ROTANEWS176 23/05/2026 08:25
CONHEÇA O BUDISMO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
No Budismo de Nichiren Daishonin, o que significa atingir a iluminação? E como podemos transformar nosso ambiente a partir dessa ação?

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico de ilustração da matéria
O budismo nomeia a época em que vivemos como os “Últimos Dias da Lei”. É um período no qual a sociedade se torna caótica, os valores se invertem e as pessoas vivem em um ciclo negativo, perdidas nos caminhos dos estados de inferno, fome, animalidade, ira, tranquilidade e alegria. O budismo fornece o caminho para criar a harmonia e vencer esse ciclo. O presidente Ikeda afirma:
Quando esta filosofia que respeita a dignidade de todas as formas de vida se propagar pelo mundo e transformar a vida das pessoas no âmbito mais fundamental, se abrirá o caminho para eliminar a tragédia do ódio e do conflito.1
Como atingir a iluminação
O primeiro passo para construir um mundo harmonioso é compreender o que significa atingir a iluminação ou manifestar o estado de buda.
Muitas pessoas acreditam que esse é um estado de espírito inatingível ou muito difícil de ser conquistado. Outros creem que o Buda é um ser específico com poderes sobrenaturais, longe da realidade. Entretanto, o budismo esclarece que iluminação é uma condição de vida em que se experimenta felicidade absoluta, sabedoria plena e compaixão sincera. E, principalmente, que ela é inerente ao coração das pessoas, ou seja, a iluminação faz parte da natureza humana, existe dentro de cada um de nós, mas é preciso despertá-la.
Então, o que acontece quando atingimos o estado de buda?
Não mudamos nossa forma física nem adquirimos superpoderes. Na verdade, a mudança que vivemos é interna. Modificamos a maneira como enxergamos o mundo e o valor das pessoas. Abrimos os olhos e nos livramos de visões ilusórias da realidade que giram em torno da “avareza, ira e estupidez”. Entendemos que, pelas pessoas serem dotadas do potencial da iluminação, todas, sem exceção, são dignas de respeito.
A iluminação também não significa, em absoluto, passar a viver num paraíso afastado do mundo real. Daishonin declara que a iluminação nada mais é que “abrir” a condição de vida do Buda inerente a si mesmo. Portanto, iluminação não significa viver em outro mundo distante da realidade atual, mas, sim, edificar uma condição de vida de felicidade no local em que se encontra, indestrutível perante quaisquer circunstâncias.
Com base nas particularidades existentes na cerejeira, no pessegueiro, na ameixeira e no damasqueiro, Nichiren Daishonin demonstra que iluminação indica um modo de viver em que se extrai plena e totalmente a característica própria de cada indivíduo. Portanto, a condição de iluminação é aquela em que se purifica a vida de forma ampla, fazendo manifestar ao máximo a potencialidade e cultivando uma vida inabalável perante quaisquer tipos de dificuldade.
Por outro lado, a iluminação não deve ser encarada como “ponto de chegada”. A iluminação encontra-se em meio a uma batalha contínua contra as maldades e adversidades, acreditando na Lei Mística. Em suma, buda é a pessoa que batalha ininterruptamente em prol do kosen-rufu.
Prática transformadora
O Budismo de Nichiren Daishonin, diferentemente das escolas budistas de sua época, não consiste na veneração de uma divindade ou de um buda específico. Ele estabeleceu o meio para que todas as pessoas atingissem a iluminação — o ideal do Sutra do Lótus — formulando a prática da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, que nos permite ativar nossa natureza de buda inerente e manifestá-la como a condição de vida iluminada.
O profundo ensinamento de Nichiren Daishonin sobre a consecução do estado de buda nesta existência é um conceito revolucionário que mudou radicalmente o pensamento budista dominante na época. Ainda hoje, continua a brilhar como um princípio capaz de transformar totalmente a era e de abrir um futuro brilhante para o mundo moderno no século 21.
O conceito de “atingir o estado de buda nesta existência” refere-se ao fato de uma pessoa comum atingir a iluminação no curso da presente existência. Por extensão, significa que se pode atingi-la sem deixar de ser quem é.
Essa ideia contrasta acentuadamente com os ensinamentos anteriores ao Sutra do Lótus, segundo os quais uma pessoa somente podia atingir a iluminação depois de ter praticado austeridades ao longo de incontáveis existências.
Ao alcance de todos
Algumas pessoas talvez acreditem que não serão capazes de manifestar a iluminação por julgar terem cometido ações negativas no passado. No entanto, a iluminação é irrestrita. Em outras palavras, absolutamente todas as pessoas, sem exceção, são capazes de atingi-la. Isso se torna possível com a realização da própria revolução humana, ou seja, da transformação interior da vida com base na prática budista.
A revolução humana é realizada no dia a dia, vencendo os desafios individuais que surgem no drama da vida, por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Se fizer isso, compreenderá que não apenas você mesmo é digno de valor, como também as pessoas ao seu redor, e assim poderá promover mudanças significativas em sua realidade.
Um mundo de paz e de harmonia
Como afirmamos no início da matéria, vivemos num mundo muitas vezes dominado por um ciclo de negatividade. No entanto, o que compõe a sociedade são pessoas. Se uma única pessoa realiza a própria revolução humana e atinge a iluminação, ela inspirará outras pessoas a seguir o mesmo caminho. Assim, transformaremos o mundo de negatividade em um mundo rico de sabedoria e de compaixão. A fonte do ódio e dos conflitos é a intolerância às diferenças que as pessoas enxergam entre si. Seguir o caminho da revolução humana é abrir os olhos para um mundo em que seus habitantes, apesar de possuírem características diferentes entre si, têm em comum a natureza de buda.
O presidente Ikeda declara:
Daishonin escreve: “Compreender e perceber que a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro e o damasqueiro possuem cada qual a sua própria entidade, sem nenhuma alteração, dos três corpos eternamente dotados” (OTT, p. 200). Ele quer dizer que todos os seres vivos, assim como são, sem passar por nenhuma mudança, manifestam a condição de vida original do estado de buda — expresso aqui como os “três corpos eternamente dotados do Buda” (cf. OTT, p. 200).2
Portanto, realizar a prática da fé para atingir o estado de buda e propagar esse ensinamento ao maior número de pessoas é o primeiro passo que cada ser humano pode fazer para construir um mundo de paz e de harmonia. Logo, da perspectiva do budismo, a transformação do mundo começa dentro de cada um de nós.
Fontes:
Terceira Civilização, ed. 619, mar. 2020, p. 24-31.
RDez, ed. 115, jul. 2011, p. 68.
Brasil Seikyo, ed. 2.037, 29 maio 2010, p. A8.
Notas:
1. Terceira Civilização, ed. 619, mar. 2020, p. 53.
2. Ibidem, p. 52.
Budismo em ação
Incentivos do presidente Ikeda sobre a prática da fé, em forma de perguntas e respostas.
O que significa “desejos mundanos são iluminação”?
DR. DAISAKU IKEDA
De forma bem simples, “desejos mundanos” referem-se aos sofrimentos, desejos e anseios que nos fazem sofrer, ao passo que “iluminação” corresponde à felicidade, a um estado de vida iluminado.
Em geral, as pessoas pensariam que desejos mundanos e iluminação são coisas separadas e distintas — especialmente pelo fato de o sofrimento ser exatamente o oposto da felicidade. Mas esse não é o caso no Budismo de Nichiren Daishonin, segundo o qual a “chama” da felicidade só se acende quando queimamos a “lenha” dos problemas e sofrimentos. Em outras palavras, nossa vida irradia a “luz” e a “energia” da felicidade quando usamos os sofrimentos como combustível. É por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo que “queimamos a lenha dos desejos mundanos”.
Quando recitamos Nam-myoho-renge-kyo, nossos problemas e sofrimentos se transformam em energia para nossa felicidade, em combustível que nos permite continuar avançando em nossa vida.
O que é maravilhoso no Budismo de Nichiren Daishonin é que possibilita àqueles que mais sofrem alcançar a maior felicidade, e àqueles que enfrentam os piores problemas a conduzir a mais extraordinária existência, repleta de realizações.
Os problemas surgem de várias formas e proporções. Talvez vocês tenham um problema pessoal ou estejam pensando em como ajudar seus pais a desfrutar uma vida longa e repleta de realizações, ou, ainda, podem estar preocupados com um amigo que está doente ou com depressão, desejando que essa pessoa se recupere. Considerando de outra perspectiva, talvez vocês estejam profundamente preocupados com a questão da paz mundial e sua concretização ou com o rumo da humanidade no século 21. Essas são preocupações muito nobres.
Por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, vocês podem transformar essas preocupações e inquietações em combustível que os impulsionem a avançar — energia vital, boa sorte e um caráter mais forte e sólido. Assim, espero que desafiem todos os tipos de adversidades, recitem intenso daimokupara resolver todas as questões e, ao longo dessa jornada, se desenvolvam.
Fé significa estabelecer objetivos e se esforçar para alcançar cada um deles. Se enxergarmos cada objetivo ou desafio como uma montanha, então a fé é o processo pelo qual crescemos à medida que escalamos cada uma dessas montanhas.
Fonte: IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 1: A Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 171-172.
Dica de leitura
Livro Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 1: A Felicidade
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










