O brilho das rainhas da felicidade       

ROTANEWS176 07/02/2026  11:10 

ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

O dia 27 de fevereiro, data do aniversário natalício de Kaneko Ikeda, assinala também o Dia da Divisão Feminina da BSGI.

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, na data em que foi instituído o Dia da Divisão Feminina da BSGI (Itapevi, SP, 27 fev. 1993). Ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: BS

Em 1993, durante a sua quarta visita ao Brasil, em meio a intensas atividades, o presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, surpreendeu a todos no auditório do Centro Cultural Campestre, em Itapevi, SP, ao anunciar que naquela data, 27 de fevereiro, instituía-se o Dia da Divisão Feminina da BSGI. O dia foi escolhido por marcar o aniversário de nascimento da esposa de Ikeda sensei, Kaneko, e se consagrou como uma das principais comemorações das integrantes da divisão junto com o dia 10 de junho, fundação da DF da Soka Gakkai, em 1951.

A vida de Kaneko Ikeda

Em 27 de fevereiro de 1932, no bairro de Ota, Tóquio, nascia Kaneko, a terceira de quatro irmãos. Ela conta que aprendeu com o comportamento de seus pais a valorizar o ser humano.

Ao nascer, por sugestão de seu avô, deram-lhe o nome de Kane. Quando ela se casou, por recomendação de Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, alterou seu nome para Kaneko. “Desde então tenho usado esse nome. Meus pais ficaram contentes e acharam que deveriam tê-lo escolhido desde o começo.”1

Mesmo crescendo em um lar alegre e feliz, Kaneko e seus familiares viveram os horrores da guerra. Seu pai trabalhava em uma fábrica de açúcar e precisou encerrar os serviços devido aos bombardeios. Com isso, a família teve de se refugiar em Gifu, cidade natal de seus pais, em 13 de abril de 1945. “Não há nada pior do que a guerra, que atira todas as pessoas no abismo da infelicidade. É uma tragédia que jamais deverá se repetir”,afirma Kaneko.

A família de Kaneko se converteu ao budismo em 12 de julho de 1941, motivada pela doença que acometeu a mãe dela após o nascimento da filha. Tempos depois, a saúde da mãe foi restabelecida e juntas atuaram com Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda nos primórdios da organização.

No decorrer das atividades realizadas na residência da família de Kaneko, por diversas vezes, agentes da polícia militar iam vigiá-los devido às intrigas que começavam a surgir contra a organização. Makiguchi sensei e Toda sensei foram presos injustamente mais tarde, e apenas Toda sensei saiu com vida da prisão, decidido a reconstruir a organização.

Após o fim da guerra, a família de Kaneko voltou para Tóquio. Para ajudar no sustento da casa, ela começou a trabalhar nos fins de semana em uma padaria. Também atuou por um ano e meio num hospital próximo à sua casa. Seu trabalho era esterilizar as seringas e os instrumentos cirúrgicos em água fervente e embrulhar as doses de remédios em pó, além de ajudar no controle dos convênios de saúde. Ela ainda exerceu funções em um banco.

O casamento e uma nova vida

Em outro recorte da história, a Soka Gakkai seguia firme no processo de reconstrução pós-guerra. Nosso mestre, Daisaku Ikeda, havia se convertido ao budismo em agosto de 1947, lutando lado a lado com Toda sensei.

Kaneko tinha 19 anos quando se encontrou com o jovem Daisaku e, em 3 de maio de 1952, um ano após a posse de Josei Toda como segundo presidente, eles se casaram.

Os anos que se seguiram marcaram o falecimento de Toda sensei, em abril de 1958, e dois anos depois houve a posse de Ikeda sensei, então com 32 anos, como terceiro presidente da organização. Kaneko estava com 28 anos e era mãe de três filhos, dedicando-se sempre à missão que abraçou.

A Sra. Kaneko afirma:

“As lamentações apagam a boa sorte e a recitação do daimoku com sentimento de gratidão constrói a felicidade por todo o futuro.” É uma frase que me motiva a buscar sempre o lado bom de todas as coisas. Sinto que essa disposição se tornou um hábito em minha vida.3

Mulher, grande mulher

Certa vez, Ikeda sensei disse:

Graças ao juramento e à dedicação de todas, o movimento da Divisão Feminina (DF) da Soka Gakkai se tornou a maior rede de solidariedade feminina do mundo pelo respeito à dignidade da vida e da paz deste século.4

Fundação da Divisão Feminina

Era 10 de junho de 1951, num restaurante francês no bairro de Shinjuku, em Tóquio, adornado com lírios-brancos, quando o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, junto com 52 pessoas, fundou a Divisão Feminina (DF). Foi uma atitude decisiva e repleta de coragem, pois, na época, a sociedade japonesa ainda vivia os conturbados dias do pós-guerra. O sofrimento dessas mães, filhas, companheiras era demasiadamente grande por serem as principais vítimas do conflito.

Contudo, Josei Toda acreditou na força das mulheres e se levantou decididamente junto com elas em prol da justiça e da felicidade.

Relembramos sempre com emoção o poema que ele dedicou às mulheres na ocasião da fundação da DF da Soka Gakkai:

São flores de lírios,

brancas e perfumadas

que aqui se reuniram;

são corações sublimes

num elo de amizades.5

Em junho deste ano, 2026, a Divisão Feminina completará 75 anos de fundação como a maior rede solidária feminina do mundo. Hoje, são milhões de companheiras de jornada e missão que avançam bravamente no movimento pelo kosen-rufu.

Notas:

1. IKEDA, Kaneko. Kaneko. Seu Sorriso, Sua Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2006. p. 18.

2. Ibidem.

3. Ibidem, p. 139.

4. Brasil Seikyo, ed. 2.326, 4 jun. 2016, p. A3.

5. IKEDA, Daisaku. Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 5, 2023. p. 90.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS