ROTANEWS176 25/04/2026 08:20
CONEXÃO JUVENTUDE SOKA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Basear a vida no juramento seigan transforma a realidade.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico ilustrativo da matéria
O alarme toca às 5h40 da madrugada, hora de acordar para não se atrasar. Ao se levantar, o primeiro movimento é intuitivo: alcançar o celular. Na tela, entre um meme e outro, a previsão do tempo destaca o próximo evento climático e o coração aperta com uma notícia chocante. No banheiro, escovando os dentes, o celular vibra: é uma mensagem do seu pai pedindo um favor. Você até quer ser prestativo, mas começa a pensar que talvez não dê conta. Além disso, pode ser que fique ainda mais cansado e termine sendo criticado no final.
Alguns jovens podem se identificar com as cenas acima, pois, em uma realidade cada vez mais atarefada, a sensação de impotência e o medo de falhar podem paralisá-los ou gerar desconforto. Em cenários assim, como viver pelo que acredita?
Encontro de juramento
Era agosto de 1947 quando Daisaku Ikeda, aos 19 anos, encontrou Josei Toda pela primeira vez em uma reunião de palestra em Kamata, bairro de Tóquio, Japão. O jovem era o quinto filho de uma família de pescadores de algas marinhas. Ele perdeu o irmão mais velho e a casa onde residia com a família durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial. Foi diagnosticado com tuberculose e tentava entender como prosseguir rumo ao futuro em um Japão se recuperando da guerra, com pessoas feridas, doentes e enlutadas, em meio à falta de comida e de recursos básicos.
Portanto, pode-se dizer que, durante esse primeiro encontro, o coração do jovem Daisaku estava repleto de aflições e de perguntas, dentre elas “Qual é o modo correto de viver?”, questão crucial da juventude que normalmente surge em algum momento da vida.
A partir das respostas baseadas na filosofia humanística do budismo oferecidas por Toda sensei e pelo seu desejo de construir uma sociedade de paz, o cora-ção do jovem se encheu de esperança. Decidiu adotar Josei Toda como seu mestre da vida, com a determinação inabalável de viver para construir uma sociedade de paz.
Primeiro passo
A palavra japonesa seigan (“juramento”) refere-se ao termo sânscrito pranidhana, que significa “manter algo intocado, imutável”. Segundo a interpretação de estudiosos budistas, corresponde a “estabelecer firmemente um ideal e avançar para concretizá-lo por meio de uma inabalável determinação”.1
Portanto, um juramento precisa ser baseado em um ideal e requer proatividade para ser cumprido. É preciso decidir realizá-lo e assumir a iniciativa de empreender ações pelo que acredita por iniciativa própria, sem alguém pedir.
O valor de um juramento não está na beleza das palavras ou no ar solene do pronunciamento, mas sim no ato de mantê-lo para sempre. Isso significa agir de acordo com ele, esforçando-se para obter pequenas vitórias diárias² rumo a seus objetivos.
Base ideal
Muitas vezes, ao estabelecermos objetivos, nós nos preocupamos mais com o sentimento de realização e com a felicidade que a conquista deles nos proporciona, esquecendo-nos de considerar “por que” e “para que” queremos alcançá-los. É nesse momento que aplicamos a relação de mestre e discípulo, quando a finalidade de tudo que almejamos deve ser o kosen-rufu, a felicidade de si e das pessoas ao redor. Essa iniciativa deriva da nossa própria consciência e está ligada à individualidade de cada um de nós.
Quando somos flexíveis para aprender com o exemplo do Mestre, nós nos perguntamos “O que o Mestre faria no meu lugar?” e nos dedicamos com esse propósito a concretizar nossos objetivos, e a vida passa a vibrar no ritmo da revolução humana.
Renovação diária
Um dos pilares do budismo é a importância de nos desenvolver como seres humanos de valor. Cada um de nós tem a chance de agir dando o seu melhor pela felicidade de si e dos outros dentro da sua realidade cotidiana. O que motiva esse comportamento é o espírito de renovar o juramento todos os dias. A Juventude Soka tem a oportunidade de aprender como fazer isso por meio dos ensinamentos e da conduta do buda Nichiren Daishonin e dos Três Mestres da Soka Gakkai.
Comprovações da história
Começando por Nichiren Daishonin, em seu escrito Abertura dos Olhos, ele faz seu juramento como Buda dos Últimos Dias da Lei: “Eu serei o pilar do Japão. Eu serei os olhos do Japão. Eu serei a grande nau do Japão. Este é o meu juramento, e jamais renunciarei a ele!”.3 Nele, Daishonin deixa clara a intenção de não poupar a própria vida a fim de ajudar as pessoas e guiá-las diante de seus sofrimentos.
Esse bastão de coragem foi herdado por Josei Toda que, inspirado nas ações do seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, se levantou sozinho em um Japão devastado pela guerra.
Com o juramento de “erradicar a miséria e o sofrimento da face da Terra”, Toda sensei incentivava as pessoas a elevar seu estado de vida e a superar tudo o que estivessem enfrentando.
Do mesmo modo, ao assumir como terceiro presidente da Soka Gakkai em 3 de maio de 1960, o presidente Ikeda dedicou a vida a cumprir seu juramento a Toda sensei:
Quando iniciei minha jornada como terceiro presidente, avancei com o único propósito de construir uma organização jovem, uma Soka Gakkai eternamente jovem. Meu único objetivo era concretizar o sonho de meu mestre, cumprir minha missão pelo kosen-rufu.⁴
Cumprir o juramento feito ao mestre foi a base que manteve a existência do Budismo de Nichiren Daishonin ao longo dos anos e permitiu a transformação da vida de inúmeras pessoas e da sociedade em diversas localidades pelo mundo.
Discípulos assumem o legado do mestre
Assim como o presidente Ikeda diz, “Juramento só é juramento quando se cumpre”,5 essa ação faz parte do nosso dia a dia. Isso nada mais é que nos empenhar nas tarefas que precisamos fazer neste momento, seja no trabalho, na família, seja com amigos ou na organização, embasados no propósito de realizar o kosen-rufu.
Trilhar a estrada da felicidade

Reprodução/Foto-RN176 Foto de lustração da matéria
Confira o relato inspirador de Lidiane Silva Vieira, responsável pela Juventude Soka da RM Serrana, Sub. Planalto Litoral, CRE Sul
“Onde há determinação, há caminho.” Essa frase resume a minha trajetória desde que me converti ao budismo em 2012.
Como única praticante da família, aprendi que nossa revolução humana é capaz de envolver e iluminar as pessoas ao nosso redor. Para mim, viver como verdadeira discípula significa levar alegria, leveza e harmonia aos locais em que estamos todos os dias, transformando a lamentação em esperança. Com esse espírito, busco trazer meus familiares e amigos para esse ciclo de boa sorte.
Minha saudosa mãe fazia oferecimentos ao Gohonzon colocados no oratório; colegas de trabalho confeccionavam lembranças para as atividades; e hoje meu irmão apoia os jovens levando-os para participar das atividades dos grupos horizontais a 120 quilômetros de onde moramos, enquanto meu pai me acompanha fielmente na recitação do daimoku como ouvinte.
Em meio às adversidades, o que ativa minha determinação é o escrito As Quatro Dívidas de Gratidão, no qual consta:
A respeito deste meu exílio [em Izu], há duas importantes questões que [eu Nichiren] devo mencionar. Uma delas é que sinto imensa alegria. A razão é que este mundo se chama saha cujo significado é suportar. (…)⁶
Afinal, é preciso fazer um juramento e se comprometer a trilhar uma estrada com a decisão de ser feliz, esforçando-se diariamente para vencer os desafios e correspondendo à postura de Ikeda sensei.
Minha vida é uma rotina de dedicação. Além de zelar diariamente pela vida do meu pai, cadeirante, retomei meus estudos universitários inspirada no incentivo dos meus companheiros da organização. No último ano, formei-me no grupo Cerejeira após dez anos de esforços e ingressei na banda Asas da Paz Kotekitai do Brasil.
Ao intensificar minhas visitas e orações, ano passado, transformei a desarmonia familiar, enquanto procurava uma casa acessível para meu pai. Dentro do mês determinado, encontrei o lar ideal: totalmente acessível e com uma sala ampla, onde atualmente realizamos as reuniões da Juventude Soka.
Os membros da RM Serrana têm fortalecido o comparecimento nas reuniões mensais de planejamento e de daimoku virtual. Renovamos também o juramento da localidade e realizamos os encontros da Juventude Soka, carinhosamente apelidados de 3×1, com a participação ativa dos jovens nos estudos da Nova Revolução Humana [de autoria do presidente Ikeda] e no envolvimento dos Sucessores Ikeda com o Grupo Coração do Rei Leão.
Em 2024, desafiamos realizar atividades em locais públicos. O resultado? Dois novos shakubuku, e um deles participa ativamente das reuniões de bloco até agora.
Para mim, os estudos na juventude e a prática caminham juntos, como ensina o presidente Ikeda na Nova Revolução Humana: “O intercâmbio entre as pessoas da geração jovem haverá de se tornar uma nova força a unir o mundo na era da globalização”.⁷
Hoje, lutando na linha de frente junto com os companheiros da localidade, renovo meu juramento de atuar com o coração de Ikeda sensei, e desenvolver sucessores que liderem a organização com amor e responsabilidade. Em 2030, serei vitoriosa ao visitar as terras do Mestre, estruturar a Juventude Soka em todos os blocos, vencendo também nos estudos e na vida particular para continuar avançando e contribuindo para o kosen-rufu.
Notas: 1. Terceira Civilização, ed. 490, jun. 2009, p. 38. / 2. Ibidem. / 3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 293, 2020. / 4. Terceira Civilização, ed. 465, maio 2007. / 5. Brasil Seikyo, ed. 2. 338, set. 2006, p. C2. / 6. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 42, 2020. / 7. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. v. 30-II. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 79.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










