ROTANEWS176 27/06/2026 09:20
NOVA REVOLUÇÃO HUMANA
Por Ho Goku

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artistico de ilustração da matéria – Ilustrações: Kenichiro Uchida
POSFÁCIO
Abre-se o portal da nova história. O sol do Budismo Nichiren se eleva reluzente no vasto céu do século 21 e a bandeira do humanismo Soka tremula em 192 países e territórios.
A Soka Gakkai veio abrindo a eterna correnteza do kosen-rufu mundial a beneficiar os 10 mil anos dos Últimos Dias da Lei, tornando verdadeiras as palavras de Nichiren Daishonin: “…poderia haver alguma dúvida de que a grande Lei pura do Sutra do Lótus será amplamente propagada no Japão e nas demais nações de Jambudvipa?”.1 Esta publicação marca a conclusão da série composta pela obra precursora, o romance Revolução Humana(doze volumes), e de sua continuação, a Nova Revolução Humana (trinta volumes), que narra o caminho desse juramento seigan pelo kosen-rufu e da construção da paz.
Desde que comecei a escrever a Revolução Humana no dia 2 de dezembro de 1964, passaram-se 54 anos, sendo 25 anos desde o início da Nova Revolução Humana. Certamente, meu venerado mestre, Josei Toda, está meneando a cabeça sorridente ao ver o diário do kosen-rufu da Soka Gakkai registrado com toda a devoção pelo discípulo.
O romance Revolução Humana inicia-se com a libertação de Josei Toda, em 3 de julho de 1945, que estava preso em decorrência da opressão do governo militarista, às vésperas da derrota do Japão na Guerra do Pacífico. Sucedendo os ideais do primeiro presidente Tsunesaburo Makiguchi, falecido na prisão lutando contra as forças opressoras do governo militarista, ele iniciou a reconstrução da Soka Gakkai praticamente arruinada, assumindo como segundo presidente da organização. Junto com seu discípulo, Shin’ichi Yamamoto, ele concretizou o propósito de sua existência, a conversão de 750 mil famílias, edificou os alicerces do kosen-rufu do Japão e faleceu em 2 de abril de 1958. O romance termina com a posse do seu sucessor, Shin’ichi, como terceiro presidente da Soka Gakkai.
Tomei a decisão de escrever a Revolução Humana, como romance biográfico de Toda sensei, com o intuito de esclarecer a verdade sobre o meu mestre que enfrentou inúmeros mal-entendidos e difamações da sociedade, e divulgá-lo ao mundo. Ao mesmo tempo, desejava registrar para a posteridade a verdadeira história do espírito Soka e o genuíno caminho da fé.
Quando a Revolução Humana, publicada inicialmente no jornal Seikyo Shimbun de 1º de janeiro de 1965, foi concluída no dia 11 de fevereiro de 1993, houve muitas vozes dos membros de todo o Japão ansiando pela continuação da série.
A verdadeira grandiosidade do mestre somente será comprovada observando como viveu e quais foram as realizações do discípulo sucessor. Para transmitir o espírito do venerado mestre pelo eterno futuro, seria imprescindível registrar o “caminho do discípulo” sucessor. Além disso, houve um forte pedido do Seikyo Press. E assim, decidi aceitá-lo, determinando em meu coração que escrever era minha missão.
Comecei a redigir a continuação da série que seria a Nova Revolução Humana no dia 6 de agosto daquele ano, no Centro de Treinamento de Nagano. Karuizawa, cidade em que se situa esse centro de treinamento, foi onde passei o último verão com Toda sensei em agosto de 1957, e também o memorável local em que firmei a profunda decisão de escrever um romance biográfico sobre o meu mestre. Além disso, 6 de agosto de 1993 era o dia em que 48 anos antes foi lançada a primeira bomba atômica do mundo em Hiroshima. Decidi começar a escrever a Nova Revolução Humana justamente nesse local e dia.
A obra anterior, Revolução Humana, foi iniciada em 2 de dezembro de 1964 nas terras de Okinawa, palco de uma terrível batalha terrestre durante a Guerra do Pacífico. Na abertura do romance, escrevi:
“Não há ato mais bárbaro do que a guerra!
