A missão dos sucessores

ROTANEWS176 16/03/2026  09:20 

ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Cerimônia que reuniu 6 mil jovens em torno do segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, no dia 16 de março de 1958, representa a ação do discípulo de concretizar os ideais do mestre

Reprodução/Foto-RN176 Jovem Daisaku Ikeda lidera apresentação de banda da Soka Gakkai. (Japão, mar. 1958). Fotos: Seikyo Press. Dr. Daisaku Ikeda, ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional – SGI – Foto jornal Seikyo Shimbun

Era o início do ano 1958. O objetivo de concretizar 750 mil famílias praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin, que o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, havia lançado em sua posse, fora atingido no fim de 1957. Sua saúde estava bastante debilitada, mas ardia em seu peito o forte desejo de delegar o futuro do movimento pelo kosen-rufu aos jovens. Decidiu materializá-lo na forma de uma cerimônia, um preparativo para o futuro.

O primeiro-ministro do Japão manifestou o desejo de visitar o templo principal na peregrinação de 200 mil membros, que seria realizada pela Soka Gakkai. Assim, foi decidido o dia da atividade: 16 de março. A data da cerimônia foi escolhida no dia 8 daquele mês, e a convocação para os participantes, feita três dias depois.

Para o jovem Daisaku Ikeda, essa atividade era um desafio. Além de cuidar dos detalhes, estava à frente do movimento de peregrinação diária durante o mês. Entretanto, o sincero desejo de corresponder ao mestre fazia com que usasse todas as suas forças, agindo com coragem e contagiando a todos.

Alvorecer da esperança

A chuva gelada tinha parado de cair na noite anterior à realização do evento. Porém, de manhã, havia nuvens e o frio ainda era intenso.

Milhares de jovens de Tóquio, de Kansai e de diversas outras localidades do Japão chegaram em meio à madrugada, sendo recebidos calorosamente pelos demais.

Os jovens foram surpreendidos pelo oferecimento de uma sopa de leitão, denominada tonjiru, preparada para eles. Aquecidos pelo gesto carinhoso do presidente Josei Toda, os participantes trocavam abraços, apertos de mão, conversavam e sorriam juntos. Era uma alegre visão do triunfo futuro.

Às 8 horas da manhã, 6 mil jovens estavam reunidos, prontos para receber instruções relativas à visita do primeiro-ministro japonês, o qual participaria da cerimônia.

O jovem Ikeda e outros líderes foram ao encontro de Josei Toda em seus aposentos no templo principal. Logo em seguida, o telefone tocou; era o primeiro-ministro. Dentro do quarto, eles ouviram a voz vigorosa de Toda sensei: “O que quer dizer com não poderá vir? Entende o que signifi-ca quebrar uma promessa? Seis mil jovens estão aguardando a sua vinda. São jovens de coração puro! Vai enganá-los?”. O primeiro-ministro disse que havia um problema diplomático e, por essa razão, não poderia comparecer, desculpando-se pela ausência.

Furioso, Josei Toda respondeu: “Não estou dizendo para pedir descul-pas a mim. Deve se desculpar com os jovens! Como ficará a sincera dedicação deles, que se prepararam para se encontrar com o senhor?”.1

Após colocar o telefone no gancho, Josei Toda permaneceu calado por um tempo e depois disse: “Mesmo que ninguém venha, realizaremos uma grande cerimônia com os jovens! Os jovens estão esperando. Pois bem, eu os incentivarei. Realizarei a cerimônia de transferência do bastão espiritual do kosen-rufu!”. Então, chamou Daisaku Ikeda e iniciou os preparativos finais.

O discípulo conduziu o mestre até o local em que se encontrava uma liteira construída para carregá-lo, pensando em sua saúde precária. Ao vê-la, Josei Toda esbravejou com uma voz que parecia um trovão: “Não se consegue lutar com algo tão grande assim!”. Essa rigorosidade era uma constante no mundo particular dos dois.

Sensei, compreendi muito bem”, disse o jovem Ikeda. O presidente Josei Toda respondeu de repente: “Compreendeu? Está bem!”. E, no mesmo instante, voltou a ter a sua feição de alegria. Sorrindo, subiu na liteira.

Aquele instante foi uma obra-prima da unicidade de mestre e discípulo. Josei Toda tinha uma sensibilidade aguçada e sabia dos sentimentos do seu discípulo. O que ele mais queria era treiná-lo em cada detalhe até o último momento. Estavam em perfeita sintonia.

Cerimônia do juramento

O jovem Ikeda faria a apresentação da reunião e, às 12h40, anunciou o início da atividade. Ele a conduzia atento a cada movimento do seu mestre, que ficava totalmente tranquilo quando seu discípulo estava por perto.

O discurso de Josei Toda fechou a cerimônia:

A Soka Gakkai é a monarca do mundo religioso. Isso significa sermos o monarca do pensamento e o monarca da filosofia. E mais, é sermos o monarca das pessoas e o monarca da paz, que seguirão liderando a sociedade e o mundo. É também sermos o monarca da justiça e o monarca da vitória, que seguirão triunfando sobre tudo. Nós temos a missão de concretizar, de qualquer maneira, o kosen-rufu. E é justamente essa missão que eu quero confiar a vocês no dia de hoje. Deixo o futuro em suas mãos. Conto com vocês para realizar o kosen-rufu!2

A cerimônia encerrou-se por volta das 14h30. O presidente Josei Toda subiu novamente na liteira e foi conduzido pelo jovem Ikeda. Os discípulos se concentraram novamen-te na frente do auditório para se despedir do mestre com uma grande salva de palmas. O Monte Fuji, que no período da manhã teve o cume encoberto pela névoa da primavera, abriu-se claramente. Após o término da reunião, Toda sensei disse: “Gostaria de percorrer todo o Japão nesta liteira construída sinceramente por vocês”.

Desde os preparativos até a conclusão da cerimônia do Dia 16 de Março, os jovens testemunharam a atuação conjunta de mestre e discípulo. A reunião foi um teste dado pelo mestre para a nova geração de discípulos. A atuação do jovem Daisaku Ikeda, que assumiu a responsabilidade por todo o evento, demonstrou, na prática, o que era ser o modelo de força jovem da Soka Gakkai. Sua atuação, inspi-rada na unicidade de mestre e discípulo, é o espírito imortal da nossa organização.

Semanas depois, no dia 2 de abril, Toda sensei faleceu após encarregar seus discípulos do cumprimento do kosen-rufu. Em especial, o jovem Daisaku Ikeda dedicou-se incansavelmente a con-cretizar todos os ideais do seu mestre. Tornou-se, enfim, o terceiro presidente da Soka Gakkai no dia 3 de maio de 1960, dando continuidade ao grandioso legado de Josei Toda e propagando o budismo pelo mundo.

Sobre o Dia 16 de Março, o presidente Ikeda expressa:

Reprodução/Foto-RN176 Participantes da cerimônia do Dia 16 de Março apreciam a sopa de leitão oferecida em sua chegada ao local (Japão, mar. 1958)

Dezesseis de Março é o “eterno dia da verdadeira causa”, em que se levantam os discípulos. Para mim, todos os dias são a partida com um novo objetivo, e todos os dias são “16 de Março”. Cada dia é um dia de renovado juramento seigan. Cada dia é o “16 de Março!” Seguindo o modelo do “16 de Março”, passei totalmente o bastão do espírito da Soka Gakkai aos jovens. Jovens que eu sempre amarei! Jovens em quem sempre confiarei! O século 21 é de vocês. Sua época chegou. Não tenho dúvidas de que sua época chegou.3

Levantando-se para corresponder a esse clamor do Mestre, os integrantes da Juventude Soka do Brasil atualmente se empenham para expandir aos jovens e a toda a sociedade os ideais humanísticos abraçados pela Soka Gakkai, contribuindo em seu respectivo local de atuação para construir um mundo de pleno respeito à dignidade humana.

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 2.629, 25 fev. 2023, p. 8-9.

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 511, mar. 2011, p. 62. 2. Ibidem, p. 63.

3. Ibidem, p. 64.

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN/BRASIL SEIKYO=JSS/JBS