ROTANEWS176 28/03/2026 10:20
NOVA REVOLUÇÃO HUMANA
Por Ho Goku

Reprodução/Foto-RN176 Ilustração de Kenichiro Uchida. Seikyo Press.
Parte 117
Shin’ichi Yamamoto disse às crianças:
— Nós somos budistas. Esta é a terra onde o Buda nasceu. Ele cresceu observando o majestoso Himalaia, e se esforçou para ser uma pessoa grandiosa como essas montanhas. Ele se tornou uma pessoa imponente e vitoriosa. O mesmo acontece com vocês, que vivem num lugar extraordinário. Com certeza poderão se tornar pessoas grandiosas também. Todos vocês têm um lindo rosto e parecem muito espertos. Quando crescerem, venham ao Japão.
Shin’ichi queria valorizar ao máximo aquele breve encontro. Queria incentivá-las de todo o coração enviando uma brisa primaveril de esperança para a vida daquelas crianças.
No dia seguinte, 4 de novembro, Shin’ichi participou da 1a Convenção da SGI-Nepal realizada em Katmandu, e tirou uma foto comemorativa com pouco mais de cem membros que haviam se reunido. Ele os incentivou dizendo:
— Por favor, avancem sempre em harmonia e amizade. Espero que cada um tenha uma presença brilhante como bom cidadão deste país.
A grande maioria dos membros da SGI-Nepal era jovem. De fato, eram como esperançosas árvores a se desenvolver rumo ao futuro, como se estivessem abraçadas pelo Himalaia.
Depois do Nepal, Shin’ichi viajou para Singapura, onde participou da 3a Conferência de Cultura e Educação da SGI da Ásia e visitou pela primeira vez a Escola de Educação Infantil Soka de Singapura. Ele participou também do 1o Festival Artístico dos Jovens pela Amizade realizado em comemoração do 30o aniversário de fundação da República de Singapura. Então, na noite do dia 10 de novembro, ele chegou a Hong Kong.
Território britânico na época, o retorno de Hong Kong para o domínio da China estava previsto para 1997. A transferência da soberania começou a se concretizar após a conferência entre o líder supremo da China, Deng Xiaoping, e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, em 1982.
Para as pessoas de Hong Kong que viviam sob sistema capitalista, de economia de mercado, era difícil imaginar a vida sob o regime comunista da China, e muitas se sentiam inseguras em relação ao futuro. Em certo momento, o dólar de Hong Kong sofreu uma forte desvalorização e houve um grande tumulto no mercado de ações.
“Este é o momento exato para ir a Hong Kong! Preciso me encontrar com todos para incentivá-los!” — com essa decisão, Shin’ichi visitou Hong Kong em dezembro de 1983.
Parte 118
Na visita a Hong Kong em 1983, Shin’ichi Yamamoto clamou energicamente aos membros:
— Acredito que dentre os senhores haja pessoas preocupadas com o que acontecerá a Hong Kong em decorrência da “Problemática de 1997”. Porém, gostaria de afirmar que não há nenhuma necessidade de se preocupar. Desejo-lhes que conduzam imponentemente uma vida digna, iluminada e protegida pela Lei Mística nesta amada terra de Hong Kong, que é um grande centro internacional de desenvolvimento com seu aroma de liberdade, paz e cultura. Depois de 1997, quando está programado o retorno [para a China], vamos continuar nosso intercâmbio de forma ainda mais prazerosa e animada. Juntos, vamos criar uma história de vitórias pelo eterno futuro!
Foi por meio de diversos diálogos com intelectuais de Hong Kong e também com membros da SGI que ele havia sentido que a chave do extraordinário desenvolvimento de Hong Kong se encontrava na infindável vitalidade do seu povo e no poder da esperança que pulsa nas pessoas.
Os membros de Hong Kong ficaram encorajados com a expressão “de forma ainda mais prazerosa” dita por Shin’ichi.
Em dezembro de 1984, China e Reino Unido anunciaram a declaração conjunta de retorno de Hong Kong ao domínio chinês em julho de 1997 sob a forma de uma região administrativa especial. Dessa forma, durante cinquenta anos após o retorno, as políticas do partido comunista não seriam mais implementadas em Hong Kong, permanecendo a economia de livre mercado e se consolidando então como um país com dois sistemas políticos. Mesmo assim não cessou a intranquilidade entre os residentes em Hong Kong, causando a emigração de centenas de milhares de pessoas para outros países, tais como Canadá e Austrália.
Pensando no futuro de Hong Kong, Shin’ichi dialogou com algumas das principais personalidades da China e manteve contato com os sucessivos governadores de Hong Kong.
Agora, nessa visita a Hong Kong, em novembro de 1995, ele se encontrou com Jin Yong (pseudônimo de Louis Cha), famoso escritor e fundador do jornal diário Ming Pao. Conhecido como “farol da consciência”, Jin Yong foi um líder de opinião por muitos anos, também membro do comitê de elaboração da Lei Básica de Hong Kong após o retorno à China.

