A força da determinação
ROTANEWS176 22/08/2026 08:00
ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL SEIKYO SHIMBUN E JORNAL BRASIL
SEIKYO=JSS/JBS
A histórica Campanha de Osaka completa setenta anos como marco e fonte inspiradora do movimento humanístico Soka

Reprodução/Foto-RN176 Ao lado dos membros, Ikeda sensei inscreve ideogramas com a expressão “Batalha Destemida” (Yusen), na antiga sede da Soka Gakkai de Kansai, durante a Campanha de Osaka (Japão, 1956). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: Seikyo Press
A Campanha de Osaka, de 1956, também conhecida historicamente como Campanha de Kansai, representa um dos episódios mais marcantes da história da Soka Gakkai. Liderada pelo jovem Daisaku Ikeda, aos 28 anos, e sob orientação do seu mestre, segundo presidente da organização, Josei Toda, essa iniciativa não apenas redefiniu a trajetória de expansão do Budismo de Nichiren Daishonin no Japão, mas também consagrou os princípios de unicidade de mestre e discípulo e da relação humanística que sustentam a Soka Gakkai Internacional (SGI) até hoje e por todo o futuro.
Em meados da década de 1950, o Japão ainda vivia os desdobramentos da reconstrução econômica e social pós-Segunda Guerra Mundial. A Soka Gakkai, sob a liderança visionária de Toda sensei, havia estabelecido a meta de alcançar 750 mil famílias praticantes para consolidar a base de uma sociedade de paz. Enquanto o movimento pelo kosen-rufu na região de Kanto, onde se localiza Tóquio, registrava um crescimento vigoroso, na região de Kansai, centralizada em Osaka, as atividades e os resultados ainda estavam longe do ideal.
Para reverter esse cenário e apoiar os membros locais, Josei Toda designou seu jovem discípulo, Daisaku Ikeda, como responsável por liderar o movimento em Osaka. O desafio era colossal: fortalecer a organização local, aprofundar a prática da fé dos membros e impulsionar a propagação do budismo em prol da transformação social.
“Eu realizarei”
O presidente Ikeda relembra que, na época, disse a Toda sensei, recém-empossado segundo presidente da Soka Gakkai: “Ao pensar no futuro do kosen-rufu do Japão, devemos estabelecer, quanto antes, um distrito na ‘capital do povo’, Osaka”.1 Prontamente, o presidente Josei Toda respondeu: “Está bem. Então, vá você, Daisaku, e o construa com as próprias mãos”.2
O jovem Ikeda se ofereceu para realizar a tarefa considerada por todos como impossível. Essa vitória, da transformação do impossível em possível, foi conquistada pelo espírito espontâneo do Mestre de “Eu realizarei”.
Anteriormente, desde setembro de 1954, como explanador responsável pelo Departamento de Estudo do Budismo, Daisaku Ikeda passou a ir mensalmente a Kansai para promover reuniões de estudo. Já visualizando a importância do desenvolvimento dos membros locais, começou a criar um profundo elo com eles.
Estratégia da vitória
Na tarde de 4 de janeiro de 1956, Ikeda sensei chega a Kansai a bordo do trem expresso Tsubame, realizando a primeira visita à recém-adquirida sede da localidade. Na reunião de partida do movimento, ele incentivou: “Devemos iniciar com uma firme oração. Quando todos se unirem na oração e a direcionarem ao Gohonzon, o caminho da transformação do impossível em possível se abrirá, expandindo rápido e radiantemente”.3
Aliada à recitação resoluta do Nam-myoho-renge-kyo, ele estabeleceu como base o estudo do budismo, fundamentando a ação prática na compreensão filosófica de que cada ser humano possui a condição de buda inerente.
Tanto durante aquela primeira visita como em sua segunda ida a Kansai, dez dias depois, Ikeda sensei realizou reuniões de perguntas e respostas, esclarecendo dúvidas e questionamentos dos candidatos ao Departamento de Estudo do Budismo. Em sua terceira visita, no fim do mesmo mês, foi o responsável pela entrevista do Exame de Budismo.
A partir de fevereiro, outro ponto importante começou a ser posto em prática. Foram promovidos intensos movimentos de orientação individual aos membros de Kansai. A atenção estava voltada para o fortalecimento da fé dos membros, com a consequente comprovação da transformação da própria vida e o desenvolvimento da organização. O presidente Ikeda se dedicava ao máximo às orientações individuais e participava de várias reuniões de palestra.
Esses intensos esforços geraram uma onda que se transformou na força propulsora para a decolagem da inédita campanha de expansão, que se iniciaria em março.

Reprodução/Foto-RN176 Comunidade Okayama, pertencente ao Distrito Osaka, recebe pela primeira vez o jovem Daisaku Ikeda (8 out. 1956). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: Seikyo Press
Paralelamente, a luta incansável do Mestre se estendia a várias frentes: reestruturação da organização para que os membros participassem das atividades próximo à localidade em que residiam; atuação conjunta entre jovens e veteranos; capacitação dos líderes — implantação de comunicação mais rápida, eficiente e transparente em todos os níveis; entre outras.
Dois eram os pilares dessa atuação: “Em vez de se preocupar em vencer a batalha, vença a si próprio” e “O ataque é a melhor defesa”. O presidente Ikeda comenta: “Não há como conseguir vencer uma batalha sem antes vencer a si mesmo. Isso se chama oração. E também, o ataque é a melhor defesa. Isso significa ação. Aprendi essas lições com o presidente Toda”.4 As orientações de Ikedasensei sempre emanavam a sabedoria a ele transmitida por seu mestre.5
Entretanto, o ponto fundamental de qualquer ação era o aprimoramento, o bem-estar e a felicidade de cada pessoa. Em vez de se basear em estratégias burocráticas ou buscar metas rígidas, o foco dele era a transformação interior de cada membro. Sensei percorreu incansavelmente os bairros de Osaka e de cidades vizinhas, dialogando em pequenos grupos, visitando pessoas doentes ou desencorajadas e ouvindo suas dificuldades.
Transformar o impossível em possível
Os esforços contínuos e o entusiasmo contagiante do Mestre tocou o coração dos membros, que se mobilizarem intensamente, culminando com um triunfo sem precedentes. Em maio de 1956, a organização de Kansai registrou a conversão de 11.111 novas famílias ao Budismo Nichiren em um único mês.
Esse feito representou uma conquista histórica sem paralelos para a Soka Gakkai, demonstrando o potencial transformador do engajamento pautado pela empatia, pela determinação e pela união de “diferentes em corpo, unos em mente” (itai doshin). Foi o trampolim para a cristalização do objetivo de 750 mil famílias pouco mais de sete anos depois de ter sido lançado por Toda senseiem 1951.
Dois meses depois, nas eleições para a Câmara Alta do Parlamento japonês, a candidatura apoiada pela organização em Osaka obteve uma vitória surpreendente, contrariando todas as previsões dos analistas políticos da época. O feito consolidou a expressão “Kansai de Contínuas Vitórias”, lema eterno e espírito primordial dos membros da região.

Reprodução/Foto-RN176 Jovem Daisaku Ikeda discursa na Convenção Conjunta dos Distritos Osaka e Sakai, realizada no auditório do Centro Cívico de Nakanoshima, em Osaka, região de Kansai (Japão, 19 fev. 1956). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: Seikyo Press
Legado e missão
A Campanha de Osaka transcendeu a condição de apenas um movimento de expansão da organização, para se tornar um modelo de avanço e de criação de valores da Soka Gakkai. O evento estabeleceu o conceito segundo o qual aquilo que parece ser impossível pode ser alcançado, e até superado, por meio da fé inabalável, da ação concreta e do cuidado genuíno com o indivíduo.O diálogo e encorajamento pessoal aperfeiçoados daquele movimento em diante inspiraram a subsequente expansão do budismo e da Soka Gakkai para mais de 192 países e territórios, com Ikeda sensei à frente.
A campanha permanece como divisor de águas na história da Soka Gakkai, simbolizando a força da relação de unicidade de mestre e discípulo, bem como o poder do esforço de cada pessoa quando direcionado para o respeito pela dignidade da vida e para a construção do bem-estar coletivo, com base nos ideais humanísticos Soka.
Ao relembrar a Campanha de Osaka, Ikeda sensei enfatiza:
Independentemente das situações com as quais nos deparemos, desde que tenhamos uma forte e resoluta oração, sem falta, rompemos as barreiras e abrimos caminhos. Essa fé torna possível o impossível. Por isso mesmo, em questão da fé, não devemos recuar nenhum passo sequer. A “transformação do veneno em remédio” é uma certeza. Devemos avançar com força, sabedoria e radiante otimismo.6
Incentivos aos líderes
A seguir, alguns episódios ocorridos durante a histórica luta de Ikeda sensei durante a Campanha de Osaka, em 1956
Ikeda senseiorientava detalhadamente os companheiros sobre como proceder numa orientação: “Numa reunião grande, devem estar conscientes de três pontos. O primeiro é transmitir ‘como é bom realizar a prática da fé’. O segundo ponto é ‘falar de modo que as pessoas tenham esperança de que o futuro está sendo descortinado’. E terceiro, ‘deve-se ensinar sobre a rigorosidade da prática budista’. Se for apenas rigoroso, as pessoas ficarão tensas, e se falar somente de esperança, fará com que permaneçam na ilusão. Numa orientação, deve-se falar, combinando esses três pontos”.
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Em outro momento, ele incentivou: “A organização é definida pela determinação do líder central. Pensem no exemplo de um pião. É pelo fato de a ponta estar firme que ele gira. O mesmo ocorre numa organização. Uma organização se torna dinâmica e cheia de vida quando é liderada por uma pessoa fervorosa na prática da fé, que atua de forma comprometida”.
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O presidente Ikeda estava caminhando com alguns jovens no Parque Sanada, situado próximo à sede de Kansai. Os botões das flores de cerejeira estavam crescendo. Disse um dos jovens: “Mestre, estou ansioso para ver o desabrochar das flores de cerejeira”.
Então, Ikeda sensei perguntou: “Você sabe por que a flor de cerejeira só abre com a chegada da primavera?”. O jovem respondeu: “Isso é lógico!”. De imediato, o presidente Ikeda fez outra pergunta: “Essa é a lógica da natureza, mas como isso se configura se pensarmos em termos de organização?”. Os jovens se puseram a refletir.
Ele disse então: “A cerejeira, mesmo que queira fazer desabrochar as flores no inverno, não pode fazê-lo por causa do frio. Na organização acontece da mesma forma. Se os líderes forem frios, ela não desabrochará; ou seja, não florescerão os novos valores. Em torno de líderes calorosos é que os valores florescem e se tornam frutos”.
Os jovens concordaram do fundo do coração.
Fonte: Terceira Civilização, ed. 498, fev. 2010, p. 30-41.
Fontes:
Terceira Civilização, ed. 498, fev. 2010, p. 30-41.
Seikyo Shimbun, ed. 1º jul. 2026.
Notas:
1. Terceira Civilização, ed. 498, fev. 2010, p. 32.
2. Ibidem.
3. IKEDA, Daisaku. Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 10, p. 218, 2025.
4. Terceira Civilização, ed. 498, fev. 2010, p. 34.
5. Ibidem.
6. Brasil Seikyo, ed. 2.264, 28 fev. 2015, p. A2.
Saiba mais
Série da revista Terceira Civilização, em três partes, traz mais detalhes sobre a Campanha de Osaka.
Parte 1 Ed. 498, fev. 2010.
Parte 2 Ed. 499, mar. 2010.
Parte 3 Ed. 500, abr. 2010.
FONTES: JORNAL SEIKYO SHIMBUN E JORNAL BRASIL SEIKYO=JSS/JBS



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