ROTANEWS176 11/04/2026 08:00
NOVA REVOLUÇÃO HUMANA
Por Ho Goku
Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Reprodução/Foto-RN176 Paisagem de Kamakura associada à vida de Nichiren Daishonin com a ilha de Enoshima ao fundo – Ilustraçao: Kenichiro Uchida
Parte 121
Do ponto de vista da missão social de um religioso que deseja a felicidade da humanidade como própria da essência do ser humano, pode-se dizer que, em ações humanitárias, é imprescindível que haja cooperação mútua ultrapassando as fronteiras de filiação religiosa.
Para unir os esforços conjuntos em torno de uma questão, é preciso que haja respeito mútuo pela personalidade de cada pessoa, pelas suas crenças e pelos seus cenários culturais.
Originalmente, o desejo dos fundadores de cada religião sempre foi a realização da paz e da felicidade das pessoas, oferecendo-lhes soluções para os problemas e sofrimentos. Devemos manifestar respeito a esse espírito.
Usando, por exemplo, os quatro aforismos (em que Nichiren Daishonin refutou as escolas Nembutsu, Zen, Palavra Verdadeira e Preceitos), comumente as pessoas criticam Nichiren Daishonin considerando-o intolerante e hipócrita. Porém, Daishonin não rejeitou as escrituras que embasavam as outras escolas. Em seus escritos ele cita diversos sutras budistas para explicar, por exemplo, a real natureza do ser humano.
O Sutra do Lótus é um ensinamento para a iluminação de todas as pessoas e elucida o verdadeiro aspecto da vida. É um ensinamento perfeito e completo, o rei dos sutras. Em contrapartida, os demais sutras não ensinam a iluminação de todas as pessoas. Ou seja, eles não elucidam a vida em sua totalidade, mas apenas uma visão parcial. As escolas budistas da época de Nichiren Daishonin consideravam esses ensinamentos com visão parcial como absolutas, negando e rejeitando o Sutra do Lótus. Daishonin expôs esse erro fundamental utilizando-se de uma linguagem clara [dos quatro aforismos].
E, para esclarecer qual era o ensinamento que estava de acordo com a verdadeira intenção de Shakyamuni, ele buscou o diálogo e o debate com as outras escolas budistas. Sua única motivação era a felicidade de todas as pessoas. Porém, os sacerdotes dessas escolas budistas, que mantinham uma estreita relação com o governo militarista de Kamakura, rejeitaram o diálogo e espalharam rumores de infundadas acusações, levando as autoridades a tomar medidas contra Daishonin. Dessa forma, infligiram-lhe perseguições a ponto de ameaçar até a sua própria vida.
Mesmo assim, Daishonin declarou: “Oro para que, antes de tudo, eu possa conduzir e orientar o governante e aqueles que me perseguiram”.1 Em outras palavras, ele afirmou que queria, primeiro, conduzir ao estado de buda os líderes e sacerdotes do país que o perseguiram. Aqui se encontra o exemplo de modo de vida de um budista transbordante de compaixão e tolerância.
Esse espírito de querer aliviar o sofrimento das pessoas ensinando a elas o caminho da felicidade absoluta é a premissa básica de nossas ações como membros da SGI.
Parte 122
É perfeitamente natural que as pessoas de fé tenham orgulho e convicção de sua religião e compartilhem seus ensinamentos com os outros. Todavia, é preciso que haja humildade e espírito de autoaprimoramento para ouvir diferentes pensamentos e opiniões, com a disposição de aprender e de se tornar cada vez melhor. Além disso, a religião não pode ser fonte de ódio e conflito entre as pessoas.
A maior missão e a maior responsabilidade de um religioso na atualidade se encontram em fortalecer o compromisso de construir um mundo livre do flagelo da guerra e de unir os homens em torno do objetivo comum da concretização da paz e da felicidade da humanidade. Para atingir esse objetivo, as diferentes religiões devem se unir em esforços cooperativos e, ao mesmo tempo, se engajar no que o primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, chamou de “competição humanitária”, inspirando-se uns aos outros a melhorar, contribuindo ainda mais para o bem-estar da humanidade.
A Carta da SGI tornou clara a missão da Soka Gakkai Internacional de realizar a paz da humanidade. E com isso a SGI alçou voo ainda maior como religião mundial verdadeiramente humanística.
No ano seguinte, em 1996, continuaram as viagens pela paz de Shin’ichi Yamamoto. Em março, visitou Hong Kong, e do final de maio até o início de julho, viajou para as Américas do Norte e Central.
No dia 8 de junho, durante a sua viagem aos Estados Unidos, a Universidade de Denver, Colorado, outorgou-lhe o título de doutor honoris causa em educação.

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda é homenageado pela Universidade de Denver, nos Estados Unidos. Dr. Daisaku Ikeda, ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional – SGI – Ilustraçao: Kenichiro Uchida
No dia 13, Shin’ichi proferiu uma palestra sobre a educação do cidadão global na Faculdade de Professores da Universidade Columbia, em Nova York. Nela, ele definiu o cidadão global como uma “pessoa de sabedoria”, que reconhece a igualdade da vida; uma “pessoa de coragem”, que respeita as diferenças; e uma “pessoa de compaixão”, que possui empatia pela dor alheia. Argumentou que o bodisatva, conceituado no budismo, é o modelo desse tipo de pessoa, e a educação é uma tarefa de bodisatva para beneficiar a si mesmo e aos outros.
No dia seguinte, Shin’ichi visitou a sede das Nações Unidas em Nova York, onde num almoço dialogou com o subsecretário-geral, Yasushi Akashi, e com os embaixadores da ONU de diversos países.
A partir do dia 24 de junho, estava prevista a viagem de Shin’ichi para Cuba, a convite do Ministério da Cultura daquele país. Shin’ichi agia com coragem resoluta. A ação abre uma nova era.
Parte 123
Por volta de 1996, Cuba se encontrava em meio a rigorosas dificuldades tanto no aspecto econômico como político. Com o fim da Guerra Fria e o colapso do regime comunista na União Soviética e na Europa Oriental, Cuba perdeu seu mais poderoso defensor, a União Soviética, e seu isolamento se aprofundava. Além disso, em fevereiro de 1996, ocorreu um incidente no qual a força aérea cubana abateu dois aviões civis americanos, levando os Estados Unidos a aprovar no Congresso maiores sanções econômicas contra Cuba (Lei Helms-Burton). Dessa forma, as tensões aumentavam cada vez mais.
Shin’ichi decidiu em seu coração: “É por isso mesmo que, como alguém que almeja a paz mundial, preciso ir a Cuba. Lá existem pessoas… Quero contribuir para abrir o caminho do intercâmbio cultural e educacional com o país!”.
Em 17 de junho, uma semana antes de sua viagem para Cuba, Shin’ichi Yamamoto se reencontrou com o ex-secretário de Estado americano Henry A. Kissinger, em Nova York, estreitando sua antiga amizade. O Dr. Kissinger manifestou sua opinião sobre a melhoria das relações entre Estados Unidos e Cuba.
Shin’ichi declarou:
— Acredito que devamos agir com firme convicção e visão para o futuro, e não com base em rumores e interesses momentâneos de curto prazo. Penso que, dessa forma, devemos construir a ponte da paz no século 21.
Os dois homens dialogaram francamente.
Antes de viajar para Cuba, em 19 de junho, Shin’ichi voou de Nova York para Miami, onde visitou pela primeira vez o Florida Nature and Culture Center (FNCC) da SGI-Estados Unidos na Flórida e participou da 21a Convenção da SGI junto com representantes de 52 países e territórios.
Na tarde do dia 24 de junho, ele realizou sua primeira visita às Bahamas, que é constituída por setecentas ilhas no Caribe. Na época, não havia voo direto dos Estados Unidos para Cuba, e a única maneira era viajar através de um terceiro país.
Bahamas se tornou o 52o país visitado por Shin’ichi. Ali, dois membros, um homem e uma mulher, o aguardavam no aeroporto para cumprimentá-lo.

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda visita as Bahamas, Dr. Daisaku Ikeda, ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional – SGI – Ilustraçao: Kenichiro Uchida
Foi uma estada de cerca de quatro horas, mas Shin’ichi incentivou essas duas pessoas de todo o coração e dedicou-lhes um verso comemorativo:
Aqui também existe a SGI.
Viva a SGI-Bahamas!
Parte 124
Shin’ichi Yamamoto e comitiva partiram de Bahamas a bordo de um avião de fabricação soviética, que o governo cubano havia providenciado, rumo ao aeroporto internacional José Martí em Havana, capital de Cuba.
Quando desembarcaram logo depois das 17h30 do dia 24 de junho, eles foram recebidos pelo ministro da Cultura e sua esposa, além de várias autoridades do governo.
Shin’ichi agradeceu do fundo do coração e disse:
— Sou apenas um civil, cidadão comum do povo, mas, com coragem e ação, quero transformar a “divisão” entre pessoas e nações em “junção”. Para o bem do século 21, quero dedicar todos os esforços para abrir o caminho da paz.
A estada em Cuba seria de três dias com dois pernoites, mas Shin’ichi prometia no fundo do seu coração que fortaleceria os laços de amizade com o maior número possível de pessoas. Então, envolveu-se em cada atividade e em cada encontro com as pes-soas com o sentimento de dar tudo de si.
Às 16 horas do dia 25 de junho, Shin’ichi visitou a Universidade de Havana. Em uma cerimônia realizada no auditório da instituição, o ministro da Cultura, Armando Hart, entregou-lhe a homenagem nacional — Ordem Félix Varela de Primeiro Grau — por suas contribuições em prol do intercâmbio cultural.
Chamando Shin’ichi de “ativista incansável pela paz”, o ministro da Cultura disse que a homenagem era uma expressão de “solidariedade de pessoas que desejam a paz”.
Na sequência, foi realizada a cerimônia de outorga do título de doutor honoris causa em literatura pela Universidade de Havana para Shin’ichi, que então proferiu uma palestra comemorativa intitulada “Construindo uma Grande Ponte Espiritual para o Novo Século”.
No meio da cerimônia, os céus claros foram rapidamente
cobertos por nuvens, iniciando uma chuva torrencial. Um relâmpago brilhou no lado de fora das janelas do auditório com estrondoso som do trovão. A chuva refrescou o intenso calor tropical de Cuba, mas foi uma tempestade súbita e violenta.
Shin’ichi dirigiu-se ao microfone e começou a discursar:
— O trovão — que maravilhosa música dos céus! Os céus estão felicitando a grande marcha da humanidade rumo à vitória da paz com o retumbante rufar dos tambores. É uma grande sinfonia dos céus. E que chuva maravilhosa! Os céus estão nos ensinando que não devemos ser derrotados pelas dificuldades! Devemos avançar imponentemente em meio às tempestades de adversidade!
A plateia reagiu com uma grande salva de palmas, e todos sorriram. Um profundo sentimento compartilhado se espalhou no ambiente.
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.
Ilustrações: Kenichiro Uchida
Nota:
- Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 421-422, 2020.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO









