Menopausa e pré-menopausa: por que a musculação faz diferença

ROTANEWS176 27/04/2026 23:24

Por Maraísa Bueno

Reprodução/Foto-RN176menopausa-e-pre-menopausa-por-que-a-musculacao-faz-diferenca© freepik/Freepik

A pré-menopausa ou a própria menopausa são fases marcadas por alterações hormonais, que impactam metabolismo, composição corporal e cognição. E a prática de atividades físicas, como a musculação tem ganhado muito destaque no cuidado com a saúde feminina.

Modalidades que combinam força, agilidade e esforço contínuo, como musculação e treinos funcionais, vêm sendo associadas à melhora desses indicadores.

De acordo com Fabiana Berta, médica, pesquisadora e mestranda em climatério, esse estímulo se torna ainda mais relevante com o avanço da idade.

“A menopausa provoca uma reorganização hormonal, que é muito significativa para o corpo mulher. O exercício de maior intensidade atua como um regulador fisiológico, ajudando o organismo a responder melhor a essas mudanças”, afirma.

Um dos pontos centrais desse processo é a flutuação estrogênica, característica do período de transição para a menopausa. Os níveis de estrogênio deixam de seguir um padrão previsível e passam a oscilar de forma irregular, o que interfere diretamente no humor, no sono, na memória e no metabolismo. Essa instabilidade hormonal é responsável por parte dos sintomas percebidos pelas mulheres.

“Esse tipo de atividade impõe ao organismo uma exigência fisiológica elevada e constante. Com contrações musculares intensas e variação de estímulos, o corpo é levado a responder de forma mais eficiente, desencadeando adaptações hormonais importantes para o equilíbrio interno. A prática contínua contribui para modular essas respostas e reduzir os impactos da instabilidade hormonal”, comenta a especialista.

Atenção aos hormônios

Dentre os impactos da instabilidade hormonal, está o aumento da liberação do hormônio do crescimento, o GH. Produzido pela hipófise, o GH exerce papel central na regeneração celular, no ganho de massa muscular e na queima de gordura. Sua produção, no entanto, diminui progressivamente ao longo da vida adulta, com impacto mais evidente após os 40 anos.

“Sem estímulo adequado, a queda hormonal impacta diretamente energia, massa muscular e metabolismo. O exercício funciona como um gatilho para ativar mecanismos que o corpo já possui, mas que passam a operar em menor escala”, explica Fabiane.

Além do GH, os treinos intensos estimulam a liberação de testosterona em níveis adequados para o organismo feminino. Esse hormônio está associado à força, à disposição e à manutenção da massa magra. O conjunto dessas respostas contribui para um equilíbrio mais estável entre estrogênio e progesterona, ambos afetados ao longo da menopausa.

Canetas emagrecedoras x menopausa

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras, utilizadas no tratamento da obesidade e no controle metabólico, adiciona uma nova variável a esse cenário. Durante a menopausa, seu uso pode acelerar a perda de peso, mas sem o suporte da atividade física há risco de redução significativa de massa muscular. A composição corporal, nesse caso, tende a se tornar desfavorável.

“Esses medicamentos ajudam na perda de gordura, mas não atuam diretamente na preservação muscular. Sem treino de força e estímulo adequado, a mulher pode perder massa magra junto com a gordura, o que compromete metabolismo, força e saúde óssea. A atividade física entra como fator essencial para equilibrar esse processo”, afirma Fabiane.

Outro mecanismo relevante envolve a ativação da proteína mTOR, diretamente ligada à síntese proteica e ao desenvolvimento muscular. Esse processo é iniciado a partir das microlesões provocadas durante o exercício. Como resposta, o organismo se adapta e fortalece sua estrutura, preservando a funcionalidade ao longo do tempo.

Os efeitos do exercício não se limitam ao período do treino. Após a atividade, o organismo mantém o metabolismo acelerado para restaurar seu equilíbrio interno. Esse fenômeno é conhecido como EPOC, ou excesso de consumo de oxigênio pós-exercício, prolongando o gasto energético e os ajustes hormonais.

“A adaptação fisiológica se traduz em ganho de autonomia e prevenção de doenças associadas ao envelhecimento. O corpo interpreta o esforço como uma necessidade de reconstrução, melhora a qualidade muscular, protege a densidade óssea e reduz riscos como osteoporose e perda de força. A menopausa não precisa ser encarada como um processo de perda inevitável, já que, com estímulo adequado e orientação, é possível atravessar essa fase com mais estabilidade, qualidade de vida e maior controle sobre as mudanças hormonais”, conclui Fabiane Berta.

Exercícios físicos: menopausa com mais bem-estar

De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, André Camara, a combinação de exercícios resistidos e trabalhos aeróbicos é imprescindível para combater diversos problemas causados pela diminuição dos níveis de estrogênio na menopausa.

Segundo ele, os benefícios mais evidentes dessa rotina são observados na diminuição do risco de quadros problemas tais como as doenças cardiovasculares e as condições de Osteopenia e Osteoporose.

“Isso acontece porque a combinação de trabalhos de musculação e caminhada, por exemplo, atua diretamente na redução da gordura corporal, no aumento da massa muscular e manutenção da densidade mineral óssea. Isso sem falar na própria regulação hormonal”, afirmou o endocrinologista, antes de acrescentar que essas atividades também são fundamentais para a manutenção da saúde mental das mulheres.

“Se realizadas pelo menos três vezes por semana, essas práticas podem reduzir significativamente as chances de quadros de depressão e ansiedade”.

Vivendo na pele

Aos 71 anos, Maria de Fatima Taffo tem se apoiado na combinação de uma rotina de treinos de musculação, zumba e body balance com a disciplina na alimentação e no sono para experimentar esses benefícios na prática.

Para ela, os músculos adquiridos no treinamento são a razão pela qual ela não só não sofre com dores articulares, como também possui ótima flexibilidade e mobilidade.

“O exercício também me proporciona muito bem-estar, principalmente depois da prática, e me permite ter uma boa qualidade do sono”, relatou a idosa que vive na cidade de São Paulo e frequenta as academias da Smart Fit.

Acompanhamento profissional evita riscos e maximiza benefícios

Todos esses impactos positivos do exercício físico na menopausa não excluem, no entanto, a necessidade de um acompanhamento profissional multidisciplinar. Neste sentido, Camara destaca que, antes de começar a treinar, as mulheres devem passar por avaliação médica voltada a identificar possíveis contraindicações e, depois disso, seguir à risca o programa de treinos designado por educadores físicos.

Treinador da Smart Fit, Daniel Silva está habituado a receber alunas na menopausa e, com base nessa experiência, afirma que monitorar a intensidade e o volume de treino é um passo importante. Afinal, além de evitar sobrecargas e lesões, isso ajuda a manter a motivação em cenários nos quais a fadiga, a irritabilidade e as dores articulares são relativamente comuns.

“Também é recomendável incluir exercícios de resistência que visem o fortalecimento muscular e a manutenção da densidade óssea. Exercícios que fortalecem os músculos ao redor das articulações, como agachamentos, extensões de quadril e exercícios para os ombros (ex.: desenvolvimento), podem proporcionar maior estabilidade e suporte na região, reduzindo a carga sobre as articulações e aliviando a dor”, recomendou Silva.

No vídeo a seguir, você confere um treino de musculação focado em quem está na pré-menopausa ou menopausa:

FONTE: BOA FORMA