Agora é a vez dos discípulos
ROTANEWS176 12/09/2026 09:00
ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO JORNAL BRASIL SEIKYO “ CASTELO DOS TRÊS MESTRES SOKA”

Reprodução/Foto-RN176 Belo ipê-amarelo plantado por Ikeda sensei em 1984 emoldura o Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda em São Paulo, SP. Foto: BS. Dr. Daisaku Ikeda Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional
Marcos da trajetória inicial da BSGI e inspirações para cultivar um coração puro e invencível
“A BSGI é o ‘pilar’ do kosen-rufu do mundo.
A BSGI são os ‘olhos’ da justiça Soka.
A BSGI é a ‘grande nau’ da união de ‘diferentes em corpo, unos em mente’ do mundo.”
Denominações dedicadas pelo presidente Ikeda em sua mensagem de felicitações comemorativa do 55º aniversário de fundação da BSGI, publicada no Brasil Seikyo, ed. 2.296, 24 out. 2015, p. A1.
A união sempre nos fortaleceu. Veteranos, membros e até simpatizantes que chegam à organização aprendem, na prática, a força do princípio de “diferentes em corpo, unos em mente” (itai doshin) no desenvolvimento individual e coletivo.
Em outubro, a BSGI completa 66 anos de história, sustentada por essa união indestrutível que nos representa. Entre as atitudes proativas de seus integrantes, destaca-se a luta individual para superar as tendências negativas da vida e a construção de um ambiente de compreensão, tolerância, respeito mútuo e compromisso com o bem-estar de todos, sempre com base em uma oração profunda e sincera.
Há muitas fontes de inspiração. Como obras de vida, o presidente Ikeda deixou para todos a Revolução Humana e a Nova Revolução Humana, esta última escrita ininterruptamente ao longo de 25 anos. Elas constituem um verdadeiro guia da prática da fé: acompanham a trajetória da Soka Gakkai; a jornada do Mestre pelo mundo, seus encontros e histórias reais de vanguardistas do movimento humanístico Soka.
São episódios reais, pelos quais aprendemos com as vitórias de pessoas comuns que transformaram a vida por meio da prática da fé; com encontros que marcaram a história do movimento pela paz mundial; e também com o desfecho trágico e solitário daqueles que tentaram romper a união diamantina dos membros Soka. Está tudo registrado ali.
Nesta edição, este Especial chega para alinhar nosso coração ao marco dos 66 anos da BSGI e ir além dele, rumo a 2030, ano do centenário da Soka Gakkai. Convidamos você, leitor, a revisitar nossa história e a refletir sobre os principais símbolos da jornada inicial da BSGI, assinalada por desafios superados, um a um, pela força da relação de mestre e discípulo — relação que nos conecta ao nobre propósito de lutar pela própria felicidade e pela felicidade do outro: o kosen-rufu.
Coragem
A jornada intrépida da BSGI começa com Ikeda sensei ensinando, por meio do próprio exemplo, o símbolo da coragem. “Contudo, eu irei!” foi a frase que expressou seu juramento de cumprir, a qualquer custo, a promessa feita a seu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda. Em 19 de outubro de 1960, a BSGI foi fundada por ele. Mais de seis décadas depois, vemos esse ensinamento de vida sendo posto em prática. “Contudo, eu venci!” é uma determinação que ouvimos e lemos nos relatos vitoriosos de membros de todo o país, fundamentados na convicção inspirada no Mestre.
Se, na primeira visita, o desafio foi vencer a doença; na segunda, em 1966, Ikeda sensei demonstrou coragem ao lidar serenamente com a falta de conhecimento das autoridades sobre a BSGI, influenciadas por aqueles que a viam com desconfiança. No volume 11, da Nova Revolução Humana, lemos a consideração do Mestre sobre esses acontecimentos.
— A Soka Gakkai do Brasil teve grande desenvolvimento e já está singrando pelo imenso mar do kosen-rufu. Por esse motivo, os ventos se tornam mais fortes e as ondas, mais altas. Isso está de acordo com a frase dos escritos: “À medida que a prática avança e a compreensão aumenta, os três obstáculos e as quatro maldades surgem de forma desconcertante disputando entre si para interferir”.2 Podemos dizer que a prática da fé dos membros do Brasil amadureceu e, por isso, estão surgindo obstáculos.3
De fato, o número de membros, que no início de 1965 era de cerca de 2.500 chegou a 8 mil em 1966, impulsionado pela alegria de compartilhar as comprovações com os amigos. Durante a sua breve permanência no Brasil, o presidente Ikeda conseguiu proteger a organização ao esclarecer os fatos à imprensa e revelar o verdadeiro propósito da Soka Gakkai. Mais uma vez, os membros se uniram. Com a forte convicção dos veteranos à frente da organização, foi possível superar uma nova onda de dificuldades quando, em 1974, Ikeda sensei teve seu visto de entrada no país recusado. No festival dos jovens preparado para recebê-lo, assim como nas localidades, os membros choraram a sua ausência, mas mantiveram o coração determinado a trazê-lo ao Brasil a todo custo.
Veteranos de fé pura
A força dos jovens daquela época, que se tornaram veteranos, transformou-se num precioso símbolo do esforço grandioso para consolidar uma organização forte, formada por pessoas felizes e dedicada a corresponder ao desejo do Mestre. Dezoito anos depois, foi impossível conter as lágrimas de alegria ao ver Ikeda sensei entrar no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, SP, com os braços erguidos, feliz pelo reencontro com seus genuínos discípulos, que haviam vencido tudo com base na união indestrutível.
Reprodução/Foto-RN176 Ikeda sensei acena para o público durante ensaio geral do Festival Cultural-Esportivo no Ginásio do Ibirapuera (São Paulo, 25 fev. 1984). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: Seikyo Press

Vencer as ondas
É inevitável recordar um dos trechos do denso poema Observando A Nona Onda, no qual o presidente Ikeda declara: “Não há nada que destrua / o coração do ser humano”. A íntegra está nesta edição para que todos possam senti-la e aplicá-la nos momentos de dificuldade, alinhando também nosso coração ao grande movimento pelo kosen-rufu, alvo das ondas obstrutivas que atacam infalivelmente.
Foi vencendo essas ondas, uma a uma, que a BSGI comprovou a célebre frase do buda Nichiren Daishonin: “Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá”.4 Seus integrantes passaram a experimentar cada vez mais a força do budismo, a compartilhá-la com os amigos e a ver os jovens assumirem a linha de frente do movimento de expansão do budismo da esperança. Juntos, receberam Ikeda sensei em sua quarta visita ao Brasil, em 1993. Naquela ocasião, as homenagens prestadas a ele por instituições brasileiras — como o título de sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras (ABL) — tornaram-se memórias guardadas com profunda gratidão no coração de todos.
Cumprir o juramento
O desejo do Mestre de firmar sua confiança e suas expectativas permanece gravado para sempre. Esse é um dos maiores símbolos do seu legado. Em 22 de julho de 2001, nasceu, no Japão, o profundo poema Brasil, Seja Monarca do Mundo!, de autoria do presidente Ikeda. Em versos emocionantes, ele retrata momentos de sua quarta visita ao país, em 1993, a história vitoriosa da BSGI e as diretrizes eternas para seus integrantes. De modo inédito, dedicou ao Brasil a denominação “monarca”, abraçada por todos os membros da organização como eterno modelo de atuação.
Corresponder a essa expectativa de Ikeda sensei é o que une os discípulos genuínos. Ele dedicou esforços abnegados para comprovar a legitimidade do Budismo Nichiren e da Soka Gakkai, ensinando-os, por meio do próprio exemplo, que tudo começa com a oração, o fortalecimento do estudo e a prática — para si e para o outro.
Em artigo intitulado “A Força da Soka Gakkai se Encontra no Coração que Manifesta Louvor”, o presidente Ikeda reflete sobre o princípio da unicidade entre a própria pessoa e as demais. Ele afirma:
Por que a Soka Gakkai se tornou vitoriosa? É porque ela veio avançando em exato acordo com os ensinamentos de Nichiren Daishonin. Ao observarmos seus escritos, notamos que Daishonin sempre louva seus seguidores do fundo do coração.
Valorizar os membros, alegrá-los e torná-los felizes: os membros da Soka Gakkai que lutam em prol do kosen-rufu são missionários de Daishonin e filhos do Buda. A pessoa que os louva pode conquistar, ela própria, os benefícios. Esse é o princípio de que tanto a própria pessoa como as demais formam um único corpo.5
“Agora, é comigo”
Temos a possibilidade de construir, juntos, uma organização que une na diversidade, acolhe e estimula o apoio mútuo entre seus integrantes. Por isso, é essencial identificar e combater as brechas que a maldade tenta impor. Em uma explanação, o presidente Ikeda adverte:
O caminho de um discípulo é o grande caminho de incessante espírito de procura e gratidão. A essência da vida humana, tal como ensina o budismo, é seguir esse caminho por toda a existência. Desviar-se desse curso conduz a pessoa ao caminho errôneo da arrogância e da ingratidão.6
Ele também ensina que a batalha para cortar as raízes da maldade é, na verdade, a luta para eliminar as causas do mal e da infelicidade existentes em nossa própria vida.7
Como uma advertência definitiva, consta uma frase do Buda Nichiren Daishonin no final do escrito A Herança da Suprema Lei da Vida em que ele afirma:
Quando estiverem unidos assim, até o grande desejo da ampla propagação [kosen-rufu] poderá ser concretizado. Porém, se um único discípulo de Nichiren destruir essa união de diferentes em corpo, unos em mente, ele será como um guerreiro que destrói o próprio castelo a partir do interior.8
Como o desejo do eterno mestre é que avancemos em perfeita harmonia, os integrantes da BSGI seguem determinados a cumpri-lo, vencendo as ondas do carma e contribuindo para edificar as fortalezas Soka — os blocos e as comunidades. São atividades de diálogo aberto, de estudo e dos esforços resilientes de todos. Os novatos e simpatizantes que chegam à organização compreendem, pelo exemplo dos veteranos, que não há alegria maior que viver a relação de mestre e discípulo e comprovar a força da união entre os companheiros.
Essa é a realidade que a Liga Monarca vem fortalecendo na base da organização. A luta pela vitória dos “Cinquenta anos em cinco” significa empreender esforços no exato lugar em que cada indivíduo se encontra, acolhendo aqueles que sofrem. A alegria se amplia com o comprometimento dos jovens, inspirados pelos companheiros e conscientes do seu papel na construção de uma sociedade de paz. O crescimento no número de novos membros e os depoimentos emocionantes daqueles que encontraram a luz da sabedoria budista e comprovam, a cada dia, a força do Nam-myoho-renge-kyo demonstram a vitalidade desse movimento.
Como sintetiza Ikeda sensei: “A coragem pulsa na sinceridade. A coragem vibra na paixão. A coragem brilha na dedicação”.9É dessa forma que aos jovens é confiada a grande missão de serem “monarcas da paz”, com o coração livre e aberto. Ao declarar “Construam, em meu lugar, a BSGI de força jovem!”, o Mestre depositou plena confiança na nova geração. A Juventude Soka segue trilhando esse caminho.
Façamos, portanto, deste mês que antecede as comemorações dos 66 anos da BSGI um marco decisivo de retorno ao ponto primordial do caminho que escolhemos. Que possamos bradar, com o peito pleno de gratidão: “Eu sou a BSGI. A BSGI do coração de Ikeda sensei!”.
“Que o Brasil seja doravante também o supremo modelo para toda a Soka Gakkai! Meus preciosos companheiros do Brasil, que compartilham comigo a mesma missão e o mesmo espírito guerreiro, vençam infalivelmente, coroem a vida com glórias!”
Dr. Daisaku Ikeda (Brasil Seikyo, ed. 1.958, 4 out. 2008, p. A2)
Notas:
1. Denominação dedicada pelo presidente Ikeda em sua mensagem de felicitações comemorativa do 45º aniversário de fundação da BSGI, publicada no Brasil Seikyo, ed. 1.814, 8 out. 2005, p. A2.
2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 28, 2017.
3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 11, 2021, p. 16.
4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 387, 2017.
5. Brasil Seikyo, ed. 2.647, 23 nov. 2023, p. 14-15.
6. Terceira Civilização, ed. 484, dez. 2008, p. 42.
7. Brasil Seikyo, ed. 2.647, 23 nov. 2023, p. 14-15.
8. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 226, 2020.
9. Brasil Seikyo, ed. 2.062, 4 dez. 2010, p. A2.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO/SEIKYO PRSS JBS



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