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda recebe o título de doutor honoris causa da Universidade de Macau ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional. Ilustração: Kenichiro Uchida
Em 1998, Shin’ichi e Jin Yong publicaram a edição em japonês do diálogo que tiveram intitulado Em Busca do Século do Alvorecer baseado em cinco encontros a partir de 1995. Na obra foram discutidos temas de grande abrangência como o futuro de Hong Kong e o papel da literatura na vida.
Parte 119
Cinco meses antes da devolução de Hong Kong à China, Shin’ichi Yamamoto disse a Jin Yong:
— Estou certo de que Hong Kong continuará a prosperar depois do seu retorno à China.
Então, disse acreditar que doravante o foco em Hong Kong seria não apenas o desenvolvimento econômico, mas também a realização espiritual.
Jin Yong respondeu enfaticamente:
— Gostaria que a SGI-Hong Kong e todos os membros da SGI transmitissem a importância dos valores espirituais e da correta visão sobre seres humanos de valor a um grande número de pessoas.
O pensamento deles era a felicidade e a prosperidade do povo de Hong Kong.
Shin’ichi havia enfatizado constantemente aos membros que, seja onde for, enquanto houvesse uma fé indomável, resplandeceria o brilho do tesouro da felicidade.
Nichiren Daishonin afirma: “…o local onde [os discípulos de Nichiren] habitam será transformado na Terra da Luz Eternamente Tranquila”.1
Em 1o de julho de 1997, Hong Kong, antigo território britânico, retornou à China em uma cerimônia histórica.
Como parte das celebrações, o Grupo de Ginástica Águia de Ouro da SGI-Hong Kong fez uma apresentação repleta de energia juvenil. E à noite, no festival musical comemorativo, participaram diversos grupos de coral da SGI-Hong Kong.
Shin’ichi enviou telegramas de congratulações ao presidente chinês Jiang Zemin, um grande conhecido, e a Tung Chee-hwa, diretor-executivo da nova Região Administrativa Especial de Hong Kong. Os membros da SGI-Hong Kong estavam fortemente decididos a fazer de Hong Kong, após o retorno à China, um porto de paz e de prosperidade. Assim, alçavam voo rumo ao terceiro milênio, o século 21.
Em novembro de 1995, durante a sua estada em Hong Kong, Shin’ichi visitou Macau. Além de receber o título de doutor honoris causa em ciências sociais pela Universidade de Macau, fez uma visita oficial à sede do governo municipal. Território português, Macau retornou ao domínio chinês em 1999. Os membros da SGI-Macau, também, a exemplo da SGI-Hong Kong, deram uma nova e esperançosa partida.
Em 17 de novembro de 1995, Shin’ichi retornou ao Japão depois da visita à Ásia, dirigindo-se diretamente à região de Chubu e, em seguida, à de Kansai, para incentivos e orientações. No dia 23 de novembro, foi realizada no Centro Cultural de Kansai a Reunião de Líderes da Soka Gakkai, em conjunto com a Reunião Geral da Divisão dos Jovens e a Convenção de Kansai.
Nessa ocasião, o diretor-geral da SGI, Koichi Towada, anunciou a nova Carta da SGI.
Parte 120
A Soka Gakkai Internacional (SGI) foi fundada em 26 de janeiro de 1975, por ocasião da 1a Conferência Mundial pela Paz, realizada no território de Guam, no Oceano Pacífico. A partir de então, veio promovendo um movimento visando contribuir para a paz mundial e para a felicidade de toda a humanidade, propagando a ideologia de respeito à dignidade da vida embasada no Budismo Nichiren. Nesse processo, as organizações da SGI de cada país e território vêm conquistando crescente confiança em suas comunidades, a ponto de muitos depositarem grande expectativa em seus membros.
Ao comemorar vinte anos de fundação, em 1995, o conselho de diretores e o conselho de diretores permanentes da SGI definiram a criação de um comitê para a elaboração da Carta da SGI [atual Carta da Soka Gakkai] com o propósito de deixar ainda mais claros os objetivos, os ideais e as diretrizes de conduta para as organizações afiliadas da SGI. Uma resolução da SGI nesse sentido foi adotada na Convenção da SGI, realizada em 17 de outubro, e, com base nela, o comitê estudou detalhadamente até a deliberação final e o estabelecimento da carta sob a aprovação de todas as organizações da SGI.
A Carta da SGI é constituída de dez artigos afirmando o compromisso da organização com os seguintes objetivos: contribuir para a paz, cultura e educação com base no budismo; respeitar os direitos humanos e a liberdade religiosa; contribuir para a prosperidade da sociedade; promover o intercâmbio cultural; proteger a natureza e o meio ambiente; e promover o cultivo do caráter, entre outros.

Reprodução/Foto-RN176 Convenção da Soka Gakkai Internacional (out. 1995). Ilustração: Kenichiro Uchida
No artigo 7 consta: “A SGI, com base no espírito budista de tolerância, respeitará outras religiões, promoverá diálogos e atuará, em parceria, para a solução de questões fundamentais da humanidade”.
A chave para a efetiva paz mundial e felicidade de toda a humanidade se encontra na atitude de avançar todos juntos de mãos dadas, com a consciência de que compartilham um destino comum. Os maiores obstáculos para isso são a intolerância e o exclusivismo, sejam eles religiosos, nacionalistas ou étnicos. Para que a humanidade viva em paz e em harmonia, precisamos voltar ao ponto de partida de que somos seres humanos e nos ajudar uns aos outros, transcendendo todas as diferenças.
Na época do Grande Terremoto de Hanshin, em janeiro de 1995, a Soka Gakkai se envolveu com força em atividades de apoio e socorro às vítimas. As organizações da SGI em todo o mundo ofereceram, de alguma forma, apoio e assistência. As vítimas da tragédia e diversas outras pessoas expressaram gratidão por essa ajuda. Por outro lado, a SGI veio promovendo movimentos pela abolição das armas nucleares trabalhando em cooperação com outros grupos e organizações religiosas.
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.
Nota:
- Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 439, 2020.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS









