Felicidade plural

ROTANEWS176 27/06/2026  09:05

RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Do Rio de Janeiro, Jorge aprendeu com base no budismo a produzir as melhores cenas da vida, e segue compartilhando esperança com todos ao redor.

Reprodução/Foto-RN176 Jorge Rodrigo de Oliveira  Na BSGI, atua como responsável pela Comunidade Humaitá, RM Leblon, e responsável pelo Grupo Alvorada da Sub. Botafogo, da Coordenadoria Rio Carioca (CRC), CGERJ

Quando tomou o filho nos braços ao nascer, há três anos, Jorge Rodrigo de Oliveira, 46 anos, ressignificou sua vivência familiar que, por questões congênitas semelhantes às do pai, acreditava ser quase impossível mudar.

Não foram poucas as estradas íngremes até aqui, mas Jorge sempre teve à mão e no coração o poema dedicado por Ikeda sensei no qual ele encoraja: “Ser forte é ser feliz, é ser vitorioso”.Com essa força, Jorge tornou-se comuni­cador e depois produtor de cinema: “Todas as orientações que recebi de Ikeda sensei fizeram sentido para mim. Eu as apliquei com um coração sem dúvidas”, diz.

A maior felicidade é ter compreendido, ao longo dos desafios, o profundo valor da própria vida e sua missão como bodisatva da terra: inspirar pessoas à felicidade (shakubuku).

Em sua jornada, apresentou o budismo a dezenas de famílias, oferecendo-lhes a oportunidade de receber o Gohonzon. Prestes a completar cinquenta anos de prática familiar — iniciada quando seus pais entraram para a Soka Gakkai em Bebedouro, SP, aprendeu a transformar cada circunstância em desenvolvimento. Ele resume sua história como cenas de um filme que continua a escrever com coragem e propósito.

Recomeçar sempre

Jorge atravessou a infância e a adolescência com muitas inseguranças. Após decisões equivocadas, seus pais perderam até a casa e se mudarem para Taquaritinga, SP. Meses depois, divorciaram-se. Mesmo assim, ele guarda lembranças luminosas desse período: “Tudo mudava quando eu estava em uma atividade da Gakkai. Voltava para casa muito feliz. Antes mesmo de saber ler, já sabia recitar o gongyo inteiro de tanto ouvir”.

Ao terminar o ensino médio, foi morar com o pai por dificuldades financeiras, enquanto a mãe vivia em um quarto e sala. Ele recorda: “Aquela situação me fez decidir escrever minha primeira carta para o senseie iniciar um desafio de três horas de daimoku diárias”.

Em 1999, veio a virada. Após participar da memorável “Convenção da Chuva”, o pai, alcoólatra há décadas, decidiu parar de beber; a mãe se libertou de um relacionamento abusivo; e os pais voltaram a ser amigos. Para Jorge, sinal de que era hora de alçar novos voos.

A convite de sua irmã e do cunhado, mudou-se para Maringá, PR. Ele guarda como lembrança o fato de ter começado a colaborar nas matérias das atividades locais que seguiu por duas décadas. “Logo eu, que até os 13 anos tinha dificuldade para me expressar.” Essa vivência o motivou a cursar comunicação social. Foi também quando os pais passaram a morar com ele. “Realizei assim um sonho adormecido de sermos uma família unida.”

O cinema como missão

Com uma bolsa integral, estudou na melhor universidade da cidade. “Ensinei a prática a vários amigos e professores e também concretizei shakubuku.” Depois, entrou no mercado audiovisual por meio de uma grande rede de cinemas. Uma viagem ao Rio o fez decidir se mudar para a Cidade Maravilhosa onde foi cursar cinema.

Jorge assumiu a liderança da Juventude Soka do Distrito Leblon e obteve resultados extraordinários no movimento de 2015. “Não tenho dúvida de que nosso movimento humanístico é capaz de transformar a sociedade.” Ao mesmo tempo, sua atuação no Sokahan por 22 anos marcou profundamente sua trajetória. “Aprendi a ser um farol de coragem e sabedoria.”

Em 2019, Jorge enfrentou nova transformação: o pai faleceu repentinamente e quatro meses depois sua mãe também. Ele relembra: “Eu me senti caindo em um abismo, mas satisfeito por ter cuidado dos dois até o último instante”. Superou o luto com apoio psicológico e dos companheiros Soka.

Reconhecimento e renovação

O voluntariado sempre fez sentido para ele, especialmente como chefe escoteiro. “Muitos jovens decidiram receber o Gohonzon”, conta, lembrando que dessa atuação vieram duas grandes conquistas: conhecer, em 2013, Anna Letícia, sua esposa; e, em 2023, receber uma Moção de Aplausos da Câmara Municipal do Rio.

Na vida pessoal, o casal encontrou um médico que os orientou no processo da gravidez. E na vida profissional, ele fundou sua produtora e passou a realizar documentários. Um de seus curtas circulou por mais de trinta países e recebeu prêmios.

Já na Divisão Sênior (DS), Jorge decidiu aplicar tudo o que havia aprendido na juventude: “Como pilar de ouro, precisava pôr em prática daimoku, ação resoluta e confiança na boa sorte”. Atualmente, é responsável pela Comunidade Humaitá, de mesmo nome do bairro onde mora com a família. “É o lugar onde meus pais viveram seus últimos dias, eu me casei, meu filho nasceu e onde está nossa missão.” Todas as semanas, o casal abre a casa para as atividades, renovando o espírito de shakubuku.

Jorge segue determinado: “Temos grandes objetivos até 2030: concretizar 10% dos lares de Humaitá com o Gohonzon consagrado”. Com gratidão, conclui: “Estamos avançando e escrevendo a história como protagonistas, não como espectadores. Muito obrigado!”.

Jorge Rodrigo de Oliveira, 46 anos. Cineasta. Na BSGI, atua como responsável pela Comunidade Humaitá, RM Leblon, e responsável pelo Grupo Alvorada da Sub. Botafogo, da Coordenadoria Rio Carioca (CRC), CGERJ.

Nota:

  1. Brasil Seikyo, ed.1.531, 13 nov. 1999, p. A6.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS