Despertar para a missão

ROTANEWS176 25/04/2026 09:10 

ENCONTRO COM O MESTRE

Dr. Daisaku Ikeda

Transformar nosso carma, cumprindo o juramento seigan e atuando como bodisatvas da terra, é a base para construir a verdadeira felicidade e promover a paz na sociedade

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, apreciam painel criado pelos companheiros da região de Kansai retratando o Mestre em sua juventude regendo uma canção (Osaka, Kansai, nov. 1995). Dr. Daisaku Ikeda, ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional – SGI Foto: Seikyo Press

Cumprir nosso juramento como bodisatvas da terra

Dirigindo-se aos membros da Divisão dos Jovens, o presidente Ikeda afirma que despertar para nossa missão como bodisatvas da terra, que firmaram o juramento de realizar o kosen-rufu nos Últimos Dias da Lei, e entrar em ação com arrojo e bravura com esse intuito significa compreender a mais profunda essência da nossa vida.

DR. DAISAKU IKEDA

No escrito O Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos, Nichiren Daishonin declara: “Se não fossem bodisatvas da terra,1 não seriam capazes de recitar daimoku”.2 O fato de poder recitar Nam-myoho-renge-kyo é, em si, prova de uma profunda ligação cármica desde o passado.

Daishonin também afirma: “Se tiver a mesma mente que Nichiren, o senhor deve ser um bodisatva da terra”.3 Os jovens que dedicam a vida ao kosen-rufu e recitam Nam-myoho-renge-kyo são os supremamente respeitáveis bodisatvas da terra.

Vocês oram daimoku pela felicidade dos outros e pela concretização do kosen-rufu, empenham-se nas atividades da SGI e se esforçam para compartilhar o Budismo Nichiren com aqueles ao redor. Tais orações e ações são manifestações do seu juramento pelo kosen-rufu.

No capítulo 15, “Emergindo da Terra”, do Sutra do Lótus, os bodisatvas surgem da terra e juram propagar o Sutra do Lótus nos Últimos Dias da Lei. De acordo com aquele juramento, nascemos neste mundo e lutamos pelo kosen-rufu como membros da SGI. Estamos fortes e profundamente ligados uns aos outros por meio das orações baseadas no nosso juramento comum.

A SGI é a organização que está cumprindo o intento do Buda, e seus membros se levantam com a consciência de sua missão como bodisatvas da terra. Haveria algo mais nobre que isso? Sem esse firme compromisso, não seríamos capazes de repelir os ataques dos “três poderosos inimigos”4 e impulsionar o avanço do kosen-rufu nesta era maléfica dos Últimos Dias da Lei.

Os bodisatvas da terra sempre surgem corajosamente nos momentos e locais mais desafiadores. Da perspectiva da fé no Budismo Nichiren, as dificuldades que vocês estão enfrentando neste momento fazem parte da missão que escolheram. Avançar continuamente com essa convicção é a prova de que suas orações são imbuídas do juramento pelo kosen-rufu.

Se estiverem enfrentando problemas que continuam a persistir — seja no trabalho, no âmbito financeiro, na saúde, seja nos relacionamentos ou algum outro tipo de desafio —, é importante orar sinceramente para superá-los. Sua inquestionável comprovação de vitória se tornará fonte de esperança e de inspiração para os outros que passam por desafios semelhantes.

Podemos transformar carma em missão por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo ao reconhecermos que assumimos voluntariamente o carma apropriado5 com o intuito de mostrar às pessoas o poder da Lei Mística nesta existência.

Portanto, reúnam a coragem e orem pela sua felicidade e pela felicidade das demais pessoas. Essa é uma expressão de sua profunda compaixão. Se vocês orarem não somente pela sua felicidade, mas também para a dos outros, manifestarão uma condição de vida que os permitirá observar os desafios que estão enfrentando com calma e serenidade.

Mesmo que ainda tenham problemas, eles não serão capazes de dominá-los. Assim como Daishonin afirma, encarando as dificuldades como [paz e tranquilidade],6 continuem recitando sincero daimoku pelo kosen-rufu e participando dos esforços para propagar o Budismo Nichiren. Orações pelo kosen-rufu são as orações dos budas e bodisatvas.

Quando estamos diante de sérios problemas e recitamos bastante daimoku para encontrar uma maneira de solucioná-los, podemos expandir e elevar nossa condição de vida e, sem nem percebermos, os problemas pequenos e secundários terão sido solucionados. Essa é a essência do ensinamento budista de que os sofrimentos dos desejos mundanos nos conduzem à iluminação.

O ato de orar para enfrentar os desafios da vida e de orar pelo kosen-rufu e o anseio de ajudar todas as pessoas a se tornar felizes são, em essência, uma coisa só. Ambos nos impulsionam a avançar.

Nossas vitórias são provas reais do kosen-rufu. Ao orarmos fervorosamente pelo desenvolvimento da SGI, que promove o kosen-rufu, edificamos um eu indestrutível e consolidamos uma elevada condição de verdadeiros campeões.

Ao descrever os bodisatvas da terra, o Sutra do Lótus declara: “Sua mente não conhece o temor”.7 “Com alegria no coração”8 a todo instante, eles se empenham livremente como se estivessem executando uma dança.

Despertar para a missão de bodisatva da terra é ficar frente a frente com a essência mais profunda da vida. É encontrar respostas para questões como “Por que nasci?” e “Qual é o propósito da minha vida?”. Não há maior alegria, realização ou orgulho que despertar para nossa eterna missão.

Durante o exílio na Ilha de Sado, Daishonin declarou aos seus discípulos que sentia “imensa alegria”.9

Manifestar nossa verdadeira identidade como bodisatvas da terra permite que nosso ilimitado potencial humano floresça de forma plena. Nossa empreitada consiste num monumental esfor-ço pela paz com o objetivo de transfor-mar fundamentalmente a consciência dos seres humanos, elevando a humanidade a dimensões inigualáveis e unindo pessoas de todos os lugares.

Extraído da série Gosho to Seinen [Os Jovens e os Escritos de Nichiren Daishonin], publicada no Seikyo Shimbun em japonês em setembro de 2012.

* * *

Um novo guia para a humanidade

No posfácio da Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda reitera o princípio da transformação do carma, ou destino, tema principal de seus romances serializados, Revolução Humana e Nova Revolução Humana. Ele expressa a convicção de que a filosofia da revolução humana, que nos habilita a transformar carma em missão, oferece uma nova bússola para a humanidade no terceiro milênio.

DR. DAISAKU IKEDA

(…) O destino e a missão são os dois lados de uma mesma moeda. O destino se torna propriamente a nobre missão específica da pessoa. Por isso, quando vivemos pelo kosen-rufu, não há absolutamente nenhum destino que não possa ser transformado.

Todos são bodisatvas da terra e possuem o direito de ser felizes. São os protagonistas e os extraordinários atores do grande drama que transforma as nevascas do inverno em primavera ensolarada e o sofrimento em alegria.

O enredo da Nova Revolução Humana se desenvolve com base nesse princípio de que “destino é missão”. E a essência do ensinamento budista não se restringe a uma visão estática dos acontecimentos, mas revela o dinamismo da vida capaz de transformar quaisquer aspectos por meio de princípios como “desejos munda-nos são iluminação”, “os sofrimentos da vida e da morte são nirvana” e “transformação de veneno em remédio”,10 entre outros. O budismo identifica nas profundezas da vida de uma pessoa mergulhada no sofrimento sua condição de buda. Buda, por sua vez, indica o caminho para despertar e manifestar o sublime bem, a criatividade e o protagonismo inerentes à vida de todas as pessoas. Chamamos esse empreendimento de transformação da vida de “revolução humana”.

Os protagonistas da construção da sociedade, da nação e do mundo são os próprios seres humanos. O ódio ou a confiança, o desprezo ou o respeito, a guerra ou a paz são todos produtos da determinação do ser humano em um único momento. Portanto não é possível conquistar a felicidade pessoal nem a prosperidade da sociedade nem a paz perene no mundo sem a realização da revolução humana. Sem esse ponto essencial, todo o esforço empreendido não passará de um castelo de areia. Certamente, a filosofia da “revolução humana” embasada no budismo será o novo guia da humanidade, que já iniciou o terceiro milênio

“Um espírito imortal requer uma ação igualmente imortal”.11 Essas são célebres palavras do escritor russo Liev Tolstói. Meu profundo desejo é que os membros da Soka Gakkai façam da conclusão do romance Nova Revolução Humana um novo ponto de partida, levantando-se como “Shin’ichi Yamamoto”, e escrevam sua própria história brilhante da revolução humana, empenhando-se pela felicidade dos amigos por meio de ininterruptas ações indomáveis.

Enquanto houver infortúnios e tristezas no mundo, devemos desenvolver ainda com mais bravura e brilhantismo a magnífica ilustração da vitória do ser humano chamada kosen-rufu.

Extraído da Nova Revolução Humana, volume 30-II, “Posfácio”, p. 356-359.



Dica de leitura

Livro Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 2: Revolução Humana.

Fontes:

IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 2: Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2023. p. 51-54 e 74-77.

Notas:

1. Bodisatvas da terra: Referência à imensa multidão de bodisatvas que emergem da terra, a quem o buda Shakyamuni confia a propagação da Lei Mística, ou a essência do Sutra do Lótus, nos Últimos Dias da Lei.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 404, 2020.

3. Ibidem.

4. “Três poderosos inimigos” (sanrui-no-goteki): Três tipos de pessoas arrogantes que perseguem aqueles que propagam o Sutra do Lótus na era maléfica após a morte do buda Shakyamuni, descritos na parte em verso que conclui o capítulo 13, “Encorajamento à Devoção”, do Sutra do Lótus. O grande mestre Miaole da China resume-os como leigos arrogantes, sacerdotes arrogantes e falsos sábios arrogantes.

5. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 211-212.

6. Ibidem, p. 115.

7. The Lotus Sutra and Its Opening and Closing Sutras [Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, 2009. p. 263.

8. Cf. Ibidem, p. 255.

9. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 405, 2020.

10. O mundo do inferno, o mundo dos espíri-tos famintos, o mundo dos animais, o mundo dos asura, o mundo dos seres humanos e o mundo dos seres celestiais são conhecidos como os “seis caminhos” ou “seis caminhos inferiores”, ao passo que o mundo dos ouvintes da voz, o mundo dos que despertaram para a causa, o mundo dos bodisat-vas e o mundo dos budas são conhecidos como os “quatro nobres mundos”. Juntos, são denominados “dez mundos”. Também são citados como os “dez estados de vida”: inferno, fome, animalidade, ira, tranquilidade ou humanidade, alegria, erudição, autorrealização, bodisatva e buda.

11. Traduzido do russo. TOLSTÓI, L. N. PolnoeSobranieSochinenii [Obras Completas]. v. 45. Moscou: TERRA, 1992. p. 46.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS