Viver com o Gosho: volume 30-II (parte 3)

ROTANEWS176 08/11/2025  09:05                                                                                                                                                                                  

APRENDER COM A NOVA REVOLUÇÃO HUMANA

Dr. Daisaku Ikeda

Reprodução/Foto-RN176 Ilustração: Kenichiro Uchida

Sem as adversidades, não existiria devoto do Sutra do Lótus.

Um Barco para Atravessar o Mar de Sofrimentos1

Grandes obstáculos tornam-se fontes de eterna boa sorte

Na tarde de 13 de novembro de 1981, Shin’ichi Yamamoto participou do gongyo comemorativo alusivo ao 25º aniversário do Distrito Kochi. Reafirmando em seu discurso a inevitabilidade de grandes obstáculos no caminho do kosen-rufu, ele falou sobre a atitude adequada na fé.

— É justamente no momento das dificuldades que se conhece a essência da fé de uma pessoa. Existem pessoas que traem os companheiros, revelando seu coração covarde, e fogem. Há também pessoas que decidem em seu coração que “Agora é o momento da verdade” — e se levantam resolutamente. Essa diferença é definida pela trajetória de como veio polindo e fortalecendo a fé no dia a dia. Não há como estabelecer uma fé forte e destemida de um dia para o outro. Pode-se dizer também que o empenho contínuo e diário nas atividades da Soka Gakkai é para manter a fé inabalável nos momentos de adversidades com coragem. Nós somos mortais comuns, não passamos de pessoas do povo. Por essa razão, somos humilhados e perseguidos. No entanto, o que propagamos é a mais sublime e elevada Lei chamada “Lei Mística” e, por essa razão, podemos realizar sem falta o kosen-rufu. (…) [Nichiren Daishonin afirma:]

A Lei não se propaga por si mesma. Por ser propagada pelas pessoas, tanto a Lei como as pessoas tornam-se dignas de respeito.2

Portanto, “as pessoas de propagação” que expandem a suprema Lei conseguem trilhar uma suprema existência. Ser injuriado infundadamente e sentir raiva e revolta em prol do kosen-rufu e da Soka Gakkai, tudo se transformará em eterna boa sorte. Sem sermos aturdidos por palavras e ações de baixo nível, vamos até o fim ter uma suprema existência em exato acordo com os princípios do budismo!

(Capítulo “Brado da Vitória”)

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 33, 2020.

2. Nichiren Daishonin Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, p. 856.

Pode parecer que, por ter nascido nos domínios do governante, eu devia segui-lo em minhas ações. Porém, jamais o seguirei em meu coração.

O Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos1

O Estado existe para o bem do povo

Os escritos de Nichiren Daishonin oferecem uma base poderosa para os direitos humanos universais, como a liberdade de pensamento e de crença exemplificados na passagem do escrito A Seleção do Tempo.

Daishonin (…) declara:

Pode parecer que, por ter nascido nos domínios do governante, eu deva segui-lo em minhas ações. Porém, jamais o seguirei em meu coração.2

Essa frase também está incluída na publicação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), intitulada Direitos Originais do Homem.3

Essa é uma mensagem de Nichiren Daishonin de que as pessoas não são escravas do Estado ou da estrutura social. Nenhuma autoridade é capaz de acorrentar o espírito humano. (…) Obviamente, as nações e os governos possuem papel indispensável, e é importante que as pessoas contribuam da melhor forma possível para o seu país, pois suas condições influenciam fortemente a felicidade ou a infelicidade do povo. O ponto essencial é que o povo não existe em prol da nação ou de uma pequena parcela de líderes; a nação é que existe em prol do povo.

O que Nichiren Daishonin almejava era a felicidade das pessoas que lutavam contra os sofrimentos. Seu objetivo não era só o kosen-rufu de um único país, o Japão, mas a ampla propagação para todo o Jambudivpa [o mundo inteiro], isto é, o kosen-rufu mundial ou a paz e a felicidade de toda a humanidade. Quando nos voltamos para esse espírito de Daishonin, nasce em nós próprios a ideologia de coexistência harmoniosa de todas as pessoas, e da busca do bem comum da humanidade.

Em fevereiro de 1952, época em que se intensificavam as tensões entre Oriente e Ocidente num mundo dividido entre Estados Unidos e União Soviética, Josei Toda clamou por uma ideologia de “cidadania global”. Isso também expressava um pensamento budista.

Os membros da Soka Gakkai, que praticam o Budismo Nichiren, possuem uma filosofia de vida que considera todas as pessoas valorosas, iguais e possuidoras do direito de ser feliz. Quando veem o sofrimento de alguém, manifestam a empatia e o desejo de que a pessoa se torne feliz, e encorajam-na com espírito compassivo. Expandir a simpatia e compreensão para essa forma de pensar e de viver é o sólido movimento de base em prol da paz capaz de unir as pessoas do mundo.

(Capítulo “Juramento Seigan”)

(Traduzido da edição de 21 de julho de 2021 do Seikyo Shimbun, jornal diário da Soka Gakkai.)

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 605, 2020.

2. Ibidem.

3. Birthright of Man: A Selection of Texts [Direitos Originais do Homem: Uma Seleção de Textos]. Coletânea de Frases Inspiradoras sobre Direitos Huma-nos, Comemorativa do 20º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1968.

Fim da série.

Veja o vídeo da série “Aprender com a Nova Revolução Humana”, volume 30-II

FONTE: A NOVA REVOLUÇÃO HUMANA