes dos países e territórios da Ásia. Shin’ichi participou da convenção durante os três dias e incentivou os membros com o limite de suas forças.
Na reunião de gongyo, no segundo dia (26 de fevereiro), Shin’ichi anunciou a construção do Jardim de Árvores Bodhi da Soka Gakkai nos arredores de Nova Délhi, Índia. E reconfirmou que, à luz do espírito de Nichiren Daishonin de desejar a felicidade das pessoas, o propósito da nossa prática budista se encontrava em conduzirmos, cada qual, uma vida alegre e prazerosa, afirmando:
— Não há a menor necessidade de ser obsessivo com a fé, pressionando e cobrando a si mesmo. Além disso, não se deve orientar as pessoas sobrecarregando-as e fazendo-as perder a alegria. Recitar gongyo e daimoku é para seu próprio benefício. Mas não significa que, caso não realize essa prática, sofrerá punição ou terá consequências negativas. Se fosse assim, as pessoas que desde o início não praticaram o budismo estariam em melhores condições. Daishonin ensina que a recitação de um único daimoku, com o coração de fé sincera na Lei Mística, é a fonte de imensuráveis benefícios. Quando nos dedicamos com essa convicção e determinação à prática budista com coragem, confiança e alegria no coração, nossa condição de vida se expande de forma ilimitada e acumula-se boa sorte. A prática da fé não é obrigação. É o mais elevado direito de cada pessoa. A chave da fé no budismo se encontra nessa mudança sutil de nossa mentalidade.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho humano ilustrativo da matéria. Ilustrações: Kenichiro Uchida
Shin’ichi desejava que todos, como membros da família Soka, avançassem de forma sábia e prazerosa pelo caminho do kosen-rufu, desfrutando plenamente a alegria da prática da fé.
Parte 82
Em 27 de fevereiro, o terceiro e último dia da 1a Convenção da SGI da Ásia, foi realizado em conjunto com um festival musical pela paz com a participação de 250 membros de quinze países e territórios da Ásia, como também de representantes de Okinawa e demais localidades do Japão.

Reprodução/Foto-RN176 1ª Festival Musical pela Paz da SGI da Ásia. Apresentação dos membros de Singapura. Ilustrações: Kenichiro Uchida
O evento foi realizado também com o significado de Reunião de Líderes da Soka Gakkai e de Convenção da Província de Okinawa.
Okinawa estava às vésperas de celebrar o 20o aniversário do retorno das ilhas para o Japão [que ocorreu em 15 de maio de 1972, após anos sob controle do governo americano], e os membros de lá estavam com forte determinação de “levar a eterna felicidade às ilhas de Okinawa, tornando-as a “Terra da Luz Eternamente Tranquila”. Além disso, renovavam o juramento de “transmitir a filosofia de ‘estabelecer o ensinamento correto para a pacificação da terra’ (rissho ankoku) a partir de Okinawa, a porta de entrada para a Ásia!”.
Os membros de toda a Ásia que ali se reuniram também fortaleceram o compromisso de “edificar o alicerce do intercâmbio pela paz, estreitando os laços de amizade e de confiança, e unindo os corações”.
No festival musical, o coordenador da Divisão Masculina de Jovens da Bharat Soka Gakkai (SGI-Índia), apresentou a Declaração da Ásia, em inglês:
Nós, membros da SGI da Ásia, declaramos estes três termos:
Primeiro, respeitar a cultura e as tradições dos nossos países e comprovar o princípio de “prática da fé é a própria vida diária” para contribuir para a prosperidade social!
Segundo, participar ativamente dos intercâmbios cultural e educacional no âmbito internacional com base numa visão global.
Terceiro, colaborar no esforço centrado nas Nações Unidas para a criação de uma nova ordem mundial de paz.
Sob intensos aplausos, a declaração foi aprovada por unanimidade.
Na sequência, o Ongakutai e a Kotekitai de Okinawa tocaram numa fanfarra a música O Amanhecer da Ásia. Então, seguiram-se alegres apresentações de dança e de corais dos membros da Malásia, da Indonésia, das Filipinas e de Singapura, muitos envoltos em trajes típicos nacionais. Era um clima transbordante de vitalidade juvenil e de entusiasmo vivendo livremente pelo kosen-rufu.
No final, subiu ao palco um coral formado por duzentas pessoas centralizado em jovens de 20 anos que nasceram em 1972, ano do retorno de Okinawa ao Japão. O coral entoou energicamente a canção A Marcha dos Emergidos da Terra e Nossas Lindas Ilhas de Okinawa. Ao som das músicas, algumas pessoas começaram a dançar a tradicional kachashi [dança festiva] de Okinawa.
Ao ouvir dos líderes da província que os participantes eram jovens de 20 anos, os olhos de Shin’ichi Yamamoto brilharam.
— Isso é incrível! — disse ele.
— Jovens são, todos, tesouros. Enquanto houver jovens que se empenham animadamente na prática da fé, o futuro está assegurado.
Parte 83
Shin’ichi Yamamoto também disse aos líderes de Okinawa:
— Devem valorizar o potencial da juventude e abraçar cada pessoa, polindo-a e desenvolvendo-a. Se deixá-la sozinha, ela não se desenvolverá. Os veteranos devem orar junto com os mais novos; devem estudar o Gosho juntos; devem realizar visitas familiares e shakubuku juntos; devem ensinar concretamente a fé, a prática e o estudo. O importante é se dedicar diligentemente e com perseverança para o crescimento deles. E, tal como neste festival cultural, deve-se colocar os jovens no centro das atenções, proporcionando-lhes oportunidades para manifestar toda a sua potencialidade, com independência e autonomia. Esse aspecto será o próprio modelo para o futuro da Soka Gakkai de Okinawa. Aqueles que criam valores humanos melhores do que si mesmos, estimulando um jovem após outro, são verdadeiramente os grandiosos líderes. O empenho com seriedade no desenvolvimento dos jovens, tornando-o uma tradição, garante o futuro de Okinawa do século 21.
Ao ritmo da voz repleta de força e paixão dos jovens, os espectadores que ocupavam a plateia começaram, um após outro, a se levantar e a dançar kachashi.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho humana de ilustração da matéria. Ilustrações: Kenichiro Uchida
Embora fossem de histórias e culturas diferentes, os membros de diversos países se uniam em um só “coração asiático” e um só “coração pacífico”.
Dirigindo-se ao microfone, Shin’ichi começou a discursar: “Aqui, há lindas flores; um mar imenso; um intenso brilho do sol. O Centro de Treinamento de Okinawa é banhado pelas abundantes cores primaveris”. Então, os membros aplaudiram calorosamente.
As palavras de Shin’ichi ressoaram perfeitamente com a imensa alegria de todos por terem iniciado, radiantemente, a grande marcha da Soka Gakkai, rompendo as correntes do herético e autoritário clero.
Em seu discurso, Shin’ichi anunciou planos para construir um centro de treinamento nas Filipinas, para instalar uma escola de educação infantil Soka em Singapura, além da que estava previsto em Hong Kong. Eram todos projetos transbordantes de esperança.
Shin’ichi mencionou também o papel histórico de Okinawa como ponte interligando as nações. E declarou que a realização da Convenção da SGI da Ásia em Okinawa marcava o descortinar de uma era de grande intercâmbio de filosofia, de cultura e de paz rumo ao século 21.
Enquanto discursava, Shin’ichi pensou em seu coração: “Se assistisse a essa convenção, quão feliz ficaria meu mestre, Josei Toda, que tanto desejava a paz e a felicidade dos povos da Ásia!”.
Parte 84
Em Okinawa há a famosa expressão Nuchi du takara (“A vida é um tesouro”) de respeito à dignidade da vida, e outra Ichariba chote (“Se nos encontrarmos uma vez, somos irmãos”), de transbordante amizade de coração aberto.
Saion (1682–1761), o grande líder de Okinawa, disse: “A vida de uma pessoa deve ser considerada seu mais importante tesouro, e deve ser nutrida e protegida”.1
No entanto, durante a Segunda Guerra Mundial, Okinawa foi palco de uma batalha terrestre sangrenta na qual muitas pessoas perderam a vida. Sempre que pensava em Okinawa, Shin’ichi Yamamoto sentia forte necessidade de realizar nesse local a transformação do destino e o “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”.
A primeira visita de Shin’ichi a Okinawa ocorreu em 16 de julho de 1960, dois meses e meio após a sua posse como terceiro presidente da Soka Gakkai. Ele escolheu essa data por ter sido o dia em que Nichiren Daishonin submeteu seu tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra. Era seu desejo que os membros de Okinawa se levantassem como pioneiros da realização do princípio de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra” por meio da edificação de um reino de eterna paz e prosperidade.
Em sua primeira visita a Okinawa, ele foi a vários locais em que ocorreram batalhas da Segunda Guerra Mundial na parte sul da ilha principal. E ouviu também dos membros relatos de experiências trágicas da guerra. Seu coração parecia se rasgar. Ele fez um profundo e resoluto juramento em seu coração: “Vou lutar junto com os membros de Okinawa para transformá-la em ilha da felicidade e em ilha da vitória do kosen-rufu!”.
À luz dos ensinamentos do budismo, as pessoas que mais sofreram são as que têm o direito de se tornarem mais felizes.
O fato de Shin’ichi ter iniciado o romance Revolução Humana, em 2 de dezembro de 1964, com as frases “Não há ato mais bárbaro do que a guerra!” e “Não existe outro fato mais trágico do que a guerra!”, nas terras de Okinawa, expressava também essa decisão.
O tema dessa obra “A grandiosa revolução humana de uma única pessoa, um dia, impulsionará a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade” é o princípio da construção da paz indicada por seu venerado mestre, Josei Toda.
Em 1977, a Soka Gakkai inaugurou o Centro de Treinamento de Okinawa. Esse local era a antiga base militar Mace B dos Estados Unidos e sua plataforma de lançamento de mísseis apontava para a Ásia. Shin’ichi teve a ideia de transformá-la numa base para transmitir a paz ao mundo.
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.
Nota:
- BOLLINGER, Edward E. Saion, Okinawa’s Sage Reformer: An Introduction to His Life and Selected Works [Saion, Sábio Reformista de Okinawa: Uma introdução à sua Vida e Seleção de Obras]. Naha, Okinawa: Ryukyu Shimpo Newspaper, 1975. p. 118.
FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS










