ROTANEWS176 14/04/2026 09:09
Por Carlos Ferreira

RN176 Aviões da Companhia no pátio aguardando o fim da greve Foto: DepositPhotos
A Lufthansa, principal companhia aérea da Alemanha, enfrenta uma grave crise operacional após a convocação de uma nova greve dos comissários de bordo, que se inicia imediatamente após o término de uma paralisação dos pilotos. Com isso, a companhia terá quatro dias consecutivos de caos em seus voos, afetando milhares de passageiros.
A greve dos comissários, anunciada com pouco mais de 48 horas de antecedência pelo sindicato UFO, ocorre apenas dias após uma paralisação similar realizada na última sexta-feira.
Um porta-voz do UFO criticou a postura da empresa: “Estamos lidando com um empregador que se posicionou de forma intransigente, alegando estar disposto a negociar a qualquer momento, mas que na prática busca desculpas para rejeitar melhorias nas condições de trabalho.”
Ele ressaltou ainda que os funcionários “foram fundamentais para manter a Lufthansa durante tempos difíceis e para seu sucesso econômico, mesmo diante de decisões gerenciais controversas.”
A greve está prevista para ocorrer entre os dias 15 e 16 de abril, abrangendo comissários da Lufthansa e da subsidiária Lufthansa CityLine, que opera voos regionais para destinos europeus. A companhia informou que tenta realocar algumas operações para outras empresas do grupo Lufthansa, mas o impacto será significativo.
Na segunda-feira, primeiro dia da greve dos pilotos, o sindicato Vereinigung Cockpit informou que pelo menos 700 voos das empresas Lufthansa, Lufthansa Cargo, Lufthansa CityLine e Eurowings foram cancelados, deixando dezenas de milhares de passageiros prejudicados.
As paralisações não envolvem uma única pauta. Enquanto os comissários da Lufthansa protestam contra uma reforma das regras de trabalho, que inclui alterações em jornadas, períodos de descanso e benefícios como auxílio-doença, os funcionários da Lufthansa CityLine contestam o plano da empresa de encerrar as operações da subsidiária, transferindo-as para outra com custos trabalhistas menores.
Os comissários da CityLine exigem um programa de demissões voluntárias, mas as negociações têm avançado lentamente.
Desde fevereiro, a Lufthansa vem enfrentando diversas ações sindicais. Em nota, a empresa lamentou os transtornos causados pelas greves e agradeceu a compreensão dos clientes.
A rigidez da Lufthansa nas negociações está ligada à necessidade da empresa de conter gastos após anos de resultados financeiros decepcionantes. O CEO Carsten Spohr já classificou a Lufthansa como “o problema” do grupo devido aos altos custos fixos que prejudicam a lucratividade.
Em 2025, a Lufthansa principal registrou receita de €17,1 bilhões, porém lucro modesto de apenas €148 milhões, em contraste com subsidiárias como a SWISS e Eurowings, que apresentaram margens bem superiores.
FONTES: AEROIN E RN176









