“E se você tivesse nascido do outro lado do mundo?”

ROTANEWS176 27/06/2026  09:15

MATÉRIA GRUPO CORAÇÃO DO REI LEÃO

Por Grupo Coração do Rei Leão da BSGI

Aprendendo com diferentes culturas e desenvolvendo empatia.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artísticos de ilustrativo da matéria do lado do mundo

Já imaginou, e parou para pensar, e se você tivesse nascido em outro local do mundo? Talvez falasse um idioma diferente, vivesse outra cultura, comemorasse outras datas especiais, comesse outras comidas típicas e até enxergasse o mundo de uma forma completamente nova. Apesar dessas diferenças, é bem provável que parte dos seus sonhos, desafios e alegrias sejam bem parecidos com o de outras pessoas.

Aprender e conhecer novas culturas enriquece nossa vida e amplia nossa visão global, uma vez que, por meio desse exercício, podemos nos conectar e compreender a realidade de outras crianças e jovens que, neste exato momento, podem estar sofrendo com a guerra, a fome, a exploração e o excesso de pressões sociais.

Como exemplo desse esforço genuíno de interligar crianças de diferentes países, em plena Segunda Guerra Mundial, Josei Toda lançou uma revista mensal dedicada ao público infantil que retratava o sofrimento experimentado por crianças de países considerados inimigos pelo Estado militarista japonês:

Existem ainda muitas crianças em áreas de perigo. Quando veem uma bomba caindo, mesmo de longe, imediatamente se jogam ao chão para se protegerem. Dizem que, por estarem tão acostumadas com a situação, elas agem com certa tranquilidade quando os ataques ocorrem.1

Refletindo um pouco sobre esse trecho, percebemos que, mesmo diante dos avanços tecnológicos e marcos importantes para o desenvolvimento da nossa sociedade, atualmente, muitos países ainda vivenciam uma dura realidade marcada pela guerra e pobreza extrema.

Por mais que possamos estar fisicamente distantes dos locais que vivenciam esse cenário, nossa responsabilidade com relação ao futuro da humanidade é grandiosa, pois podemos desenvolver a sensibilidade e a empatia em nossas crianças e adolescentes para que, como cidadãos globais, possam compreender o coração dessas pessoas e redirecionar a rota do século 21 para uma era de paz e de esperança.

E de que forma desenvolver crianças e adolescentes como “cidadãos globais”? Em uma palestra intitulada “Considerações sobre Educação para a Cidadania Global”, proferida na Faculdade de Pedagogia da Universidade Columbia, em 13 de junho de 1996, o presidente Ikeda afirmou:

Creio que possa declarar com confiança que os seguintes pontos são essenciais para a cidadania global:

1) A sabedoria para perceber a interligação entre toda vida e todos os seres.

2) A coragem para não temer nem negar a diferença; mas sim respeitar e empenhar-se para conhecer pessoas de diferentes culturas e crescer com esses encontros.

3) A benevolência para manter uma empatia imaginativa que vá além das cercanias imediatas e estenda-se até aqueles que estão sofrendo em lugares distantes.2

Aprendendo no budismo sobre o conceito de “prezar cada pessoa”, descobrimos que, por meio de nossas orações, diálogos e escuta ativa, podemos nos “despir” de qualquer estereótipo ou preconceito e compreender o sofrimento alheio com nossa própria vida. Essas ações repetidas manifestam a sabedoria do Buda, a qual nos permite perceber que, diante da vastidão do universo, todas as vidas estão interligadas e têm o direito de ser felizes.

O atual cenário mundial é desafiador para a juventude: a hiperconectividade, as mudanças tecnológicas cada vez mais rápidas e drásticas e as constantes ameaças de uma crise econômica e ambiental acarretam um mundo em que prevalece o isolacionismo, um agravamento das diferenças socio­econômicas e maior distanciamento entre as gerações. Por possuirmos um pouco mais de experiência de vida, talvez passemos a adotar naturalmente uma visão de mundo mais rígida e inflexível, que tem dificuldade de enxergar comportamentos diferentes do nosso.

Nesse cenário, como estabelecer e cultivar a confiança com as crianças e os adolescentes?

Devemos abrir nosso coração para compreendê-los sem nenhum tipo de prejulgamento. Para isso, é importante estudarmos e pesquisarmos mais sobre as características, tendências, gostos e dificuldades das novas gerações. Vamos nos atualizar, aprimorar e aprofundar nosso conhecimento sobre esta nova era, seguindo o exemplo do nosso estimado mestre, Daisaku Ikeda, admirado por pessoas de todas as idades.

Somos capazes de manifestar benevolência e influenciar positivamente as crianças, os adolescentes e jovens da nossa localidade para que evidenciem coragem, cultivem boas amizades, aprendam a respeitar outras culturas, raças e etnias e se tornem, assim, pessoas de primeira categoria. Independentemente da realidade de cada um deles, vamos encorajá-los para que estimulem seus sonhos, aprendam um novo idioma e ampliem sua visão de mundo por meio da arte e da cultura.

Visando o auspicioso ano 2030, vamos incentivar as crianças e os adolescentes para que se tornem genuínos discípulos Ikeda que, acreditando em seu potencial ilimitado, construam laços de amizade que ultrapassem fronteiras, idiomas e diferenças, transformando-se em verdadeiros cidadãos globais comprometidos com a felicidade e o bem-estar da humanidade e que garantirão um futuro de paz para as próximas gerações.

Grupo Coração do Rei Leão da BSGI

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. v. 1. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2020.

2. Brasil Seikyo, ed. 1.374, 13 jul. 1996, p. 3.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS