Pré-eclâmpsia: saiba as causas da hipertensão gestacional

ROTANEWS176 01/09/2023  11:43                                                                                                                                Por Milena Vogado

Médica obstetra explica que o sistema imunológico tem relação direta com o surgimento da pré-eclâmpsia, além de outras condições.

 

Reprodução/Foto-RN176 Pré-eclâmpsia: saiba as causas da hipertensão gestacional – Foto: Shutterstock

A pré-eclâmpsia, ou hipertensão gestacional, pode acontecer em qualquer gestante durante a segunda metade da gravidez ou até seis meses após o parto. A condição é grave, e é responsável por 10% a 15% das mortes maternas diretas em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG) estimam que a doença cause 80 mil mortes maternas e 500 mil mortes fetais anualmente.

Para a médica obstetra Dra. Bruna Pitaluga, a pré-eclâmpsia é a doença mais cruel da gestação. “Resultado de informações metabólicas equivocadas, com alterações de todos os sistemas do corpo humano envolvidos, a pré-eclâmpsia pode ser considerada o oposto da gestação. Se esta é o equilíbrio, aquela é o desequilíbrio completo”, afirma.

Conforme a especialista, o sistema imunológico exerce papel fundamental na gestação. Isso porque, em conjunto com o sistema endócrino, ele fornece informações para que, após o encontro entre o óvulo e o espermatozóide, o embrião se implante no útero e o corpo da mãe receba o bebê de forma controlada e programada. “Quando o sistema imunológico está desequilibrado, essa resposta acontece de forma errada e a placenta não se implanta adequadamente”, explica.

O que pode causar a pré-eclâmpsia?

Por isso, condições que atrapalham o perfeito funcionamento do sistema imunológico são fatores de risco para a pré-eclâmpsia e, portanto, precisam de acompanhamento e tratamento durante o pré-natal. Segundo a médica, a idade gestacional e materna avançada, por exemplo, é um fator de risco. “Já é sabido que acima de 40 anos de idade existem alterações relacionadas à produção de hormônios esteroides, à microbiota e ao sistema imunológico”, comenta.

obesidade e o sobrepeso também podem acarretar a doença, por serem pró-inflamatórios e desequilibrarem o sistema imunológico. Assim como diabetes gestacional ou pré-gestacional e hipertensão crônica, que costumam estar relacionadas a inflamações do corpo. “Na prática clínica, inclusive, é muito comum detectarmos a existência de uma hipertensão sobreposta em casos de pré-eclâmpsia”, relata a médica obstetra.

Do mesmo modo, segundo a Dra. Bruna, doenças autoimunes são fatores de risco para pré-eclâmpsia, porque desencadeiam alterações de sinalizações do sistema imunológico. “A correlação entre doenças autoimunes e a pré-eclâmpsia já foram demonstradas por trabalhos multicêntricos, revisões sistemáticas e meta-análises e pela prática clínica, principalmente entre profissionais que estão acostumados a realizarem acompanhamento pré-natal de alto risco”, afirma.

Outro fator desencadeante de pré-eclâmpsia, de acordo com a médica obstetra, é a fertilização in vitro (FIV). “Uma mulher que engravida após uma fertilização assistida não apresenta uma sinalização metabólica igual a quem tem uma gestação ‘normal”, fisiológica”, diz.

A médica obstetra explica que não é apenas a técnica que contribui para a pré-eclâmpsia, mas também o perfil de quem se submete a ela. “Normalmente, são pacientes acima dos 40 anos, que, em razão da idade, apresentam doenças metabólicas crônicas, como diabetes gestacional e hipertensão”, esclarece.

Outros fatores que aumentam o risco da doença

A médica obstetra lista ainda outros fatores que também podem aumentar o risco de pré-eclâmpsia. São eles:

  • Primiparidade (primeira gestação);
  • Doenças renais;
  • Intervalos de gestação muito curtos ou muito longos;
  • Casos de pré-eclâmpsia entre parentes de primeiro grau
  • Pré-eclâmpsia em gestações anteriores;
  • Placentas muito grandes;
  • Restrição de crescimento intrauterino;
  • Alteração no exame de ultrassom com Doppler;
  • Alterações de fatores angiogênicos.

Tratamento

Como a doença está atrelada à inflamação do corpo, seu tratamento consiste em medidas anti-inflamatórias, aponta Bruna. Um exemplo é a utilização do fármaco AAS (ácido acetilsalicílico), que atua controlando alguns fatores com ciclo-oxigenase A2 (uma enzima inflamatória). “Para que melhores resultados com essa terapia sejam alcançados deve ser feita sua prescrição antes de 16 semanas de gestação e na dose de pelo menos 100mg (150mg tem sido avaliado em estudos mais recentes)”, indica.

Contudo, o melhor tratamento continua sendo a prevenção, destaca a obstetra. Por isso, Bruna sugere às mulheres que, antes de engravidarem, percam peso, controlem doenças autoimunes, o ciclo circadiano e, principalmente, as deficiências de vitaminas e minerais, como vitamina D e magnésio. “A saúde da mulher e de seu bebê dependem dessas atitudes”, diz. Por fim, a médica ressalta que as gestantes devem buscar sempre o aconselhamento médico antes de adotarem qualquer medida.

FONTE: SAÚDE M DIA