ROTANEWS176 17/07/2025 00:10
Por Carlos Martins

Reprodução/Foto-RN176 Bombardeiro B-21 | Divulgação – Northrop Grumman
A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) confirmou que pelo menos dois bombardeiros furtivos B-21 Raider estarão em voo até 2026. Apesar de serem aeronaves inicialmente destinadas a testes, elas poderão ser rapidamente configuradas para missões de combate. Paralelamente, a USAF e o Congresso já destinaram recursos para ampliar a capacidade produtiva da Northrop Grumman em Palmdale, Califórnia — sem a necessidade de construir novas instalações.
Segundo a revista Air & Space Forces Magazine, que tem forte ligação com a própria USAF, o orçamento do ano fiscal de 2026 inclui um aumento no ritmo de produção do B-21. A maior parte dessa expansão será absorvida pela infraestrutura já existente na Planta 42 da Northrop Grumman e por uma rede de fornecedores de primeira linha.
Produção acelerada com infraestrutura existente
A decisão de acelerar a produção ocorre após a aprovação oficial, em janeiro de 2024, da chamada produção inicial de baixa cadência (LRIP), autorizada pelo subsecretário de Defesa para Aquisições e Manutenção, William LaPlante. Na ocasião, ele destacou que o B-21 foi projetado desde o início para permitir uma produção em série em larga escala, com foco na manutenção de uma dissuasão estratégica eficaz.
Em resposta a questionamentos da imprensa especializada, a USAF afirmou que a expansão da linha de montagem será feita dentro do campus da Northrop Grumman em Palmdale e em instalações de fornecedores de nível Tier 1. Estão envolvidos nomes como BAE Systems, Collins Aerospace, GKN Aerospace, Janicki Industries, Spirit AeroSystems e Pratt & Whitney — esta última responsável pelos motores do B-21.
Os recursos destinados não serão usados para construir novas fábricas, o que exigiria complexas exigências de segurança e infraestrutura. O foco será em novos equipamentos, melhorias de processos e treinamento de pessoal nas instalações já existentes.
Dos US$ 10,3 bilhões solicitados no orçamento de 2026 para o programa B-21 — incluindo pesquisa, desenvolvimento e produção —, o Congresso alocou US$ 4,5 bilhões especificamente para reforçar a capacidade industrial, como informa o portal parceiro Aviacionline.
A taxa exata de produção do B-21 permanece classificada, mas analistas estimam que deverá variar entre 7 e 8 unidades por ano. A meta oficial da USAF é adquirir pelo menos 100 aeronaves para substituir os bombardeiros B-1 e B-2 na próxima década. A base aérea de Ellsworth, em Dakota do Sul, será a primeira unidade operacional e de treinamento.
Aeronaves de teste com capacidade real de combate
A Força Aérea também reafirmou que os primeiros exemplares construídos — embora sejam usados em campanhas de testes — foram projetados para estar o mais próximo possível da configuração final de combate. Isso significa que podem ser rapidamente convertidos para missões reais com pequenas modificações, como a remoção de sensores de teste instalados no nariz da aeronave.
“Sim, o programa foi desenhado para produzir aeronaves de teste robustas, muito próximas do padrão final”, disse um porta-voz da USAF.
Apesar da confirmação de que haverá pelo menos duas unidades em configuração de teste em 2026, a Força Aérea não informou se essas aeronaves marcarão o início da Capacidade Operacional Inicial (IOC). A decisão caberá ao Comando de Ataque Global da USAF (AFGSC), e os critérios permanecem classificados.
Crescimento com cautela
Mesmo com os recursos adicionais, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general David Allvin, demonstrou cautela em expandir o programa em ritmo acelerado demais. Em audiência no Comitê de Apropriações do Senado, alertou que não se deve ser “excessivamente entusiasta” ao tentar ampliar demais a produção.
Em consonância, Tom Jones — vice-presidente da Northrop Grumman e líder da divisão aeronáutica da empresa — afirmou que a expansão da capacidade envolve aumento do espaço fabril, aquisição de ferramentas e reforço da cadeia de suprimentos. No entanto, ele criticou o modelo atual de contratos do Departamento de Defesa, que não permite recuperar investimentos antecipados em capacidades de produção emergenciais. Alterar essa lógica contratual, segundo Jones, permitiria acelerar de forma mais ágil a expansão em toda a indústria de defesa dos EUA.
FONTE: AEROIN