Não existe outro fato mais trágico do que a guerra!”
Já na Nova Revolução Humana, comecei com a seguinte frase:
“Nada é mais precioso do que a paz. Nada traz mais felicidade do que a paz. A paz é o primeiro passo para o avanço da humanidade”.
O propósito do kosen-rufu mundial é, sem dúvida, a concretização da paz e da felicidade de toda a humanidade. Registrei essas duas linhas iniciais para eternizar o juramento como discípulo de transformar a história do século de “guerra” para o século de “paz”, sucedendo o espírito e os ideais do meu mestre e do mestre predecessor.
A Nova Revolução Humana começou a ser escrita quando eu estava com 65 anos. Minha previsão era concluí-la em trinta volumes. Seria um trabalho em meio a intensas atividades não só no Japão, mas no mundo. Estava ciente de que escrevê-la seria “uma batalha desafiadora contra o limitado tempo da minha própria vida”.
A série começou a ser publicada a partir da edição do Seikyo Shimbun datada de 18 de novembro de 1993.
Cada dia se tornou uma batalha de vida ou morte em que dedicava todas as minhas forças. Lembrando-me dos preciosos companheiros que se empenham bravamente na fé, no Japão e no mundo, extraía as palavras do fundo da minha vida e me dedicava à elaboração e à revisão do texto com o sincero sentimento de enviar uma carta de incentivo a cada pessoa. Era também uma tarefa que realizava dialogando em meu íntimo com o mestre. A voz do mestre ecoava em minha mente: “Transmita o espírito Soka para a posteridade! Cumpra a sua missão nesta existência!”. O cansaço se dissipava e emanava a coragem.
Terminei de redigir o último capítulo (sexto) do volume 30, “Juramento Seigan”, exatamente 25 anos após o início do romance, em 6 de agosto de 2018. O local também era o mesmo: o Centro de Treinamento de Nagano. Quando comecei a escrever esse capítulo, já havia determinado que a publicação final desta série no jornal seria no dia 8 de setembro, data em que Toda sensei pronunciou a Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, em 1957. Isso porque esse dia é o ponto primordial do movimento pela paz da Soka Gakkai. Percorri o mundo criando com os companheiros a correnteza humanística Soka para concretizar os ideais de paz do meu mestre. Em meu coração, o término da publicação em série do romance que narra a história desses sucessores só poderia ser nesse dia.
O romance Nova Revolução Humana inicia-se no momento da partida de Shin’ichi para sua primeira viagem internacional em 2 de outubro de 1960, cinco meses após ter assumido como terceiro presidente da Soka Gakkai, em 3 de maio. Enquanto edificava o castelo do kosen-rufu da canção triunfal do povo no Japão, plantava as sementes da paz chamada de Lei Mística nas visitas a 54 países e territórios e construía inúmeras pontes de intercâmbio educacional e cultural. A obra retrata os acontecimentos até novembro de 2001, ano do descortinar do novo século, um grande objetivo almejado pela Soka Gakkai.
Nesse ínterim, foi colocado um ponto-final na Guerra Fria entre Ocidente e Oriente que dividiu o mundo em dois. Além disso, a União Soviética, polo central de um dos dois blocos de potências, se desmantelou. Durante a Guerra Fria, Shin’ichi realizou inúmeros diálogos com intelectuais do mundo como o Dr. Arnold J. Toynbee, para descobrir um caminho para a integração humana. Num cenário em que se agravavam as divergências entre China e União Soviética, ele visitou repetidas vezes esses dois países e dialogou com o primeiro-ministro Aleksey Kosygin, da União Soviética, e com o primeiro-ministro Zhou Enlai, da China. Em sua visita aos Estados Unidos, dialogou também com o secretário de Estado Henry Kissinger. Além disso, conversou por diversas vezes com o presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, cultivando uma majestosa amizade.
O budismo, que prega a existência da natureza de buda inerente a todas as pessoas, é o grandioso princípio filosófico de respeito à dignidade da vida e de igualdade fundamental entre seres humanos. E a compaixão exposta pelo budismo é o modelo de humanismo. De fato, o budismo é a ideologia que transforma a descrença em confiança, o ódio em amizade, erradicando quaisquer conflitos para tornar realidade a paz perene. As viagens pela paz de Shin’ichi eram o próprio desafio de unir o mundo, adotando o humanismo da filosofia budista como base espiritual da época.
