Há 125 milhões de anos desconhecido no Brasil: peixe pré-histórico achado no Nordeste muda teorias sobre a evolução marinha

ROTANEWS176 05/06/2026 09:30

Por Raony Salvador

Reprodução/Foto-RN176 Há 125 milhões de anos desconhecido no Brasil: peixe pré-histórico achado no Nordeste muda teorias sobre a evolução marinha

Um fóssil encontrado no Nordeste brasileiro está ajudando cientistas a recontar parte da história evolutiva dos peixes. Pesquisadores identificaram uma espécie até então desconhecida que viveu há cerca de 125 milhões de anos, quando os continentes ainda estavam se separando e o Oceano Atlântico começava a surgir.

O animal foi batizado de Gondwanacanthus decollatus. O estudo descrevendo a espécie foi publicado na revista científica Papers in Palaeontology. A descoberta ocorreu a partir de um exemplar preservado em uma coleção científica da PUC do Rio Grande do Sul, onde o material estava guardado havia mais de duas décadas.

O fóssil foi originalmente encontrado em São Miguel dos Campos, em Alagoas, na formação geológica Morro do Chaves, localizada na bacia sedimentar Sergipe-Alagoas. Os pesquisadores estimam que o peixe viveu entre 120 e 125 milhões de anos atrás, durante o início do período Cretáceo.

Um peixe antigo que se parece com espécies atuais

Mesmo sendo uma espécie extinta, o Gondwanacanthus decollatus apresenta características semelhantes às de diversos peixes atuais. Ele pertence ao grupo Acanthomorpha, que reúne espécies com espinhos nas nadadeiras, como robalo, garoupa, linguado e bacalhau.

Segundo os pesquisadores, o animal tinha corpo alto e arredondado, com cerca de 24 centímetros de comprimento na parte preservada. Suas nadadeiras possuíam espinhos verdadeiros e não segmentados, uma característica que permitiu classificá-lo dentro desse grupo evolutivo.

O nome escolhido para a espécie também revela detalhes da descoberta. “Gondwana” faz referência ao antigo supercontinente que reunia os atuais continentes do hemisfério sul. Já “acanthus” significa espinho. O termo “decollatus”, que quer dizer decapitado, foi usado porque o fóssil encontrado não possui a cabeça, perdida durante a coleta da rocha original.

A descoberta tem importância científica porque ajuda a preencher um vazio no registro fóssil conhecido como “lacuna de Patterson”, período em que quase não existiam evidências desse grupo de peixes.

Com o novo fóssil, os pesquisadores indicam que os peixes com espinhos nas nadadeiras já existiam cerca de 20 a 25 milhões de anos antes do que se imaginava, e que também estavam presentes no hemisfério sul durante a formação do Atlântico.

Além de ampliar o conhecimento sobre a evolução dos peixes modernos, o achado reforça o papel das bacias sedimentares brasileiras como áreas-chave para estudar a história da biodiversidade do planeta.

FONTE: REVISTA FÓRUM