ROTANEWS176 11/07/2026 09:35
ENCONTRO COM O MESTRE
Por Dr. Daisaku Ikeda
Ikeda sensei descreve, nestes trechos selecionados de seus incentivos, como nossa revolução humana inspira outras pessoas e contribui para a paz

Reprodução/Foto-RN176 Integrantes da Divisão dos Estudantes da SGI-México recepcionam Ikeda sensei no Aeroporto de Vera Cruz em sua quinta visita ao país (jun. 1996). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: Seikyo Press
A transformação do nosso carma torna-se fonte de esperança para outros
Mencionando a série de adversidades e de perseguições que se abateram sobre o buda Shakyamuni durante a existência dele, o presidente Ikeda explica que nossas experiências de superação de dificuldades servem como fonte de esperança e encorajamento para aqueles que seguirão nossos passos no caminho da fé.
DR. DAISAKU IKEDA
Por que um buda como Shakyamuni teve de sofrer tamanhas calúnias e insultos? Em um escrito budista, ele assegura que tudo era pelo bem dos futuros praticantes do budismo. Em outras palavras, Shakyamuni afirma que havia convocado tais adversidades como meios apropriados para que, quando outros praticassem o budismo e enfrentassem críticas severas a ponto de querer abandonar a prática, estes se lembrassem de que até ele foi injustamente difamado e se encorajassem a seguir em frente com renovada decisão.
Dispor-se a passar por dificuldades para impedir que praticantes de futuras gerações desistissem é a expressão da compaixão do Buda.
Nesse sentido, os desafios e as dificuldades que nós, integrantes da SGI, vivenciamos hoje são pelo bem do eterno avanço do kosen-rufu. Eles servirão como grande referência para longínquas eras futuras e um modelo do kosen-rufu para as próximas gerações.
Sem dúvida, os companheiros das gerações vindouras olharão para trás e dirão: “Então é isso que aconteceu. O surgimento de tais dificuldades consiste num padrão atemporal e imutável; portanto, jamais devemos nos permitir ser derrotados ao nos deparar com elas. Podemos superar tudo por meio da prática budista. Vamos continuar lutando!”. O histórico dos nossos esforços será uma fonte a partir da qual eles poderão extrair infinita coragem, esperança e inspiração.
Nesse aspecto, os desafios e as adversidades que surgem no curso da prática budista fazem parte de um grandioso drama, de um épico magistral que estamos interpretando no palco desta breve existência para alcançar vitórias magníficas e eternas em nossa vida e no kosen-rufu.
Por extensão, os problemas pessoais que enfrentamos como líderes da SGI — seja alguma doença, seja um infortúnio familiar — também servem como grande incentivo para aqueles que estão sofrendo com problemas semelhantes, estimulando-os a dar o melhor de si e a se manter invencíveis.
De acordo com os escritos de Nichiren Daishonin, podemos estar certos de que pessoas corajosas que desafiam as dificuldades e propagam a Lei Mística com vigor usufruirão sem falta a proteção de todos os budas. Proteger resolutamente os dedicados praticantes do budismo que se empenham pelo kosen-rufu representa o coração de Shakyamuni e o espírito compassivo de Nichiren Daishonin.
Tenham a convicção de que suas fervorosas orações ativarão a força do estado de buda inerente ao próprio universo e repercutirão ainda mais nas funções dos mundos dos bodisatvas, dos ouvintes da voz e daqueles que despertaram para a causa,1 bem como nas funções protetoras das divindades celestiais, capacitando-os a abrir o caminho para uma vida de grande vitória e de plena realização.
Extraído do discurso proferido na Convenção de Chubu, Aichi, em 29 de janeiro de 1989.
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O triunfante drama da grande transformação
Neste ensaio, o presidente Ikeda relata a história de uma integrante da SGI-Estados Unidos que, por meio da transformação do seu carma em missão, conquistou uma vida de grande revolução humana. Elogiando-a, ele afirma que a Soka Gakkai constitui uma coletividade de bodisatvas que se levantaram para realizar sua ímpar e nobre missão.
No Japão e no mundo todo, as integrantes da Divisão Feminina — as mães do kosen-rufu — conduzem a vida com confiança, determinação e bravura.
Uma delas é uma pioneira da SGI-Estados Unidos. Depois de se casar com um americano no Japão, mudou-se com ele e o jovem filho para os Estados Unidos em 1966. Seu marido era militar e foi enviado ao Vietnã. Sozinha nos Estados Unidos com o filho e falando um inglês pouco fluente, trabalhou arduamente, prestando serviços domésticos para conseguir uma renda extra e dar conta das despesas. Mesmo após o marido retornar da guerra, as dificuldades financeiras da família persistiram.
Mais tarde, o casal teve outro filho, que nasceu com uma grave deficiência física. Os médicos disseram que ele jamais andaria ou falaria e os aconselhou a interná-lo numa instituição, mas a mãe decidiu firmemente que ela mesma o criaria.
Para sobreviver, vendeu praticamente tudo o que possuía — roupas, incluindo o precioso quimono de seda que havia trazido do Japão, bem como seus potes e panelas —, mas a família ainda não tinha o suficiente para se sustentar. Por que ela experimentou todo esse sofrimento? As impiedosas ondas do carma pareciam açoitá-la implacavelmente.
Não obstante, por ter sido uma atuante líder de comunidade na Soka Gakkai no Japão, ela enfrentava firmemente os desafios diante dela, recusando-se a fugir da realidade. Mantinha um emprego durante o dia e, à noite, empenhava-se de forma incansável na linha de frente do kosen-rufu.
Certa noite, enquanto estava sentada diante do Gohonzon como de costume e à medida que ia recitando daimoku com uma voz clara e ressonante e as horas avançavam, sentiu como se uma luz radiante iluminasse sua mente: “Tenho orgulho de ser membro da Soka Gakkai. Tenho o Gohonzon. Não tenho nada a temer. Não há como não me tornar feliz”. Lágrimas de indescritível alegria caíam de seus olhos.
O sol da felicidade desponta brilhantemente na vida daqueles que corajosamente assumem, aqui e agora, os desafios impostos por suas atuais circunstâncias, por sua vida e pela luta em prol do kosen-rufu.
Num escrito endereçado a uma seguidora, Daishonin afirma: “Quando acreditamos que, sem falta, nos tornaremos budas, não há nada do que se lamentar”.2
O Sutra do Lótus expõe o profundo princípio do “carma adotado por desejo próprio”.3 De acordo com o sutra, os bodisatvas, por vontade própria, buscam renascer numa era maléfica por sentir empatia por aqueles que estão sofrendo e desejar conduzi-los à felicidade.
Não importando quais dificuldades enfrentemos ou em que circunstâncias possamos nos encontrar, possuímos uma nobre missão que somente nós podemos cumprir. Quando reconhecemos isso profundamente, tudo se transforma.
Nascemos neste mundo, nesta época, para cumprir o grande juramento que fizemos no remoto passado. Nosso carma é nossa missão, é o palco no qual desempenhamos nosso magnífico drama de transformação de adversidade em triunfo. Por mais difícil ou desafiadora que a realidade da nossa vida possa ser, não há nenhum outro local em que possamos atingir a felicidade.
O filho mais velho dessa pioneira cresceu observando o corajoso exemplo de sua mãe e graduou-se como um dos melhores alunos de sua turma na Universidade de Yale. O mais novo, que os médicos disseram que nunca viria a andar, hoje consegue até correr e também participa das atividades da SGI.
Em janeiro [de 2004], aos 79 anos, essa mulher maravilhosa declarou com muito orgulho: “Não me sinto velha de forma alguma. Pelo kosen-rufu, continuarei me pronunciando para defender a verdade e a retidão da Soka Gakkai enquanto viver!”. Ela triunfou brilhantemente.
Dia após dia, a melodia retumbante dos incansáveis esforços dos membros da Divisão Feminina (DF) preenche o ar de todas as comunidades e localidades. Realmente, as integrantes da DF são a força propulsora do kosen-rufu, e louvor algum, por mais eloquente que seja, pode lhes fazer plena justiça. Todos os dias minha esposa e eu oramos com total fervor e sinceridade para que essas mulheres admiráveis que trabalham e se devotam ao kosen-rufu desfrutem ilimitada felicidade e realização.
Mães do kosen-rufu que brilham como o sol, que sua alegre voz soe cada vez mais forte, com coragem, verdade e vitória!
Estarei orando por toda a vida pelo seu esplêndido desenvolvimento e para que sua voz vigorosa, feliz e sábia possa ecoar de forma cada vez mais vibrante.
Adaptado da série “O Resplendor do Século da Humanidade”, publicada em japonês no jornal Seikyo Shimbun em 19 de janeiro de 2004.
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As pessoas que mais sofrem manifestarão, sem falta, o estado de buda
Explicando que o budismo concebe o sofrimento que experimentamos nesta vida como carma que assumimos como parte do nosso juramento como bodisatvas da terra, o presidente Ikeda salienta a importância de mudar a forma como interpretamos os sofrimentos e de adotar a postura de transformar carma em missão.
O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, dizia:
Para começar, se fôssemos perfeitos demais, as pessoas teriam dificuldade de se identificar conosco. Por isso escolhemos nascer especificamente como pessoas comuns, sofrendo com doenças ou pobreza, para que pudéssemos propagar amplamente o budismo na sociedade… Viver é como participar de uma peça.
Ele sempre orientava nesse sentido. E ainda dizia: “Perdi minha esposa e também minha filha. Minha empresa faliu. Por ter passado por esses sofrimentos, pude me tornar presidente da Soka Gakkai”.
Não se pode esperar que aqueles que não experimentaram agruras e sofrimentos compreendam os sentimentos dos outros. Só quem passou por dolorosas dificuldades e provações pode realmente ajudar os demais.
Considerar todos os sofrimentos simplesmente como carma é uma visão passiva e derrotista. Em vez disso, devemos encará-los como sofrimentos que adotamos por desejo próprio como parte da nossa missão e do juramento que selamos de superá-los por meio da prática budista.
O princípio do “carma adotado por desejo próprio”4ensina essa mudança básica de atitude ou mentalidade. Definitivamente, podemos transformar nosso carma em missão. Como todos os nossos problemas e desafios são expressões do nosso próprio juramento, não há hipótese de não conseguirmos ultrapassá-los.
Mahatma Gandhi, líder do movimento pela independência da Índia, declarou: “Se eu tiver de renascer, gostaria de voltar como um ‘intocável’, para poder compartilhar das tristezas, sofrimentos e afrontas de que são alvos, para que possa me esforçar para libertar a mim e a eles dessa triste condição”.5
Essa atitude é uma expressão do ensinamento de “carma adotado por desejo próprio” — de demonstrar compaixão, de compartilhar nossa vida com os outros.
Nós [bodisatvas da terra]6 nascemos em meio àqueles que mais sofrem. O buda reside entre as pessoas que mais sofrem. O budismo existe para nos capacitar a ajudar os que mais sofrem a alcançar a felicidade suprema.
Adaptado de Sabedoria do Sutra do Lótus, v. II, publicado em português em fevereiro de 2013.
Fonte:
IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz— Parte 2: Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2023. p. 67-74.
Notas:
1. Os mundos dos ouvintes da voz, dos que despertaram para a causa e dos bodisatvas, somados ao mundo dos budas, formam os “quatro nobres caminhos” — dos dez mundos, os quatro mais elevados. Também são conhecidos como os estados de vida de erudição, absorção, bodisatva e buda.
2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 687, 2020.
3. The Record of the Orally Transmitted Teachings[Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 211-212.
4. Ibidem.
5. GANDHI, Mahatma. The Collected Works of Mahatma Gandhi[Coletânea de Obras de Mahatma Gandhi], v. 19 (novembro de 1920 a abril de 1921). Nova Délhi: Departamento de Publicações do Ministério da Informação e Radiodifusão do Governo da Índia, 1990. p. 573.
6. The Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 11, p. 209-210.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO E SEIKYO PRESS=JBS/SP

















