Melhore, melhore, melhore

ROTANEWS176  10/10/2026  08:50  

MATÉRIA DA DIVISÃO FEMININA

Por Grupo TILM e Divisão Feminina da BSGI

Reprodução/Foto-RN176 Foto de desenho artístico de destaque da matéria

Querida amiga, tudo bem?

Setembro foi o mês de “abandonar o transitório e revelar o verdadeiro” (hosshaku-kempon), tema do curso de aprimoramento das Tradutoras e Intérpretes da Lei Mística (TILM) em comemoração dos seus quarenta anos de atuação. Como grupo de tradução, incentivamos a todas a se desenvolver nos idiomas, e cabe aqui uma reflexão.

Sempre ouvimos “melhore seu trabalho”; “sua carreira”; “seu corpo, sua alimentação”; “sua comunicação”; “seus relacionamentos”; “aprenda mais, produza mais”; “seja mais eficiente”; “saudável”; “torne-se uma versão melhor de si mesma”.

A primeira impressão é boa. “Melhore” parece significar apenas “cresça, aprenda, avance”. E não há nada de errado em querer aprender ou fazer algo melhor. A questão começa quando “melhorar” deixa de ser escolha e vira cobrança. Se sentimos a necessidade de sermos melhores do que somos hoje, passamos a nos enxergar como alguém a quem sempre falta algo. Há constantemente um próximo curso, uma nova habilidade, um novo objetivo a alcançar e, sem perceber, a vida vira um projeto permanente de aprimoramento.

Mas aprimoramento segundo qual medida? Essa pergunta aparece também na forma como a sociedade define desenvolvimento. A economista e futurista Hazel Henderson questionava a ideia de medir o desenvolvimento de um país principalmente por números, como crescimento econômico e produção.

Em Cidadania Planetária, diálogo com o presidente Ikeda publicado em 2004, Henderson e sensei conversam sobre economia, educação, meio ambiente e o futuro da humanidade. Um dos capítulos é dedicado ao “século das mulheres”.

Henderson destaca atividades fundamentais que, muitas vezes, não aparecem nas estatísticas: cuidar de uma criança, de um doente ou de um idoso; educar; participar da comunidade; fazer trabalho voluntário. Nem sempre produzem um número para a planilha, mas sustentam a vida. Aquilo que não pode ser facilmente medido não deixa, por isso, de ter valor Quando usamos uma única régua para medir uma sociedade, deixamos de enxergar muita coisa importante. É provável que isso aconteça quando aplicamos essa lógica a nós mesmas.

Começamos a perguntar “Quanto eu produzi?”; “Quanto aprendi?”; “Quanto ganhei?”; “Quanto emagreci?”; “Quanto consegui realizar?”. Aos poucos, a vida vira uma planilha e concluímos que ainda não somos boas o bastante. É aqui que a ideia do “século das mulheres” se torna especialmente interessante.

Durante muito tempo, as mulheres receberam numerosas mensagens sobre como deveriam ser: mais bonitas, mais delicadas, mais fortes, mais inteligentes, mais organizadas, mais bem-sucedidas. Como se houvesse uma maneira correta de ser mulher a ser alcançada.

Porém, e se não houver uma mulher ideal? Quem sabe o século das mulheres não seja o da mulher que finalmente aprendeu a ser melhor, mas a que percebe que não precisa se tornar outra pessoa para ter valor.

Ela pode aprender, mudar e crescer, descobrir novas capacidades e superar limitações. E sem olhar para quem era antes e pensar: “Eu não era boa o suficiente”. Essa diferença muda também a maneira como entendemos o aprendizado. 

Muitas pessoas estudam inglês, espanhol, japonês ou outra língua para melhorar o currículo ou ampliar as oportunidades. Não há nada de errado nisso. Ikeda sensei valorizava o estudo de idiomas e o relacionava ao diálogo e à amizade entre pessoas de culturas diferentes. Aprender uma língua, nessa perspectiva, é criar uma ponte entre pessoas. 

Podemos, desse modo, aprender sem transformar o aprendizado em prova do nosso valor.

O Budismo Nichiren ensina que a condição de buda, ou natureza iluminada, não vem de fora: existe dentro de cada pessoa. Por essa razão, desenvolver nossa vida não é fabricar uma pessoa nova e melhor, mas revelar o que já existe. Como consta na explanação de Ikeda sensei, publicada na revista Terceira Civilização, de julho de 2013: Meu mestre e segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, disse repetidas vezes: “Você mesmo é o Nam-myoho-renge-kyo” e “Como pode um buda ser derrotado por doença ou dificuldades financeiras?”. Ao despertarmos para nosso enorme potencial, podemos enfrentar qualquer adversidade. O propósito da fé no Budismo Nichiren é desenvolver essa força interior.1

Toda sensei pedia constantemente que as pessoas despertassem para seu “eu maior” e revelassem seu verdadeiro potencial. Isso muda o sentido da palavra “melhorar”. Talvez a pergunta mais interessante não seja “Como posso me tornar uma pessoa melhor?” e sim 

“O que já existe em mim e está esperando para florescer?”.

Um forte abraço!

Grupo TILM eDivisão Feminina da BSGI

Nota:
1. Terceira Civilização, ed. 539, jul. 2013, p. 70.

Outubro Rosa

É uma campanha de conscientização e prevenção do câncer de mama, que acontece com mais intensidade no mês de outubro e seu símbolo é um laço rosa. O objetivo principal alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo do útero.

O movimento surgiu em 1990, quando houve a primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, Estados Unidos. No Brasil, a campanha de conscientização começou em 2002.

Cuidem-se! Vamos aproveitar o Outubro Rosa, fazer os exames necessários e manter a boa saúde!

FONTE: EDITORA BRASIL SEIKYO=EBS

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