Para a Soka Gakkai que avança rumo ao kosen-rufumundial, um importante ponto de inflexão para seu impulso ainda maior foi a conquista triunfal da “independência espiritual” do clero da Nichiren Shoshu que se encontrava deteriorado, corrompido e preso a formalidades.
Com o único propósito de promover o kosen-rufu, o testamento de Nichiren Daishonin, a Soka Gakkai vinha suportando as injustas investidas dos sacerdotes em menosprezar os membros, e empenhava-se com toda a sinceridade na proteção do clero, desejando criar a harmonia entre clérigos e adeptos. Entretanto, o clero se dogmatizou e passou a usar o poder do manto para estigmatizar os patrimônios da humanidade, como a arte e a cultura, classificando-os como calúnias. À medida que o autoritarismo se acentuava, o clero passou a submeter os adeptos ao controle dos clérigos, cuja figura principal era o sumo prelado, além de promover uma infundada discriminação entre sacerdotes e leigos, contrariando o espírito de Daishonin e pisoteando os princípios expostos pelo budismo de respeito à dignidade da vida e de igualdade entre as pessoas.
Com isso, os fundamentos do Budismo de Daishonin seriam distorcidos e o deixaria distante de um ensinamento para concretizar a felicidade da humanidade e a paz do mundo. A Soka Gakkai se levantou para realizar a revolução religiosa advertindo o clero para que voltasse ao espírito primordial de Daishonin. Isso foi o estopim para que o clero da Nichiren Shoshu ordenasse a dissolução da Soka Gakkai, a organização do kosen-rufu que atua de acordo com o desejo e a ordem do Buda. E ainda, o clero notificou a excomunhão da Soka Gakkai.
O dia em que foi enviada essa notificação, 28 de novembro de 1991, se tornou a data comemorativa da “independência espiritual” em que a Soka Gakkai se libertou das correntes do clero. As nuvens escuras que impediam o avanço da organização foram dissipadas e de repente se abriu o grandioso caminho do kosen-rufu. Era o amanhecer do radiante alçar voo rumo ao século 21 como uma genuína religião mundial.
O tema dos romances Revolução Humana e Nova Revolução Humana é “Seja como for, a grandiosa revolução humana de uma única pessoa um dia impulsionará a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade!”.
Então, como realizar a transformação do destino?
A iluminação de Toda sensei na prisão foi o que indicou o caminho para essa transformação. Na prisão, desejando compreender a verdadeira essência do Sutra do Lótus, ele iniciou sua compenetrada leitura e a recitação do daimoku. Com isso, alcançou a percepção de que esteve na Cerimônia no Ar revelada no Sutra do Lótus junto com Nichiren Daishonin e que era um bodisatva da terra a quem foi confiado o kosen-rufu dos Últimos Dias da Lei. Sentindo, assim, a maior das alegrias, jurou dedicar toda a sua vida ao kosen-rufu.
Nos escritos de Nichiren Daishonin consta: “Se tiver a mesma mente que Nichiren, o senhor deve ser um bodisatva da terra”.2 Nós, que vivemos pelo kosen-rufu em exato acordo com o testamento de Daishonin, somos, sem dúvida, bodisatvas da terra. Contudo, porque nós que somos esses sublimes bodisatvas que cumprem a nobre tarefa do kosen-rufu, nascemos com variados carmas de sofrimento?
No capítulo “O Mestre da Lei” [10º] do Sutra do Lótus consta a seguinte passagem:
Rei dos Remédios, deve saber que essas pessoas renunciam voluntariamente à recompensa merecida pela pureza de suas ações, e por se compadecerem dos seres vivos, elas nascem neste mundo maléfico após eu ter entrado em extinção para expor amplamente este sutra.2
O grande mestre Miaole interpretou essa passagem como “carma adotado pelo próprio desejo”.
Exatamente de acordo com esse princípio [de “carma adotado pelo próprio desejo”], nascemos neste mundo maléfico dos Últimos Dias da Lei com variados destinos, tais como de doença, de dificuldade financeira, de desarmonia familiar ou ainda de solidão e de sentimento de inferioridade, com o juramento seigan de salvar as pessoas imersas no sofrimento. Contudo, quando recitamos Nam-myoho-renge-kyo, empenhamo-nos na prática individual e altruística e vivemos em prol do kosen-rufu, surge plenamente a vida de bodisatva da terra e a extraordinária condição de buda dentro de nós. Assim, manifestamos em nossa vida a sabedoria, a coragem, a força, a esperança e a alegria para ultrapassar quaisquer sofrimentos ou dificuldades. O ato de vencer resolutamente as intempéries do destino comprovará a justiça e a grandiosa força do budismo, possibilitando promover o avanço do kosen-rufu. Ou melhor, nascemos carregando sofrimentos e dificuldades nas costas exatamente com essa finalidade.
Em outras palavras, o destino e a missão são os dois lados de uma mesma moeda. O destino se torna propriamente a nobre missão específica da pessoa. Por isso, quando vivemos pelo kosen-rufu, não há absolutamente nenhum destino que não possa ser transformado.
Todos são bodisatvas da terra e possuem o direito de ser felizes. Eles são os protagonistas e os extraordinários atores do grande drama que transforma as nevascas do inverno em primavera ensolarada e o sofrimento em alegria.
O enredo do romance Nova Revolução Humana se desenvolve com base nesse princípio de que “destino é missão”. A essência do ensinamento budista não se detém a uma visão estática dos acontecimentos, mas revela o dinamismo da vida capaz de transformar quaisquer aspectos por meio de princípios tais como “desejos mundanos são a iluminação”, “os sofrimentos da vida e da morte são o nirvana”, e “transformação do veneno em remédio”, entre outros. Identifica nas profundezas da vida de uma pessoa mergulhada no sofrimento sua condição de buda. Buda, por sua vez, indica o caminho para despertar e manifestar o sublime bem, a criatividade e o protagonismo inerentes à vida de todas as pessoas. Chamamos esse empreendimento de transformação da vida de “revolução humana”.
Os protagonistas da construção da sociedade, da nação e do mundo são os próprios seres humanos. O ódio ou a confiança, o desprezo ou o respeito, a guerra ou a paz são todos produtos da determinação em um único momento do ser humano. Portanto, não é possível conquistar a felicidade pessoal, nem a prosperidade da sociedade, nem a paz perene do mundo, sem a realização da revolução humana. Sem esse ponto essencial, todo o esforço empreendido resultará em castelo de areia. Certamente, a filosofia da “revolução humana” embasada no budismo será o novo guia da humanidade que já iniciou o terceiro milênio.
“Um espírito imortal requer uma ação igualmente imortal.”4 Essas são célebres palavras do escritor russo Liev Tolstói. Meu profundo desejo é que os membros da Soka Gakkai façam da conclusão do romance Nova Revolução Humana um novo ponto de partida, levantando-se como “Shin’ichi Yamamoto”, e escrevam sua própria história brilhante da revolução humana, empenhando-se pela felicidade dos amigos por meio de ininterruptas ações indomáveis.
Enquanto houver infortúnios e tristezas no mundo, devemos desenvolver ainda com mais bravura e brilhantismo a magnífica ilustração da vitória do ser humano chamada kosen-rufu. Isso quer dizer que nossa jornada de mestre e discípulo do juramento seigan prosseguirá.
Para concluir, manifesto minha sincera gratidão ao falecido Sr. Kaii Higashiyama pelas pinturas de capa, ao Sr. Kenichiro Uchida por se encarregar das ilustrações por longos 25 anos, às equipes de edição e publicação do Seikyo Press, às demais pessoas envolvidas e a todos os leitores. Muito obrigado.
Autor
8 de setembro de 2018
No dia da publicação
conclusiva do romance
Nova Revolução Humana
no jornal Seikyo Shimbun.
Na sede central da Soka Gakkai em Shinanomachi, Tóquio
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.
Notas:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 574, 2020.
2. Ibidem, p. 404.
3. The Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai,, p. 200.
4. Obras Completas de Liev Tolstói, v. 45 (edição em russo).
Fim do volume 30 e do romance Nova Revolução Humana.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










