ROTANEWS176 28/02/2026 11:50
ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Fevereiro é o mês do aniversário de nascimento do buda Nichiren Daishonin, que dedicou a vida a cumprir o juramento de propagar a Lei Mística pela felicidade de todas as pessoas. Brasil Seikyo publica, em duas partes, uma história ilustrada contando sua trajetória.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração do chefe do império mongol – ilustração do JBS
1. CONTINUAÇÃO DA EDIÇÃO ANTERIOR.
Em 1268, um documento oficial do império mongol chegou ao governo com a ameaça de usar a força militar caso o Japão se recusasse a aceitar suas demandas. Com isso, a invasão estrangeira predita no tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra estava em vias de se tornar realidade. Nichiren Daishonin enviou, então, onze cartas de advertência para autoridades governamentais e para sacerdotes dos maiores templos de Kamakura advertindo sobre o perigo da invasão estrangeira como ele havia predito, e pressiona os sacerdotes de outras escolas budistas a realizar um debate público com ele. Todavia, seus apelos foram ignorados, o governo passou a considerar a escola de Daishonin perigosa e iniciou atividades para reprimi-la.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustrações do Bonzo Ryokan e seus discípulos orando para chover na cidade de Kamakura – ilustração do JBS
2. Em 1271, diante de uma severa seca em Kamakura, o governo ordenou a Ryokan, influente sacerdote budista, que realizasse oração pela chuva. Nichiren Daishonin enviou uma carta com o seguinte desafio: caso Ryokan conseguisse trazer chuva em sete dias, Daishonin se tornaria seu discípulo; caso não chovesse nesse período, Ryokan deveria se render ao Sutra do Lótus. Apesar das orações de Ryokan, nem uma gota de chuva sequer caiu e, além disso, ventos destrutivos assolaram Kamakura. Porém, longe de reconhecer sinceramente a própria derrota, ele gerou ainda mais hostilidade contra Daishonin. Ryokan tramou diversas artimanhas contra Daishonin por meio de falsas denúncias ou apelando para autoridades governamentais e suas esposas.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustrativo do governador Hei no Saemon-no-jo Yoritsuna interrogando o buda Daishonin e seus soldados no fundo observandos - ilustração do JBS
3. Daishonin recebeu uma intimação das autoridades governamentais e foi interrogado por Hei no Saemon-no-jo Yoritsuna (também conhecido como Taira no Yoritsuna), subchefe do Posto de Comando Militar. Nesse encontro, Daishonin o advertiu ressaltando qual deveria ser a postura apropriada de um governante da nação, com base nos ensinamentos corretos do budismo.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração do buda Nichiren Daishonin sendo preso e levado pelos soldados de Hei no Saemon-no-jo – ilustração do JBS
4. Dois dias depois, Hei no Saemon-no-jo, acompanhado de soldados armados, atacaram a morada de Daishonin, e o prenderam como se fosse um traidor da nação. Ele foi subitamente escoltado na calada da noite e levado para Tatsunokuchi, na periferia de Kamakura, local usado para realizar execuções. Hei no Saemon-no-jo e outros conspiraram para decapitar Daishonin em sigilo. No entanto, no exato momento da execução, repentinamente um grande objeto luminoso no formato de uma “esfera” surgiu na direção da ilha de Enoshima e cortou o céu noturno no sentido noroeste. Os soldados ficaram amedrontados com o ocorrido e incapacitados de dar prosseguimento à execução (Perseguição de Tatsunokuchi) .

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração de Nichiren Daishonin revelando a sua verdadeira identidade de buda – ilustração do JBS
5. No momento em que Daishonin emergiu vitorioso da perseguição de Tatsunokuchi, ele abandonou seu aspecto transitório de mortal comum, que vive com seus carmas e sofrimentos, e revelou sua verdadeira identidade como “buda da alegria ilimitada desde o tempo sem início” possuidor de infinita sabedoria e compaixão. Isso é chamado de “abandonar o transitório e revelar o verdadeiro” (hosshaku-kempon). A partir desse momento, Daishonin assume o comportamento como Buda dos Últimos Dias da Lei. E, então, inscreve o Gohonzon a ser reverenciado e abraçado por todas as pessoas como o objeto de devoção fundamental

Reprodução/Foto-RN176 Desenho ilustrativo do buda Daishonin – ilustração do JBS
6. Com o fracasso da tentativa de execução, a decisão tomada foi o exílio de Daishonin na Ilha de Sado. Lá, ele foi instalado num santuário abandonado chamado Sanmai-do (usado para cerimônias de funeral), localizado no cemitério de Tsukahara. Daishonin ficou em condições adversas, exposto ao frio cortante de Sado, com falta de roupas e alimentos, além de ser alvo de constantes ameaças à sua vida pelos seguidores da Nembutsu. No décimo sexto e no décimo sétimo dias do primeiro mês do ano seguinte, 1272, centenas de sacerdotes budistas de diversas escolas, não apenas de Sado, mas também de outras províncias, reuniram-se em Tsukahara com o intuito de matar Daishonin. Honma Shigetsura interveio e determinou a realização de um debate religioso contra Daishonin. Nesse debate, Daishonin refutou completamente os ensinamentos errôneos das várias escolas budistas da época (Debate de Tsukahara).

Reprodução/Foto-RN176 Desenhos de ilustração de Nikko Shonin a esquerda sucessor do buda Nichiren Daishonin – ilustração do JBS
7. Durante o exílio em Sado, Nikko Shonin, que se tornaria o sucessor de Nichiren Daishonin, esteve sempre ao seu lado, acompanhando-o e servindo-o fervorosamente, e compartilhando todos os seus sofrimentos. Na Ilha de Sado, surgiram também seguidores como Abutsu-bo e sua esposa, a monja leiga Sennichi, que passaram a servir Daishonin. Nesse local, Daishonin escreveu muitas obras de suma importância, com destaque especial para Abertura dos Olhos e O Objeto de Devoção para Observar a Mente.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração do buda Nichiren Daishonin – ilustração do JBS
8. No segundo mês de 1274, Daishonin recebeu o indulto e partiu de Sado no mês seguinte, retornando a Kamakura. Após a terceira advertência aos governantes não ter sido considerada, Daishonin decidiu afastar-se de Kamakura mudando-se para as encostas do Monte Minobu, na província de Kai (atual província de Yamanashi). A região ficava sob a administração de Hakii Sanenaga que havia se tornado discípulo de Daishonin por meio das atividades de propagação promovidas por Nikko Shonin.

Reprodução/Foto-RN176 Desenhos ilustrativo no centro de seguidores do Buda Nichiren Daishonin – ilustração do JBS
9. No vigésimo primeiro dia do nono mês de 1279, vinte seguidores camponeses de Atsuhara, uma vila da província de Suruga, foram presos, acusados injustamente, e levados a Kamakura. Mesmo sendo intimidados e pressionados a abandonar a fé no Sutra do Lótus, todos perseveraram em sua crença.Por fim, os três irmãos Jinshiro, Yagoro e Yarokuro foram executados, e os dezessete restantes, expulsos da região que residiam. A série de perseguições centradas nessas repressões é chamada de Perseguição de Atsuhara. Observando o aspecto de não poupar a própria vida em prol da prática budista desses seguidores, Daishonin sentiu que as pessoas comuns, sem nenhuma posição social, haviam consolidado uma forte fé que poderia suportar qualquer tipo de perseguição.
10. Em sua juventude, Nichiren Daishonin fez o juramento seigan de se tornar o sábio a compreender a essência do budismo e libertar, fundamentalmente, todas as pessoas dos sofrimentos. A concretização desse juramento foi o objetivo fundamental que ele almejou durante toda a sua vida. Daishonin expôs o Nam-myoho-renge-kyo, a Lei fundamental para a iluminação de todas as pessoas, e elucidou as três grandes leis secretas — o objeto de devoção do ensinamento essencial, o santuário do ensinamento essencial e o daimoku do ensinamento essencial —, consolidando os alicerces do kosen-rufu para o eterno futuro.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração do buda Nichiren Daishonin – ilustração do JBS
11. No décimo terceiro dia do décimo mês de 1282, Nichiren Daishonin concluiu sua sublime vida de 61 anos vividos como devoto do Sutra do Lótus na residência de Ikegami Munenaka. Após o falecimento de Daishonin, Nikko Shonin herdou sozinho o espírito e as ações de não poupar a própria vida em prol do kosen-rufu do seu mestre. Atualmente, membros da Soka Gakkai em todo o mundo herdam o espírito de Nichiren Daishonin de propagar a prática do Nam-myoho-renge-kyo para a felicidade da humanidade.
Fonte:
Os Fundamentos do Budismo Nichiren para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2016. p. 12-19
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO










