Superem a nona onda

ROTANEWS176 12/09/2026  09:05 

ENCONTRO COM O MESTRE

Por Dr. Daisaku Ikeda

Reprodução/Foto-RN176 Durante reunião de líderes da Soka Gakkai, presidente Ikeda incentiva os membros a superar os próprios limites (Tóquio, Japão, dez. 2011). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi  um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: Seikyo Press

Ao admirar a obra de arte A Nona Onda, do pintor russo Ivan Aivazovsky, o presidente Ikeda escreveu este poema intitulado Observando A Nona Onda, no qual expressa seu sentimento sobre o poder da superação

A Nona Onda!

Comovente, fascinante!

Pulsou forte em meu coração

a infinita coragem humana.

Nela, vejo

o poder avassalador da natureza,

o poder robusto da superação.

Jamais vi uma obra como esta,

que simboliza perfeitamente a batalha

entre a vida e a natureza.

Em meu coração,

jamais devo esquecer o caminho da batalha

contra a opulência da nona onda.

Jamais devo esquecer a batalha

do ser humano pela sobrevivência.

Todos conhecem

a grandiosidade da A Nona Onda,

obra de arte de Aivazovsky,

maior pintor russo do século 19.

Ano 1850 — 32 anos,

no auge de sua juventude,

criou essa obra de arte.

Como pintor-mestre de oceanos,

produziu mais de 6 mil obras-primas.

Em sessenta anos,

telas que ficarão gravadas

para a posteridade.

Aivazovsky era muito rápido.

Uma vez com o pincel na mão,

sua devoção à arte era absoluta.

Ele afirmou:

“Seja qual for o campo de atuação,

se houver o esforço contínuo,

a vitória será infalível.

O importante é

nunca mimar a si mesmo,

nunca fazer corpo mole”.

Aivazovsky buscava o

autoaprimoramento incessantemente.

Quando lhe foi perguntado

qual obra mais gostava, respondeu:

“A minha favorita é a

que não está concluída,

aquela que comecei a pintar hoje”.

A Nona Onda

a mais admirada de suas obras,

a que representa o ápice da arte russa.

Nela, vejo o forte desejo,

e a busca humana pela coragem.

Sinto que a disposição de espírito do pintor

é eternizar, em seu coração,

a grandiosa e incansável batalha,

a cena da milagrosa superação humana.

Em certos momentos,

ele pulava da cama com

o incontrolável desejo de pintar;

em outros, dava tudo de si

para seguir adiante e concluir o trabalho.

Indivíduo de própria crença,

Aivazovsky queria mostrar

a missão e o poder da superação

do ser humano.

Nem a fama

nem cargos de alto escalão

chamavam sua atenção.

Nessa obra-prima,

Aivazovsky manifesta sua ardente paixão:

“Se quer me atingir, que o faça.

Se quer me difamar,

que o faça também.

Mesmo que eu vá preso

por causa de minhas convicções,

irei com toda a honra;

mas ainda assim cumprirei

minha missão!”.

Não há nada que destrua

o coração do ser humano.

Não há adversidade que supere

a coragem do ser humano.

Supere tudo!

Absolutamente tudo!

Qualquer tormento no caminho,

você deve vencer!

Um quadro com

dimensões impressionantes,

dois metros de altura

e três de largura,

preenchido na totalidade

pela avassaladora fúria do oceano.

Mesmo com o barco completamente

envolvido pelas ondas,

prestes a naufragar,

os seis indivíduos se apoiam

firmes no mastro

e lutam contra a fúria do oceano.

Expostos à escuridão da tempestade,

com o mar pronto a engoli-los,

pergunto-me se eles passaram lá

uma noite inteira.

Um deles à beira da morte,

prestes a desistir,

imagino a tensão em seu coração.

Vejo também um homem corajoso

que estende a mão a outro homem

já caído ao mar.

Expondo a si mesmo,

arrisca a própria vida.

Há algo flutuando!

E agarrado ao mastro quebrado

um homem acena com um pano vermelho

e grita apontando algo.

É uma pessoa!

É um amigo da tripulação

vivendo o mesmo drama.

Agarrado a um pedaço de madeira,

um companheiro que também luta

contra a tempestade do mar.

Artistas afirmam:

“Não seria a pessoa,

que desesperadamente luta sozinha

para sobreviver em meio à fúria da onda,

a personagem principal da A Nona Onda,

verdadeira corajosa dessa obra?”.

Ao aproximar

o ouvido do quadro,

ouço o som do forte vento,

ouço o som das agitadas ondas.

Nesse cenário desolador,

percebo uma voz.

Um homem que continua a gritar

em direção aos amigos,

na ânsia de ser salvo.

Não bastasse tudo isso,

com seus mais de vinte metros de altura,

cresce na direção deles

a assombrosa nona onda.

Com salpicos brancos selvagens,

emoldurando o céu!

Rigorosas e tormentosas,

ondas após ondas

atacam sem piedade.

A impetuosa nona onda,

a maior de todas,

a mais severa e monstruosa onda.

Entre os navegantes,

desde os tempos antigos,

sabe-se que ondas de tempestade

têm um ciclo, e que a nona é a mais temível.

É a maior.

E por ser a maior de todas,

você deve sobreviver.

Deve superar e ultrapassar.

Coragem, persistência!

Ao superar essa enorme onda,

um caminho claro

abre-se à sua frente.

Agora é o momento,

o momento de extrair a grandiosa força

que existe em você.

Supere a mais poderosa das ondas!

Baratynsky, poeta russo,

cantou a natureza humana:

“Vasto oceano.

Fúria e tempestade!

Revele-se! Enfureça!

Choque suas ondas tempestuosas

em rochas.

Meu espírito se eleva

ao ouvir seus impetuosos rugidos,

aguardo ansioso sua revelação.

Aguardo o sinal

para iniciar nossa batalha.

Prestes a lhe enfrentar,

meu coração se exalta,

encaro você,

meu grande e maior inimigo!”.

Magníficas palavras!

Repletas de infinita coragem,

ressoam profundamente

em minha vida.

“Quanto maior a resistência que as ondas encontram, mais fortes elas se tornam.” —

esse é meu lema desde jovem.

É herói quem luta bravamente,

sem medo nem covardia,

mesmo em meio às mais árduas batalhas.

Não há mais medo de morrer.

Mas devo viver.

Devo sobreviver!

Será este o fim?

Chegou a minha hora?

Não! Devo sobreviver.

Devo continuar nadando.

A gigante onda está em fúria,

vindo em nossa direção

para nos matar.

Mas eu jamais desisto.

Jamais permito ser

vítima dessa perseguição!

Se eu parar de nadar agora,

terei infinitas

ondas de arrependimento

ao longo da minha vida.

As ondas se agigantam;

continuam assim

cada vez maiores.

Se vencer esta tempestade,

eu me torno o autêntico

bravo herói da vida.

Apesar de não ser reconhecido,

venço a mim mesmo.

Essa certeza é minha vitória!

Não há testemunhas

dos meus esforços.

Ninguém age a meu favor.

Um covarde pode dizer

“Sua honra é sem fundamentos”.

Essa calúnia se volta contra o próprio,

em forma de tempestade,

cheia de incertezas.

Invejosos da nossa honrosa existência,

esses covardes sempre

haverão de distorcer

nossas histórias de vitórias e de justiças,

caluniando nossa pessoa sem hesitação.

Ser desprezado não é nada!

Jamais perca seu orgulho!

Não importa o que aconteça,

eu sou o causador

da minha própria felicidade.

Vença seus desafios!

Seja o monarca da vitória indestrutível!

Torne imortal cada uma de suas conquistas,

e vença em tudo!

Sobre o poder

e a função da Lei Mística,

o Sutra do Lótus afirma:

“Se você for lançado ao vasto oceano,

ameaçado por dragões, peixes e

todo tipo de demônios,

pense no poder desse Percebedor dos Sons,

e as ondas e marés não poderão afogá-lo”.1

Em Abertura dos Olhos,

Nichiren Daishonin descreve que

os obstáculos enfrentados

nos Últimos Dias da Lei

surgem como sorrateiras ondas,

Uma após a outra.2

Quem se dedica

à justiça da verdadeira Lei,

liberta em si

o poder de esmagar

qualquer obstáculo tempestuoso.

Vencer uma onda!

Vencer a outra onda!

Superar sucessivas ondas de obstáculos,

isso é kosen-rufu!

O grande escritor russo Dostoiévski

louvou a arte da A Nona Onda:

“Mesmo sendo uma pintura de tempestade,

há alegria.

Por ser uma arte que representa

o ataque tempestuoso,

há beleza

que eterniza e move poderosamente

o coração de seus apreciadores”.

Observem!

Há brilho nas pessoas,

que esgotaram suas energias

em inúmeras batalhas

contra adversidades.

Elas irradiam o sol da esperança

e fazem brilhar o grande céu.

O herói nadou e venceu.

Venceu a perseguição das ondas

e evitou a própria morte.

Lágrimas de alegria

não podem ser contidas.

Seus olhos se voltam para a onda

que tanto sofrimento trouxe.

Ele agora enxerga o oceano como

vasta terra verde,

palco de eterna batalha imutável.

É o cenário de lutas passadas e futuras.

A onda de dificuldades

que tentou abater o batalhador

agora se acalma,

e se rende à sua vitória.

É a vitória do esforço!

Venceu!

Ele venceu!

O glorioso sol surgiu

em seu jovem coração.

Ele não fugiu de sua provação.

Superou a fúria das ondas!

A terrível onda, ele venceu.

A imensa onda, ele venceu.

A violenta onda, ele venceu.

Com obstinação e esforço,

venceu!

Depois de contemplarmos a A Nona Onda,

minha esposa discretamente

olhou para mim e disse:

“É igual à história da sua vida”.

Aos 19 anos, escrevi em versos:

Um jovem mudará o Japão,

sem se intimidar

diante da furiosa onda”.

A manhã repleta de esperança e de paz

nos aguarda,

aguarda o ser humano,

aguarda o corajoso.

Meu companheiro,

levante-se com forte determinação!

O grande sol da vitória,

uma vida gloriosa,

certamente o espera!

Daisaku Ikeda

Presidente da Soka Gakkai Internacional

Publicado no jornal Seikyo Shimbun, edição do dia 7 de novembro de 2003.

Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.145, 25 ago. 2012, p. B2 e B3.

Notas:

1. The Lotus Sutra and Its Opening and Closing Sutras[Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 25, p. 345.

2. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 251, 2017.

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS

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